Se há tema que tem tirado do sério o consumidor português nos últimos tempos é a implementação do sistema de tara e depósito “Volta“. Infelizmente, a promessa de incentivar a reciclagem transformou-se rapidamente numa dor de cabeça.
Estamos a falar de preços das bebidas a subir 10 cêntimos à cabeça, máquinas dos supermercados que passam a vida encravadas ou cheias e o clássico cenário de pessoas a vasculhar o ecoponto amarelo à procura de plástico e latas para ir buscar os talões de desconto.
De facto, na semana passada não conseguia entrar num McDonalds, porque estavam pessoas a vasculhar os sacos do lixo, em busca de garrafas de plástico. Pois bem, uma imagem partilhada no Reddit veio lançar o pânico: afinal o sistema já chegou ao vidro? Ou vai chegar?
Símbolo do sistema Volta já aparece em garrafas de vidro? Calma!

A publicação mostra uma vulgar garrafa de cerveja em vidro com o logótipo oficial do sistema “Volta” colado no rótulo. A reação nas redes sociais foi de estranheza. Porque, oficialmente, o sistema Volta não aceita garrafas de vidro.
É muito provavelmente um erro da empresa responsável pelo rótulo. Aliás, se alguém se lembrar de meter esta garrafa numa máquina, e esta por acaso for aceite devido ao símbolo e código de barras, é muito provável que essa mesma máquina fique imediatamente avariada. (Isto porque, as garrafas e latas são esmagadas, e não existem depósitos separados.)
Mas… Será o futuro inevitável das garrafas?

Vamos esclarecer as coisas! Neste momento, o sistema de depósito oficial com máquinas de recolha automática continua desenhado exclusivamente para embalagens de plástico PET e latas de metal.
As máquinas instaladas nas grandes superfícies não têm sistemas de trituração ou amortecimento para receber vidro em segurança. Por isso, enfiar uma garrafa tradicional ali dentro seria meio caminho andado para destruir o mecanismo mecânico do equipamento.
O que aconteceu aqui foi muito provavelmente um “erro de estagiário” na linha de produção da fábrica, onde um lote de rótulos destinados a latas ou versões PET acabou colado em garrafas de vidro de tara perdida. No entanto, o debate que este engano acendeu é bem real.
Afinal, sempre existiu um sistema funcional e exemplar para o vidro que dispensava máquinas xpto cheias de sensores: o mítico sistema de vasilhame e grades de cerveja. Quem não se lembra de levar a grade de garrafas vazias à mercearia ou ao café, deixá-la no balcão e trazer uma grade cheia pagando apenas o líquido?
Muita gente ainda recorre a este método clássico precisamente porque a cerveja em garrafa de retorno não só fica substancialmente mais barata, como o vidro mais espesso mantém a frescura e o sabor muito melhor do que a tara perdida ou as latas.
Porém, se o sistema de depósito avançar no futuro para o vidro em larga escala através de máquinas automáticas, o impacto logístico vai ser brutal. Além da sujidade e do peso, o risco de garrafas partidas à volta dos contentores e dos supermercados é um problema sério de segurança pública que ninguém parece muito interessado em gerir.
Conclusão
Por enquanto, se encontrares uma garrafa de vidro com o símbolo do Volta, não vás a correr para a máquina do hipermercado. O vidro continua a ter como destino o bom e velho ecoponto verde. Ou a troca tradicional de grades à moda antiga.
Costumas devolver as garrafas e latas nas máquinas do Volta para reaver o dinheiro ou achas que este sistema só veio complicar o ato simples de reciclar? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







