Esta é uma questão que me anda a afligir nos últimos dias e que, muito honestamente, devia estar a fazer eco na cabeça de qualquer pessoa. Com guerras a arrastarem-se, crises sucessivas de chips, rendas de casa a bater recordes e o custo de vida geral a roçar o absoluto absurdo, como é que o mercado tecnológico vai continuar a funcionar? Como é que o consumidor comum vai conseguir manter o hábito de trocar de smartphone, comprar um relógio inteligente ou renovar o computador de secretária, ou tentar arranjar um portátil novo para continuar a trabalhar ou a jogar?
Até nos jogos a coisa está complicada, com sucessivos aumentos nos preços das consolas. E aqui, é preciso ter em conta que estas consolas já têm quase 6 anos de mercado. Aliás, em Portugal até se tentou fazer uma brincadeira com o preço do GTA 6.
A verdade nua e crua é que o ano de 2026 está a revelar-se uma autêntica loucura em termos de preços na tecnologia.
A crise silenciosa que poucos entendem
O verdadeiro vilão desta história está nos bastidores: o mercado das memórias RAM e de armazenamento (DRAM e NAND). Os custos de produção destes componentes dispararam de uma forma que poucos conseguem compreender, e embora já se andasse a falar deste perigo desde o ano passado, a verdade é que só agora, em pleno 2026, é que vamos começar a sentir a dor a sério na carteira.
Prepara-te, porque vai passar a ser perfeitamente normal ver os preços dos equipamentos saltarem 150€, 200€ ou até uns impressionantes 300€ de uma geração para a outra. Não estamos a falar de pequenos ajustes por causa da inflação. Estamos a falar de valores pesados que assustam qualquer pessoa que goste e dependa deste tipo de produto.
Com esta machadada, eu pessoalmente não acredito que o consumo se consiga manter nos níveis elevados a que estávamos habituados. E isto aplica-se a todos os fabricantes, incluindo a Apple, que tem sido uma das poucas gigantes a tentar fazer contorcionismo técnico para adiar o inevitável aumento de preços à pala da escassez de memória.
O teste de fidelidade ao iPhone
Todos sabemos que o iPhone é um fenómeno à parte. É um dos aparelhos mais vendidos à escala mundial e parece viver numa espécie de bolha, quase sempre imune às crises económicas ou aos aumentos de preço. Afinal de contas, na cabeça de muitos utilizadores, é um iPhone e a malta compra quase por instinto.
Só que se o próximo modelo chegar ao mercado com uma etiqueta inflacionada em 200€ ou 300€, o jogo muda um bocadinho de figura. Não consigo mesmo prever que um consumidor olhe para uma subida desta magnitude, avalie as diferenças que são quase sempre mínimas face ao aparelho que já tem no bolso e diga com convicção… “Epá, preciso mesmo de gastar este balúrdio!”.
Se a corda esticar demasiado e os consumidores fecharem a torneira às compras. O que é que vai acontecer à sustentabilidade destas marcas que vivem obcecadas com recordes de vendas trimestrais?
Tu por aí, vais continuar a trocar de smartphone mesmo que os preços sofram este rombo por causa das memórias. Ou vais segurar o teu equipamento atual até ele dar as últimas?





