Opinião: Se casar, apague o seu Tinder!

Como um pequeno detalhe numa app de namoro pode dar uma história gira ou problemática.

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Imagem de marca da app Tinder.

Para quem não sabe, eu sou casado. Há praticamente dois anos, na verdade. Tempos houve, obviamente, em que estava solteiro. Na altura, estava farto da constante pressão de ter que, ou depender de amigos que tivessem amigas solteiras, ou de meter conversa aleatoriamente. Portanto, instalei o Tinder.

O Tinder é uma app de encontros. Não no sentido literal – não patrocina, directamente, os ditos encontros. Contudo, a sua mecânica permite-nos perceber à partida se existe reciprocidade do lado oposto. Isto porque funciona à base do match. 

Duas pessoas emparelhadas na app Tinder

Um exemplo de quando duas pessoas fazem match no Tinder.

Vão surgir inúmeras fotografias de pessoas que estão nas vossas redondezas. Se as acharem interessantes, podem carregar no coração. Se não gostarem, no ícone respectivo. Caso calhe alguém ter carregado no coração quando lhe surgiu o vosso perfil, fazem match.

Depois desta pré-selecção, têm a oportunidade de meter conversa com a pessoa que encontraram. E depois, meus amigos, estão por vossa conta.

Durante algum tempo fui utilizador assíduo do Tinder. Depois conheci uma pessoa fantástica que se tornou a minha esposa – a partir do momento em que a relação iniciou, desinstalei a app do telemóvel e não pensei mais nisso. Até hoje.

Nem tudo o que desinstala desactiva

Pois meus amigos. A verdade é que, nunca mais tendo utilizado a app, achei que não me precisava de preocupar com os dados que lá deixei. Porém, eles existiam ainda. E segundo uma conhecida que me reconheceu, aparentemente o meu perfil também.

Foi assim que, com alguma surpresa, percebi que só saímos verdadeiramente do Tinder quando desactivamos a nossa conta. Ao início pensei: bom, está aqui uma história engraçada. Mas depois começas a pensar no que raio não foi eliminado também pelo Tinder.

O jornal The Guardian tem uma excelente peça sobre o volume de dados pessoais que são armazenados pela app. Não nos esqueçamos que a app é integrada com o nosso perfil de Facebook. O que significa que. aliado à Big Data recolhida na rede social, temos ainda todas as preferências discutidas nas conversas na app.

Por miúdos: tudo o que disserem, gostarem ou fizerem no Tinder, será registado pela empresa. Os vossos gostos, o tipo de pessoa que escolhem, as informações cruzadas com Facebook e Instagram. Claro que já estou a ouvir as vozes da revolta. Não é roubo nenhum, meus caros. Nós quando utilizamos a app e integramos o Facebook, estamos a dizer que concordamos com os Termos e Condições da mesma.

Exemplo de um perfil de Tinder

O Tinder sabe exactamente o que lhe disseste. Tudo.

Devo deixar o Tinder?

Alguns perguntar-se-ão: significa que devo deixar o Tinder? Não, malta. Porque senão teriam que deixar todas as redes sociais em que estão inseridos. O que podem fazer, ao abrigo da lei europeia da protecção de dados, é pedir os vossos registos. E se calhar ter uma surpresa sobre a quantidade de informação que uma simples app de namoro pode ter.

Portanto, rapazes e raparigas. Se tiverem usado o Tinder e, entretanto, encontrado o amor das vossas vidas, não se esqueçam de desactivar a vossa conta. Não impede que mantenham o registo de tudo o que lá fizeram, mas elimina-a e não volta a aparecer como sugestão.

É que no meu caso e em relações saudáveis, um episódio destes dá pano para um artigo de opinião e uma gargalhada. Em relações com pessoas mais ciumentas… Bem, não digam que não vos avisei.

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Carlos Duarte

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