Sentes pânico quando a aplicação de diagnóstico avisa que a saúde do teu disco SSD caiu para os 70%? Podes respirar de alívio. A verdade sobre o tempo de vida destes componentes informáticos é um dos maiores mitos da tecnologia atual. Os fabricantes afirmam regularmente que estas peças não duram mais do que uma década. No entanto, a realidade técnica é muito mais complexa e interessante. Na prática, a tua ansiedade está a ser fabricada por estratégias de marketing muito agressivas.
Saúde do teu disco SSD: o mito dos Terabytes Escritos (TBW)
Em primeiro lugar, todos os discos SSD trazem um valor chamado TBW (Terabytes Written). Este número representa a quantidade total de dados que a marca garante que o disco consegue suportar. Assim sendo, se ultrapassares esse valor, a garantia do equipamento é imediatamente anulada. Contudo, as pessoas assumem erradamente que o disco vai explodir ou parar de funcionar assim que atingir esse limite mágico.
A verdade é que as marcas definem estes números de forma incrivelmente conservadora. Fazem-no para evitar problemas legais e para incentivar a compra rápida de novos equipamentos. Existem testes de stress extremos na internet que comprovam esta teoria. Alguns modelos da Samsung foram levados ao limite e sobreviveram a mais de 22 petabytes de dados escritos. Isso é cerca de 36 vezes mais do que o limite oficial da marca!
A confusão das percentagens de saúde
Por outro lado, as aplicações gratuitas que verificam a saúde do computador costumam gerar alarmismos desnecessários. Ver um disco com 67% de saúde não significa que ele esteja um terço morto ou a caminhar rapidamente para o fim. O desgaste da memória destes discos não é uma linha reta previsível. Muitas vezes, a percentagem estabiliza no mesmo número durante vários anos a fio sem qualquer alteração.
Além disso, a equipa de engenharia da Kingston confirmou recentemente que não existe uma definição universal para a saúde de um SSD. Cada fabricante mede os dados de forma diferente nos bastidores. Os especialistas garantem que qualquer percentagem acima dos 30% representa um uso perfeitamente normal e não é motivo para qualquer tipo de preocupação imediata.
Os verdadeiros sinais de perigo que deves vigiar
Apesar destes alertas falsos, deves manter-te atento a problemas reais. Os números que realmente importam nas aplicações de diagnóstico são os setores realocados, os setores pendentes e os setores não corrigíveis. Se algum destes três indicadores sair do zero, significa que o teu disco está com dificuldades físicas em guardar a informação.
Nesse caso, é altura de começares a planear a compra de um substituto a curto prazo. Em suma, deves ignorar o pânico das percentagens gerais e focar-te nos erros reais de leitura. Resumindo, o teu disco aguenta muito mais do que pensas, mas a regra de ouro mantém-se sempre inalterável: faz cópias de segurança diárias dos teus ficheiros mais importantes para não chorares mais tarde.










