Antes que me venham aqui dizer que odeio elétricos, é preciso dizer que sim, a eletrificação é importante, não há qualquer dúvida disso. Especialmente agora que os preços da gasolina e do gasóleo andam a roçar o ridículo. Mas… para quem testa centenas de carros por ano, como é agora o meu caso, é inegável que ficam algumas saudades do antigamente.
Do barulho de um motor a combustão, de uma caixa de velocidades manual e até dos carros pequenos e joviais, que apenas tinham de nos levar do ponto A ao ponto B, de preferência vivos e inteiros. Era simples, existia alma e, acima de tudo, era divertido conduzir.
Agora? Um carro é quase sempre um produto para ser útil, e não para ser divertido, com tecnologia até à ponta dos cabelos, e apesar de adorar tecnologia como poucos, isso deixa-me com saudades. Curioso, porque tenho 34 anos, e como tal consigo viver duas eras. Uma muito pouco tecnológica, e outra onde a tecnologia parece querer dominar o mundo automóvel.
Tenho saudades dos carros a gasolina e a gasóleo…
Como agora temos a oportunidade de conduzir muitos dos mais recentes lançamentos dentro do mundo automóvel, é triste de dizer, mas é completamente verdade, a grande maioria dos carros são todos iguais. A partilha de plataformas e a gigantesca aposta na eficiência simplificaram muito o mercado. Além disso, a invasão chinesa também não veio ajudar à festa, com mãos cheias de carros 100% elétricos que apenas têm a missão de te levar de um lado ao outro, sem grande consideração pela dinâmica durante a viagem.
Os elétricos são quase sempre grandes, pesados, silenciosos, com muito foco na tecnologia, mas pouco naquilo que outrora deu vida ao mercado automóvel. Tu, a conduzir um carro elétrico, não o sentes. Não sabes bem onde estão as rodas. Sabes apenas que estás a andar em frente, nada mais.
Não é sempre assim!

Ainda existem exceções à regra, até no mundo 100% elétrico. Há pouco tempo conduzi o Nissan Micra, baseado na mesma plataforma que dá origem ao Renault 5, um carro extremamente divertido, que apesar de ser alto e pesado, foi bem desenvolvido e construído. Fazes-te a uma curva e sentes o que estás a fazer. Sentes também que o carro te está a responder como tu achas que deveria acontecer.
Depois temos clássicos como o Mazda MX-5, que apesar de não ter muita potência, tem uma motorização muito interessante, com uma caixa de velocidades capaz de te meter um sorriso no rosto.
Além disso, temos carros aparentemente banais, que continuam a trazer alma para as estradas. Como é o caso do Toyota Aygo X que tivemos a oportunidade de analisar há algumas semanas, ou até o exemplo de um simples Seat Ibiza 1.0 com caixa manual.
Aliás, até o Renault Clio GPL que testei no ano passado me impressionou pela simplicidade e agilidade, isto mesmo tendo em conta a motorização e um design já algo ultrapassado, mas ainda assim cheio de tecnologia para te ajudar a chegar ao destino em segurança.
Tenho honestamente saudades destes carros mais simples, mas muitíssimo mais puros. E se calhar não sou o único. Porque no meio de tanta tecnologia, silêncio e eficiência, há algo que se está a perder. Aquela ligação entre condutor e máquina que, durante décadas, foi a verdadeira razão de existir do automóvel.
Antes de mais nada, qual é a tua opinião acerca de tudo isto?











