Isto pode parecer muito estranho, porque passa a mensagem de que a Samsung não decide o que acontece nos seus próprios aparelhos. Mas, a estratégia de dar o golpe à Qualcomm vai falhar pelo menos mais um ano.
Ou seja, a eterna batalha entre os processadores da Samsung e os da Qualcomm está prestes a ganhar um novo capítulo com a futura gama de aparelhos Galaxy S27.
É verdade que a gigante sul-coreana parecia mais do que determinada a cortar as amarras e a reduzir a dependência da sua rival norte-americana, com vários relatos a apontar que o chip da casa, o Exynos 2700, iria equipar pelo menos metade de todos os smartphones da gama.
Que é… O que faz sentido. Afinal, apesar de ser verdade que os SoC Exynos passaram um mau bocado. A realidade atual é são muito capazes, e são feitos “em casa”. Ou seja, são (teoricamente) mais baratos, e são pensados para os próprios aparelhos da Samsung.
Mas… Não!
A rasteira dos 2 nanómetros e o custo de produção proibitivo?
Portanto, tudo isto acontece não porque a Qualcomm “é má”, e quer mandar em tudo. No fim do dia, acabam por ser problemas da própria Samsung.
Ou seja, o novo processo de fabrico de 2 nanómetros (GAA) de segunda geração da marca, que até chegou ao mercado mais cedo, não só está atrás da arquitetura N2P da TSMC em termos de performance e eficiência, como consegue ser substancialmente mais caro de produzir.
Ou seja, a Samsung perde dinheiro ao optar por chips próprios. Parece estranho, mas é verdade. No fim do dia, esta é uma desvantagem que mete o Exynos 2700 numa posição frágil face aos novos Snapdragon 8 Elite Gen 6 e Gen 6 Pro.
Para piorar o cenário, a Qualcomm jogou bem na antecipação. A empresa de San Diego desenhou duas variantes do seu chip topo de gama: uma versão Pro, mais musculada, e uma versão standard, que consegue vender aos parceiros por um preço muito mais competitivo sem canibalizar as especificações.
Por sua vez, a Samsung só tem uma única versão do Exynos 2700 no papel. Sem um chip “capado” e mais barato para enfiar no modelo base do Galaxy S27, a marca fica sem margem de manobra e vai ser obrigada a comprar os chips à Qualcomm para não ver os custos disparar.
Ecrãs chineses e a crise da memória RAM em 2026?
A Samsung está obrigada a aumentar as margens de preço nos seus dispositivos premium.
De facto, para tentar estancar a sangria e manter as margens de lucro intocáveis, os rumores dizem que a marca vai tomar uma decisão histórica e até um pouco humilhante. Ou seja, deixar de usar os seus próprios painéis OLED no Galaxy S27 base e passar a comprar ecrãs mais baratos à fabricante chinesa BOE.
A necessidade de manter os lucros vai falar mais alto.
Isto significa que o plano original de ter o Exynos 2700 em 50% dos telemóveis despachados vai cair por terra. O chip da casa deverá aparecer sim, mas numa escala muito menor e possivelmente limitado a mercados muito específicos.
O que é uma pena. Porque, apesar do histórico dos chips Exynos, a verdade é que pode ser por aqui que a Samsung de diferencia de todas as outras rivais.






