Samsung exagerou. Portátil a ficar 500€ mais caro?

A Samsung está prestes a lançar a nova geração dos seus portáteis premium, mas há um detalhe que salta imediatamente à vista. O preço subiu, e subiu muito. O novo Galaxy Book 6 Pro, equipado com os mais recentes processadores Panther Lake da Intel, chega ao mercado com um aumento de quase 477 dólares face ao modelo da geração anterior.

O que mudou? Algumas coisas, é certo. Mas não mudou quase 500€, isso também é garantido.

Há aqui uma estratégia clara de reposicionamento e, claro, de margens.

Um salto grande de preço entre gerações

Segundo a informação disponível na página oficial de lançamento da Samsung, o Galaxy Book 6 Pro mais diretamente comparável ao Book 5 Pro anterior custa agora cerca de 3.510.000 won, o equivalente a 2.381 dólares.

O modelo anterior, com processador Lunar Lake, tinha sido lançado por cerca de 1.904 dólares.

A diferença ronda os 25% e isso num produto que, na prática, mantém muitos dos componentes-chave. Afinal de contas, a memória continua nos 32 GB LPDDR5X, o armazenamento permanece em 1 TB NVMe e o chassis não sofreu uma revolução visível. A olho nú, parece o mesmo exato portátil.

De facto, o grande destaque está no novo processador, um Intel Core Ultra Series 3 baseado em Panther Lake, que troca um CPU de 8 núcleos por uma solução de 16 núcleos. É uma melhoria real, sem dúvida. Mas dificilmente justifica, por si só, o aumento de preço.

Custos a subir. Mas… Margens também!

A justificação implícita está nos custos crescentes da memória. DRAM e NAND estão mais caros, algo que toda a indústria já assumiu. O problema é que a Samsung não é apenas cliente deste mercado. É também uma das maiores produtoras mundiais de memória.

Ou seja, no final do dia, o preço da memória RAM não aumentou para a Samsung. Isto porque a Samsung produz os chips de memória.

Mesmo assim, a marca optou por passar estes custos para o consumidor final. Não para proteger preços, mas para proteger margens. Isso torna-se ainda mais evidente quando se olha para gerações anteriores. Entre o Galaxy Book 4 Pro e o Book 5 Pro, o aumento foi residual. Agora, com o Book 6 Pro, a mudança é brusca e exagerada.

A nova gama puxa tudo para cima!

A estratégia não se fica pelos modelos com gráficos integrados. As versões Galaxy Book 6 com placas gráficas dedicadas NVIDIA RTX 5060 e RTX 5070 chegam a valores que rondam os 3.141 a 3.344 dólares.

São preços que colocam estes portáteis num território onde a concorrência já oferece máquinas mais potentes, com soluções térmicas mais robustas e menos compromisso entre desempenho e preço.

E agora?

É claro que a Samsung quer posicionar o Galaxy Book 6 como um portátil verdadeiramente premium. Panther Lake ajuda, a plataforma é moderna, eficiente e potente.

Mas… Deixa de ser uma questão de evolução tecnológica e passa a ser uma decisão de negócio muito clara. Num mercado onde os consumidores estão cada vez mais atentos ao valor real do que compram, aumentos desta dimensão começam a ser difíceis de engolir.

Especialmente quando vêm de uma empresa que controla grande parte da cadeia de fornecimento dos componentes que agora usa como justificação para cobrar mais dinheiro. Em suma, no final do dia… É feio.

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Nuno Miguel Oliveira
Nuno Miguel Oliveirahttps://www.facebook.com/theGeekDomz/
Desde muito novo que me interessei por computadores e tecnologia no geral, fui sempre aquele membro da família que servia como técnico ou reparador de tudo e alguma coisa (de borla). Agora tenho acesso a tudo o que é novo e incrível neste mundo 'tech'. Valeu a pena!

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