Durante mais de duas décadas, ninguém destronava a Samsung na Coreia do Sul. Era, sem discussão, a empresa cotada em bolsa mais valiosa do país. Esse reinado acabou e o motivo está no centro de tudo o que se fala hoje em tecnologia: a corrida à inteligência artificial. É uma coroa que a Samsung segurava na Coreia há 25 anos.
Samsung acaba de perder a coroa na Coreia por causa da SK Hynix
A fabricante de chips SK Hynix ultrapassou a Samsung em valor de mercado, algo que nunca tinha acontecido. Segundo dados avançados pela Reuters, a SK Hynix atingiu uma capitalização bolsista de cerca de 2.080 biliões de wons, qualquer coisa como 1,35 biliões de dólares, enquanto a Samsung ficou logo atrás, nos 2.067 biliões de wons (à volta de 1,34 biliões de dólares), sem contar com ações preferenciais.
A diferença é pequena, mas o simbolismo é enorme. Estamos a falar de uma liderança que durava há mais de 25 anos a cair de um momento para o outro.
Tudo se resume a um tipo de chip
O que catapultou a SK Hynix foi a explosão da procura por memória de alta largura de banda, conhecida pela sigla HBM. São os chips de memória que alimentam os sistemas de inteligência artificial, e a SK Hynix é precisamente a maior fornecedora do mundo neste segmento.
A memória da empresa está dentro de sistemas de IA da NVIDIA, da Microsoft e da Google. Em quota de mercado de HBM, a SK Hynix domina com cerca de 61%, muito à frente da Micron, com 21%, e da própria Samsung, com 17%.
E há um detalhe que explica por que isto é tão valioso. Ao contrário da memória comum, que é praticamente intermutável, os chips HBM não se trocam à vontade. O presidente do SK Group resumiu a ideia: se substituíres a HBM da empresa por outro produto qualquer, o sistema de IA pode simplesmente deixar de funcionar como deve. Aquilo que era um componente secundário tornou-se uma peça central.
De quase falir a gigante da IA
O mais surpreendente nesta história é o ponto de partida. A SK Hynix teve um passado atribulado: antes de ser comprada pelo SK Group, esteve à beira da falência e quase foi vendida à Micron em 2002. No ano seguinte, era considerada uma penny stock, com as ações a valerem uns míseros 135 wons, cerca de nove cêntimos de dólar.
A reviravolta deve-se a uma aposta feita na altura certa. A empresa continuou a investir no desenvolvimento de HBM durante um período em que o mercado da memória estava em baixa, e os analistas apontam exatamente essa teimosia como a razão de hoje ser um dos jogadores mais fortes do setor.
A Samsung ainda lidera numa frente
Nem tudo são más notícias para a Samsung. No segmento da memória DRAM, é a Samsung que continua à frente. Ainda assim, o avanço da rival é evidente: estimativas do Bank of America apontam que a SK Hynix pode reduzir a diferença de produção para apenas 10% até 2028. Este ano, deverá produzir perto de 589 mil wafers de DRAM, contra os 691 mil da Samsung.
Entretanto a Samsung, por sua vez, faz questão de lembrar que o cálculo deveria incluir as ações preferenciais. Com essas contas, o valor de mercado da empresa subiria para cerca de 2.246 biliões de wons (perto de 1,46 biliões de dólares), o que a colocaria novamente à frente.
O que isto nos diz
Entretanto esta troca de lugares é um retrato perfeito do momento que vivemos. Assim a inteligência artificial não está só a encarecer telemóveis e a mudar a forma como usamos a tecnologia está a redesenhar quem manda na indústria. E quem soube apostar nos chips certos no momento certo está agora a colher os frutos.






