Samsung conclui inquérito às explosões do Galaxy Note 7: baterias foram as culpadas


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Directamente de Seoul, Coreia do Sul, a Samsung revelou hoje as conclusões do extenso inquérito às explosões das baterias no malfadado Samsung Galaxy Note 7. Apesar do cepticismo de alguns especialistas, as conclusões apontam para a responsabilidade das próprias baterias.

Numa primeira fase, quando os Note 7 mostraram problemas logo após o lançamento em Agosto de 2016, uma falha no controlo de qualidade das baterias foi imediatamente encontrada. As baterias produzidas pela Coreana SDI possuíam inconsistências nas dimensões, e algumas eram demasiado grandes para o compartimento.

A Samsung analisou todo o processo da vida de uma bateria, incluindo os algoritmos que gerem o carregamento.

Em resultado desta dimensão incorrecta, as baterias sofriam danos por compressão, sofrendo ignição quando os electrólitos entravam em contacto.

A produção foi então concentrada na ATL, subsidiária da TDK, e os Note 7 voltaram ao mercado com estas baterias “seguras”.

No entanto, as explosões voltaram a acontecer e a Samsung viu-se sem opções. Com o Note 7 proibido de embarcar em aviões e a perder o apoio das principais operadoras Americanas, a Samsung não teve outra opção senão cancelar o que de outro modo seria o seu grande sucesso de 2016.

Para chegar ao completo conhecimento das causas dos incidentes, a Samsung construiu uma instalação específica para testar o funcionamento do Note 7, incluindo múltiplas cargas e descargas, com ou sem o carregamento rápido e via wireless.

A Samsung analisou todos os momentos da vida do Note 7, do fabrico à logística da entrega às lojas, à procura de falhas, num processo que envolveu 700 engenheiros numa análise a 200 mil Galaxy Note 7 e 30 mil baterias.

No entanto, ambas as baterias falhavam por motivos diferentes.

No caso das baterias da SDI, confirma-se o problema de dimensões e acrescenta-se o posicionamento incorrecto dos eléctrodos. Este conjunto de factores levava a perfurações nos revestimentos.

Análise independente da Exponent confirmou mau posicionamento de eléctrodos e mau desenho do invólucro da bateria SDI.

Também a análise independente da Exponent confirma que os eléctrodos negativos se encontravam mal posicionados e o desenho da membrana protectora  os comprimia desnecessariamente.

No caso das baterias ATL, o desenho da bolsa protectora já não causava qualquer problema e análise prévia da Exponent deu as baterias como seguras.

No entanto, após ter de aumentar a produção, a ATL teve os seus próprios problemas, nomeadamente soldadura incorrecta. O processo de soldadura ultrassónica deixou cristas que excediam a distância entre os eléctrodos e podiam iniciar contacto.

UL, Exponent e Samsung descobriram cristas excessivas na soldadura, provocando curto-circuito.

Pior, em algumas baterias foi detectada a ausência de camada isoladora, aumentando o risco de curto-circuitos que efectivamente aconteceram.

Segundo especialistas da UL e da Exponent, as protuberâncias da soldagem deixaram inclusivamente o seu padrão marcado nos incêndios.

Validados os defeitos de fabrico de ambas as baterias, todo o processo de fabrico e distribuição da Samsung foi ilibado de responsabilidade, tendo as unidades de manufactura sido inspeccionadas por agências independentes.

Baterias da ATL tinham, inclusivamente, isolamento em falta.

Motivos diferentes afectaram assim as baterias de diferentes fabricantes, numa instância só se verificando que havia um problema quando o número de baterias em circulação aumentou. Ao mesmo tempo, parecem cair por terra as teorias que apontavam para um desenho demasiado liberal no Note 7.

Os factores agora revelados mostram, indiscutivelmente, problemas graves nos dois tipos de baterias, que gerariam ignição em qualquer smartphone. A Samsung apontou as armas às baterias precisamente porque estas falharam do mesmo modo independentemente, ou dentro de unidades completas.

Para evitar futuros incidentes, a Samsung iniciou igualmente um profundo programa de modernização dos procedimentos face a baterias.

Samsung adoptará novas estratégias para eliminar futuros incidentes com baterias.

Por um lado, os testes serão mais extensos, a formação dada aos funcionários maior, mas a Samsung melhorará igualmente o desenho e os materiais das baterias. Medidas adicionais serão tomadas para que as baterias se mantenham protegidas e intactas, mesmo no caso de queda do smartphone.

O mistério parece assim resolver-se quanto às causas que condenaram o mais interessante smartphone de 2016. As conclusões agora obtidas são de suma importância para a Samsung, já que restabelecem o seu bom nome, ilibando a marca de qualquer negligência ou má conduta no processo.

O caminho fica assim aberto para o Galaxy S8 surpreender e fazer esquecer um dos piores momentos na história da Samsung.

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