Sete anos. Foram precisos sete longos anos, dezenas de protótipos partidos, ecrãs com vincos horríveis na concorrência e muita paciência para a Apple finalmente decidir lançar o seu primeiro smartphone dobrável. Estamos a falar do novíssimo iPhone Duo.
Durante todo este tempo, a Samsung nadou praticamente sozinha em águas calmas no Ocidente (sim, por cá, visto que na China a história é bastante diferente), erguendo um império que parecia intocável. De facto, os números mais recentes da Ookla mostram exatamente isso: a gigante sul-coreana controla uns esmagadores 76,2% do mercado global de dobráveis, liderada de forma destacada pelo Galaxy Z Fold 7.
No papel, isto parece uma liderança impossível de bater. Mas, a gigante Coreana começa a suar frio!
O monopólio sul-coreano num lago que ainda é minúsculo

Os dados recolhidos através de milhões de testes na rede da Ookla revelam uma fotografia clara de quem manda atualmente nas prateleiras. A presença da Samsung é avassaladora, mas o bolo total ainda é muito pequeno:
- A família Fold manda: O Galaxy Z Fold 7 sozinho representa 24,2% de todos os dobráveis ativos no mundo, seguido de perto pelo Fold 6 com 11,5%. No top 10 das preferências globais, apenas marcas como a Honor conseguem meter uma unha com os seus Magic V3 e V5.
- Apenas 1,4% do mundo mobile: Aqui está o detalhe que realmente importa. Todos os dobráveis somados representam apenas 1,4% dos smartphones em circulação no planeta Terra.
A Apple não inventa o formato. Vai por outro caminho.

Quando a empresa de Tim Cook decide finalmente avançar, não entra para ser mais uma. Entra para definir o padrão de desejo.
Dito isto, o iPhone Duo é um aparelho com compromissos evidentes. Não tem Face ID tradicional, abdicou de uma lente teleobjetiva dedicada e a câmara frontal debaixo do ecrã está longe de ser uma maravilha. Isto sem esquecer a loucura de um preço que arranca nos 2.400 euros. Só que a Apple tem uma encomenda inicial planeada de 10 milhões de unidades. Para teres uma noção da escala, 10 milhões de aparelhos vendidos num ano colocam a Apple a disputar o topo da tabela de dobráveis quase da noite para o dia.
Aliás, a correr bem, a Apple pode vender mais “Folds” num ano, do que a Samsung em sete.
O fator estatuto? Conta muito! MESMO MUITO!
O grande drama da Samsung não é técnico. O Galaxy Z Fold 8 e os seus antecessores são máquinas de produtividade incríveis, com hardware maduro e ecrãs fantásticos. O problema da Samsung é que nunca conseguiu transformar um telemóvel dobrável num objeto de culto aspiracional que o cidadão comum sinta que “tem mesmo de ter”.
O iPhone Duo, com todos os seus defeitos de primeira geração e um preço pornográfico, conseguiu despertar exatamente essa chama no primeiro dia em que foi mostrado. Criou conversa de café, gerou inveja social e fez o formato dobrável parecer finalmente o futuro, e não apenas uma experiência para totós de tecnologia.
Aliás, eu não duvido que vai esgotar em todo o lado. E Portugal está incluído.






