Durante anos, o pesadelo de quem estaciona na rua tinha um nome: o catalisador, cortado por baixo do carro em segundos pelos metais preciosos que guarda lá dentro. Mas os ladrões de carros alargaram a lista, e há uma peça que se tornou um alvo tão apetecível como o catalisador e que pode valer ainda mais: o farol.
Os números sobre ladrões de carros confirmam a subida
Não é impressão. Segundo a GNR, o furto de componentes automóveis aumentou cerca de 19% no primeiro semestre de 2026, com 685 ocorrências registadas em todo o país, contra 577 no mesmo período do ano anterior. Dá uma média de quase quatro furtos por dia.
Os catalisadores continuam a ser a peça mais visada, mas não estão sozinhos. As autoridades identificam os faróis de tecnologia LED e laser como uma das vagas de roubo já instaladas, ao lado dos volantes e dos ecrãs digitais. Por distritos, Setúbal lidera com 135 casos, seguido do Porto (113), Lisboa (93) e Aveiro (59).
Porque é que os faróis passaram a valer tanto
A explicação está na tecnologia. Os faróis deixaram de ser um vidro com uma lâmpada lá dentro. Os sistemas de LED e laser dos carros modernos são módulos eletrónicos complexos, e o preço de um farol pode chegar aos milhares de euros consoante o modelo.
Junta-se a facilidade da operação. Remover um farol é rápido para quem sabe: uns minutos, muitas vezes com o carro parado na rua e mesmo em zonas iluminadas. E depois há mercado, as peças escoam-se para oficinas clandestinas ou para plataformas de venda em segunda mão, onde servem para reparar carros sinistrados a baixo custo.

Para a vítima, o prejuízo é duplo. Além do valor da peça, os ladrões usam ferramentas de corte que danificam guarda-lamas e capôs ao arrancar o farol, aumentando a fatura da reparação.
Que carros são mais visados
Os ladrões preferem os veículos mais recentes, precisamente pelo valor das peças. Marcas premium com faróis LED ou laser caros, como BMW, Audi ou Mercedes, estão entre as mais afetadas. Mas as autoridades avisam: qualquer carro pode ser alvo. Não é preciso ter um topo de gama para acordar sem um farol.
Como tornar o teu carro um alvo mais difícil
Não há forma infalível de travar um furto decidido, mas há medidas que reduzem o risco. A que os especialistas mais destacam é a mais barata: gravar o número VIN nos faróis. Assim como se recomenda para os retrovisores, marcar as peças com o número de identificação do veículo torna-as muito menos atrativas, porque dificulta a revenda no mercado clandestino.

Além disso, estaciona em locais vigiados sempre que possível, com garagem fechada, câmaras ou ruas movimentadas e bem iluminadas. Um alarme com sensor de inclinação ou vibração, que dispara quando alguém mexe na carroçaria, é outra camada útil, tal como uma câmara de videovigilância que dissuade e, se o pior acontecer, dá imagens decisivas para a investigação.
E se presenciares algo estranho, alguém debruçado sobre um carro com ferramentas a horas mortas, não confrontes: contacta a PSP ou a GNR.
Se fores vítima
Age depressa. Participa o furto à PSP ou à GNR o quanto antes, com fotografias dos danos, a hora aproximada e eventuais imagens de câmaras próximas. Comunica também à seguradora, porque a cobertura do furto de peças depende das condições da tua apólice, pode estar incluída ou não, consoante o que contrataste.
E há o gesto de comunidade que faz diferença: se aparecer um caso na tua zona, avisar os vizinhos e partilhar imagens de videovigilância ajuda a investigação mais do que parece. O objetivo não é espalhar medo, é aumentar a atenção de todos.






