Robôs humanoides ainda trabalham a metade da velocidade humana. Mesmo assim, as fábricas estão a comprá-los. A razão é óbvia.
Sim, à primeira vista parece contraditório. Robôs humanoides que produzem apenas 30 a 50% do que um trabalhador humano consegue fazer… e ainda assim com encomendas a aumentar.
Mas é exatamente isso que está a acontecer na China, onde a automação industrial passou de tendência a prioridade nacional.
Ou seja, a UBTech Robotics, uma das principais empresas do setor, admite sem rodeios que o seu mais recente robô, o Walker S2, ainda está longe de substituir pessoas em linhas de produção. Mesmo assim, fabricantes como a BYD e a Foxconn já estão a testar estes robôs em ambiente real.
Não são rápidos. Mas são versáteis, nunca descansam, não comem, nem pedem férias.

O Walker S2 foi pensado para tarefas repetitivas e controladas. Transportar peças entre estações, empilhar caixas, fazer inspeções visuais simples. Nada de cirurgias de precisão ou decisões complexas.
A grande diferença face aos robôs industriais tradicionais está na mobilidade. Em vez de um braço fixo preso a uma estação, este robô anda, desloca-se entre linhas e pode, em teoria, ser reaproveitado para várias funções ao longo do dia.
É essa flexibilidade que as fábricas estão a comprar. Não produtividade pura. Pelo menos para já.
A promessa está no futuro, não no presente
A própria UBTech reconhece as limitações. O robô ainda precisa que um humano lhe troque “as mãos” ou ferramentas consoante a tarefa. A autonomia energética também não está resolvida. As versões de demonstração conseguem trocar baterias sozinhas, mas uma fábrica a sério exige muito mais robustez, articulações duráveis e gestão energética contínua.
Mesmo assim, o objetivo é claro. A empresa aponta para atingir cerca de 80% da eficiência humana até 2027. Um valor que, segundo analistas, pode já ser suficiente em muitos contextos industriais.
A lógica é simples. Um robô não faz pausas, não tira férias, não adoece. Se chegar perto do rendimento humano, começa a fazer sentido económico.
O que isto nos diz, no fundo
Os robôs humanoides ainda não substituem humanos. Nem perto disso. Mas também já não são apenas brinquedos de feira tecnológica.
As fábricas estão a comprá-los não pelo que fazem hoje, mas pelo que prometem fazer amanhã. E porque quem não começa a experimentar agora, pode ficar para trás quando a tecnologia finalmente amadurecer.
Os humanos que se cuidem!

