O ecrã maior do Huawei P9 Plus será muito útil para quem trabalha em mobilidade.

Por esta altura, os nossos leitores já conhecem em grande profundidade o Huawei P9 Plus e o Huawei P9. A Leak fez provavelmente a cobertura mais variada e extensa do flagship Huawei: ficamos a conhecer as suas características diferenciadoras, ou a capacidade ímpar das duas câmaras duplas com assinatura Leica e ainda o seu potencial como máquina de trabalho.

Mas agora é a hora de consolidar toda esta experiência e saber exactamente o valor do Huawei P9 Plus.

Breve apresentação do Huawei P9 Plus

Se o mundo actual, com uma enorme quantidade de smartphones, o deixa confuso quanto ao enquadramento do Huawei P9 Plus, falamos de um absoluto flagship sem compromissos aparentes, nem nos materiais de construção, nem nas especificações técnicas, ou nos pormenores que lhe são únicos. É uma mescla de inovações, novas abordagens a temas clássicos e opções muito bem pensadas.

O Huawei P9 Plus encaixa-se num nicho entre os dispositivos topo de gama mais quotidianos e dispositivos como o Mate 8, claramente vocacionados para a produtividade e necessidades profissionais.

  • Ecrã: Super AMOLED de 5.5 polegadas e resolução FHD
  • Processador: HiSilicon Kirin 955 com Mali-T880 MP4 GPU
  • Memória: 4GB de memória RAM, 64GB de memória ROM
  • Câmaras: Câmara dupla de 12MP na traseira e 8MP frontal; foco híbrido (detecção de fases e laser)
  • Dimensões: 152.3 x 75.3 x 6.98mm

Design e construção

Além de extremamente fino para as suas especificações, o Huawei P9 Plus é elegante e confortável.
Além de extremamente fino para as suas especificações, o Huawei P9 Plus é elegante e confortável.

O Huawei P9 Plus mostra a sua vocação desde logo no impressionante exterior em aço, com metal escovado na traseira. A rigidez é uma palavra de ordem aqui: este chassis não dobra nem distorce, e parece muito capaz de aguentar alguns embates sem ter de lamber as feridas. O ecrã, de 5.5 polegadas, é protegido por Gorilla Glass 2.5D.

É também Gorilla Glass que cobre o módulo fotográfico na traseira, incluindo o flash, foco laser e ambas as câmaras, francamente algo que deixa qualquer um descansado, devido à tendência destas zonas dos smartphones se arranharem com entradas e saídas dos bolsos.

Fora a descrição amorfa dos materiais, a destacar no Huawei P9 Plus é a qualidade dos acabamentos. Não há rebarbas nem encaixes menos conseguidos, cada componente unindo-se ao seguinte sem uma folga visível a olho nu. A importância desta questão transcende o conforto na mão, para o qual a qualidade de construção contribui sempre: sem folgas ou desníveis, o P9 Plus é pouco propenso a apanhar as típicas partículas de pó que se acumulam sempre nos recantos.

Será talvez o smartphone menos propenso a acumulação de sujidade que já passou pelas nossas mãos e habitação dominada por felinos. A curvatura ligeira da traseira e o corte em bisel das margens contribuem depois para dar ao dispositivo uma ergonomia soberba que assenta na nossa mão como uma luva. Mal se sente, não cansa, e não causa o mínimo incómodo, por isso talvez tenhamos andado com o Plus bem mais na mão que no bolso.

A disposição dos elementos externos é a esperada, mas com algumas excepções, a começar pela tomada UBS-C que faz a sua entrada na Huawei e, felizmente, o cordão mantém uma entrada USB regular na outra extremidade, o que garante alguma compatibilidade com carregadores e portáteis.

Surpreendentemente, o P9 Plus opta por um jack de áudio na parte de baixo, uma opção atroz em qualquer caso, já que* obriga a ter o smartphone invertido no bolso e mete-se no caminho das mãos quando o agarramos na vertical. Mas este é um problema ultrapassável.

Performance

Um Kirin 955 acoplado a 4GB de RAM deixa poucas dúvidas quanto à capacidade do Huawei P9 Plus para aguentar tudo aquilo que lhe atiramos para cima.

O dispositivo consegue encaixar uma quantidade quase ilimitada de apps a correr simultaneamente, sem notarmos abrandamento em qualquer momento.

Há uma notável excepção nos nossos louvores à performance do Huawei P9 Plus e essa prende-se talvez com a optimização da Mali-T880. A gráfica é das mais poderosas e eficientes no mercado, no entanto – e tal como no Huawei Mate 8 – o Kirin 955 utiliza a versão MP4 de 4 núcleos e esta não é a versão mais impressionante para jogos neste segmento de mercado.

Quando colocamos os gráficos de um jogo como World Of Tanks no máximo, notamos de imediato uma queda nas fps quando mais objectos se encontram perto ou dentro do nosso campo de visão. Lado a lado, o Sony Xperia X encaixou bem a sobrecarga apesar das especificações inferiores.

Mas uma excepção é uma excepção. O desempenho do Huawei P9 Plus esteve sempre acima de qualquer crítica, mesmo em jogos bastante intensos e há que lhe dar o mérito: sem aquecer demasiado em momento algum. Portanto, a fraqueza do chip Kirin 955 está definitivamente na gráfica, mas ainda assim há que o dizer: só os gamers absolutamente exigentes o notarão.

Experiência de utilização

O Huawei Press Touch mostra utilidade em vários pontos, incluindo ver se os pormenores de uma foto estão OK.
O Huawei Press Touch mostra utilidade em vários pontos, incluindo ver se os pormenores de uma foto estão OK.

O EMUI é uma questão de amar ou odiar. Sejamos neutros: há quem goste e há quem não goste da ausência de uma gaveta de aplicações. Pessoalmente, parece ao autor que menos um passo para chegar a algum lado é sempre útil.

Em termos de design, o EMUI 4.1 abraçou o Material Design da Google e está mais homogéneo que nunca. Há mais identidade própria e menos reminiscências de iPhone, enquanto o bloatware está praticamente ausente.

As apps de gestão do telemóvel continuam a funcionar muito bem para limpeza e optimização do dispositivo, mas a implementação do Android Marshmallow está fundamentalmente boa, por exemplo com a capacidade para responder a sms directamente das notificações, o tipo de situação que gostaríamos de ver em todos os dispositivos Android, mas que por alguma razão não a possuem.

O Press Touch permite pequenos milagres como substituir teclas ou lançar apps de atalhos no ecrã.
O Press Touch permite substituir teclas ou lançar apps de atalhos no ecrã.

O interessante na experiência de utilização está, no entanto, no ecrã com Press Touch que é exclusivo ao P9 Plus na nova gama P9. Muito mais evoluído que os toques com os nós dos dedos, o Press Touch permite-nos inúmeras acções úteis, como aplicar zoom numa imagem, abrir acções rápidas em apps específicas e mesmo utilizar os cantos do ecrã como pontos de lançamento rápido de apps predefinidas.

Talvez a cereja no topo do bolo seja a opção de esconder as teclas capacitativas e substituí-las por teclas Press Touch, o que permite tirar o máximo partido da totalidade das 5.5 polegadas do ecrã.

Falando no ecrã, muita luz e muito contraste são características de destacar, o que sempre nos permitiu uma utilização bastante cómoda em plena luz do dia. Isto tem muito que ver com o facto do Huawei P9 Plus utilizar um excelente AMOLED face ao IPS LCD do P9 padrão e, como resultado, as imagens são simplesmente fantásticas e garridas.

Ainda uma menção digna para o sensor de impressões digitais que continua a acrescentar imensas funcionalidades ao dispositivo. Por exemplo, se utilizarmos o press touch para activar a galeria de imagens num canto do ecrã, podemos depois recorrer ao sensor para navegar entre imagens. Isto é realmente útil num dispositivo destas dimensões, pois autoriza melhor funcionamento só com uma mão.

Fotografia

Para uma análise mais detalhada às prestações fotográficas do Huawei P9 Plus poderão ler a nossa review na Leak Foto.

Resumidamente, as câmaras duplas dos Huawei P9 e P9 Plus, com a chancela Leica, são das melhores e mais fascinantes de sempre no mercado.

Mas se não quer ter o trabalho de sair desta página damos-lhe o resumo aqui mesmo:

O tesouro escondido do Huawei P9 Plus são os comandos manuais da câmara. Embora possamos controlar a exposição directamente do modo automático, o modo manual dá-nos um controlo total dos parâmetros fotográficos: ISO, exposição, foco, compensação de exposição e tipo de fotometria.

Isto significa que não precisamos ficar com uma foto escura porque o nosso alvo está iluminado contra as sombras. Optando pela fotometria pontual podemos expor para o objecto exacto que queremos.

Além de comandos intuitivos, o Huawei P9 Plus apresenta informações fotográficas completas.
Além de comandos intuitivos, o Huawei P9 Plus apresenta informações fotográficas completas.

Os comandos são tão simples de aceder quanto fazer um swipe a partir do fundo do ecrã para os revelar ou esconder, e a área de resposta é suficiente para conceder um bom controlo com o dedo.

Existem depois outras opções acessíveis a partir das definições, como ligar a captura RAW ou o foco de seguimento.

A qualidade de imagem é excelente no geral, com imagens nítidas e fortes, também virtude do que são os algoritmos do ecrã do Huawei.

O único senão são os algoritmos de tratamento Jpeg. Na nossa opinião, são francamente duros e eliminam algumas texturas mais finas, como cabelos, ponto em que acaba o P9 por ficar algo atrás do LG Nexus 5X e do Samsung Galaxy S7 que possuem sensores razoavelmente semelhantes. O contraste é igualmente muito bom, dentro das preferências de quem prefere tons mais berrantes.

A coisa muda claramente nos ficheiros RAW, e o nível de detalhe retido aí é louvável. Isto, tanto em termos de texturas quanto em termos de altas luzes por queimar.

E a câmara monocromática? Liberta do filtro RGB, a câmara capta detalhe muito mais profundo e praticamente sem os vícios inerentes aos filtros de cor. Ou seja, as auréolas nas zonas de maior contraste praticamente desaparecem para uma performance praticamente inédita em câmaras móveis.

Aqui, os algoritmos de imagem não se notam tanto e os cinzas são ricos, com excelentes gradações e detalhe. Há situações onde só a fotografia a preto e branco vale a pena e só o puro monocromático é aceitável. O Huawei P9 estará lá para essas situações.

Quanto a tudo isto, o melhor que podemos dizer é que fazer fotografia transcende fazer uma boa foto: chegar até ela tem de ter magia.

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Áudio

Nem sempre falamos do áudio num smartphone porque, sejamos francos, muitas vezes é para esquecer. Mas chegamos ao Huawei P9 Plus e temos aqui o melhor áudio a sair de um smartphone no mercado, sem contestações.

Face ao Huawei P9, o P9 Plus utiliza duas colunas em vez de uma, e uma delas dedica-se aos baixos e a outra às altas frequências. Não terão lido isto muitas vezes em mais nenhuma análise – e não me perguntem porquê – mas quando o smartphone é colocado na posição horizontal, os canais de áudio adaptam-se a essa situação e o som ganha uma definição nova que julgaríamos impossível num smartphone.

O Huawei P9 Plus sai-se simplesmente melhor com música e vídeo em alta-voz que muitas colunas portáteis que andam pelo mercado. Os baixos são muito fortes e com o volume a aumentar, o dispositivo dá poucos sinais de estar perto da sobrecarga. Ainda graças à localização das colunas, que se escondem nas ranhuras do ecrã que julgamos conterem apenas o microfone e altifalante para as chamadas, praticamente nunca abafamos o som do dispositivo.

Através do jack tudo funciona igualmente bem, com o dispositivo a mostrar-se uma boa opção para servir de leitor de música e a telefonia é clara e nítida, com pouco crepitar. Esperemos apenas que a Huawei evolua em breve os seus auriculares. São dos melhores em termos de qualidade de som, mas não se aguentam simplesmente no ouvido.

Bateria

A bateria do Huawei P9 Plus, com 3400mAh, é interessantemente generosa, e comporta-se bem ao longo do dia. Sabemos que a amperagem não explica tudo, por isso fomos agradavelmente surpreendidos por um smartphone que dura o dia inteiro com bateria, apesar de uma grande carga de trabalho.

Do uso constante do 4G, aos artigos para a Leak, tenho consciência que outros smartphones não chegariam ao final do dia com tanta dignidade. Isto apesar de ainda perdermos alguns minutos a sermos massacrados com F grande no World of Tanks.

Quando a bateria começa a fraquejar, temos ao nosso dispor a melhor gestão de bateria a seguir ao modo Stamina da Sony, com uma app bastante completa e útil que nos mostra bem o que está a gastar o quê onde poupar. E em última instância, o carregamento rápido através da UBS-C livra-nos de passarmos muito tempo abraçados a uma parede.

Conclusão

O Huawei P9 Plus é sem dúvida um smartphone topo de gama e mostra esse predicado a cada característica que revela.

Da construção com materiais de elevada qualidade, aos acabamentos irrepreensíveis, o Huawei P9 Plus exala prestígio e força. Só um design eventualmente brando o impede de arrebatar qualquer um incondicionalmente.

O software, esse, continua a ser um gosto adquirido e, olhando para alguns soluços na hora de jogos mais brutos, há ainda espaço para melhoria. Quanto ao autor, é na imagem que terá de se dar a maior melhoria, para preservar os detalhes mais refinados que a câmara tão bem capta.

Mas, sem muito bloatware e apps repetidas, o EMUI está melhor que nunca com o Android Marshmallow, e apresenta boas implementações que não detraem da excelente performance global do Huawei P9 Plus.

Esta combinação de materiais, design, prestações, inovação e diferenciação é não só rara, mas valiosa. O Huawei P9 Plus não cansa nem se cansa e promete continuar a satisfazer os mais difíceis utilizadores, não importa quanto tempo passe.

O Huawei P9 Plus é, de alto a baixo, um smartphone de eleição.

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