Review Huawei Mate 9: o mais importante smartphone da nossa vida

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O que torna um smartphone melhor ou pior? A resposta transcende os números em bruto do hardware e da performance ou do design. O melhor é aquele que mais se adapta às nossas necessidades como utilizadores ou profissionais, o que cumpre as nossas expectativas e nos permite fazer tudo o que um quotidiano activo requer, do lazer ao trabalho.

Nem sempre estas duas visões do melhor smartphone se encontram no mesmo dispositivo, mas quando isso acontece, esse equipamento não pode ser considerado nada menos de extraordinário.

Poucas marcas estão hoje em dia capacitadas para conjugar estes dois elementos num terminal, e a Huawei é uma delas. 2016 foi sem dúvida o ano da Huawei. Após um 2015 muito forte com Huawei P8 e Huawei P8 Lite a transformarem a marca Chinesa num nome altamente popular, a inovação e qualidade do Huawei P9 confirmou-a como capaz de estar no topo em termos de qualidade dos dispositivos e valor vs performance.

Huawei Nova e Nova Plus viriam a continuar a senda: dispositivos com construção em metal e altamente refinados que rapidamente apaixonaram o público. No entanto, nenhum destes dispositivos poderia rivalizar com a grande surpresa do início de Novembro, o Huawei Mate 9.

No mercado Português desde dia 21 de Novembro, o Huawei Mate 9 é – por diversos motivos – o mais capaz e fascinante terminal Android de 2016. Nem todos precisamos de um, mas aqueles utilizadores para quem o smartphone é uma ferramenta de trabalho descobrirão que tudo o que precisam está no Huawei Mate 9.

De nossa parte, já tivemos amplas oportunidades de analisar diversos pontos do dispositivo, desde uma análise às promessas do marketing da marca, aos pequenos segredos que não foram mencionados, passando pelos pontos principais ou pelas novas funcionalidades de uma interface renovada.

Mas ao fim de vários meses é preciso tirar o sumo disto tudo e explicar porque é que – para o autor e muitos outros – o Huawei Mate 9 pode não ser apenas o smartphone do ano, mas o mais importante smartphone que alguma vez possuímos.

Características principais

O Huawei Mate 9 é uma interessante mistura de inovação e conservadorismo, o que resulta num dispositivo menos arrojado que opções como o Xiaomi Mi MIX, mas inquestionavelmente mais funcional e prático de um ponto de vista do dia-a-dia.

A câmara Leica é um dos grandes destaques do Huawei Mate 9.

E o ponto onde o conservadorismo da Huawei se mantém é no ecrã que, apesar das generosas 5.9 polegadas, mantém a resolução FHD típica dos flagships Huawei de 2016, mesmo que algumas marcas concorrentes já tenham avançado para o 2K/QHD.

Se o ecrã é algo banal, por dentro encontramos o novíssimo HiSilicon Kirin 960, o mesmo processador que deverá equipar o Huawei P10 cujo lançamento está quase ao virar da esquina.

Trata-se do primeiro processador a chegar ao mercado com os núcleos Artemis ou ARM Cortex-A73, os núcleos por excelência dos melhores processadores de 2017. Os quatro núcleos A73 têm uma frequência máxima de 2.4GHz, algo inferior aos 2.5GHz do Kirin 955 com Cortex-A72, mas os A73 têm um foco totalmente diferente: se até agora os processadores eram pensados para disparos de performance máxima, os novos núcleos são pensados para performance sustentada.

Por outras palavras, o Kirin 960 pode ser marginalmente mais lento que processadores da geração anterior, mas consegue manter essa performance máxima durante mais tempo, -quando processadores concorrentes começariam a travar. Outro factor mantém o Kirin 960 numa performance superior à dos seus concorrentes: a memória RAM LPDDR4 a 1800MHz com 28.8GB/s de largura de banda. São características cerca de 30% superiores às do Kirin 955.

Finalmente, os 64GB de memória interna são do tipo UFS 2.1, actualmente o mais rápido padrão que podemos encontrar no mercado.

Do ponto de vista das ligações de rede, o Kirin 960 vem equipado com o melhor que poderíamos esperar num terminal móvel, incluindo o novo padrão Wi-Fi 802.11ac, que é capaz de atingir velocidades de recepção de dados na ordem dos 7Gbps, desde que tenhamos um router compatível com a tecnologia ao nosso dispor.

Como vem sendo regra na Huawei, o Mate 9 recorre a uma bandeja híbrida.

Encontramos ainda um departamento fotográfico francamente imbatível, com uma câmara monocromática de 20MP e uma câmara RGB de 12MP, ambas a trabalharem em conjunto, cortesia da Leica, com estabilização de imagem e capacidade para vídeo 4K. À frente, a câmara é de 8MP.

Para quem quer um smartphone onde praticamente nada falte, o Huawei Mate 9 tem ainda um emissor de infravermelhos em comum com o Huawei P9 Plus, e esta é uma característica ausente da esmagadora maioria dos smartphones, que continua a possuir uma utilidade bem maior do que possa ser o seu custo de integração num terminal.

Última característica de destaque é a bateria de 4000mAh de polímeros de lítio que vem com carregamento ultra-rápido e excelente gestão de bateria como veremos mais à frente.

  • Processador: Octa-core HiSilicon Kirin 960 (4 núcleos Cortex-A53 e 4 Cortex-A73 a 2.4GHz)
  • Memória: 4GB de RAM, 64GB de armazenamento interno
  • Ecrã: IPS LCD 5.5 polegadas Full HD (1080 x 1920)
  • Câmaras: 12MP+20MP monocromática com OIS, vídeo 4K, foco por laser e detecção de fases;
  • Câmara frontal: 8MP
  • Bateria: 4000mAh com carregamento rápido
  • Leitor de impressões digitais: sim
  • Emissor infravermelhos: sim
  • Rádio: não

 

Na caixa

A Huawei já nos habituou a embalagens altamente elegantes, e o Huawei Mate 9 não é excepção. A embalagem preta com letras douradas transpira as aspirações de topo do terminal.

Lá encontramos um carregador inteligente que será fundamental para a melhor performance da bateria. A Huawei foi bastante clara quanto à faculdade deste carregador se adaptar às necessidades do terminal para melhorar a eficácia do carregamento, desaconselhando por completo a utilização de carregadores normais.

Encontramos igualmente a expectável chave para desbloquear a gaveta híbrida para SIM/microSD e uma capa protectora minimalista. Ponto interessante na capa é o rebordo negro no recorte do flash, um pormenor muito bem pensado, já que os reflexos no plástico podem criar reflexos e prejudicar o flash, e muitas marcas não parecem pensar nestas pequenas coisas.

Finalmente encontramos os auriculares típicos da Huawei e será talvez uma pena que a Huawei não os tenha entretanto melhorado. São razoáveis com som forte e denso, mas com algumas carências em termos de isolamento do som externo.

 

Design e ergonomia

Tal como aconteceu com o Huawei Nova, o Huawei Mate 9 impressiona-nos pela excelente qualidade de construção e pelo design extremamente cuidado. A superfície em alumínio tem diversos níveis de acabamento, das margens em chanfra em metal polido à traseira com um acabamento anodizado e acetinado que faz maravilhas pela ergonomia do terminal, permitindo-nos segurá-lo com segurança e com pouca tendência a escorregar das mãos.

O Huawei Mate 9 possui construção soberba, com excelente integração de todos os elementos.

A face traseira algo abobadada contribui em muito para a suavidade do Huawei Mate 9 na -mão, sendo este um dispositivo que se sente como muito suave, apesar da sua solidez. De facto, graças a um design muito bem cuidado, o Mate 9 possui margens laterais mínimas e as margens longitudinais também não são exageradas, gerando dimensões bastante compactas para o segmento, pouco excedendo as de dispositivos com 5.5 polegadas de ecrã.

Que a Huawei tenha conseguido espremer uma bateria de 4000mAh num terminal com 7,9mm de espessura não é nada menos de excepcional.

Na base e no topo, tal como no Mate 8, encontramos os recortes para as antenas do dispositivo, com melhor integração tanto face ao Mate 8, quanto face ao Huawei 9.

Os componentes estão em pontos já padrão para a Huawei, com o jack áudio no topo, tal como o emissor infravermelhos, enquanto a lateral direita concentra as teclas de volume e bloqueio. O tabuleiro híbrido para dois cartões SIM ou um cartão SIM e um microSD encontra-se na lateral esquerda, enquanto porta USB-C e grelhas de altifalantes/microfone se concentram na base.

Na face traseira, a Huawei optou por colocar as duas câmaras principais numa carenagem alongada na vertical que acentua o look esguio do Huawei mate 9, com o leitor de impressões digitais logo abaixo. De um lado deste módulo encontramos o flash dual e do outro temos o emissor laser para o foco.

Ergonomicamente falando, o Huawei Mate 9 assenta perfeitamente na mão, graças às linhas de curvas subtis que não agridem o tacto. Graças às dimensões generosas do ecrã, os botões de volume e bloqueio talvez estejam demasiado acima para mãos pequenas, mas aqui as curvaturas voltam a ajudar todo o processo, mantendo uma boa preensão do terminal. Este não é um terminal grande para o tamanho de ecrã que oferece.

  • A reter: o Huawei Mate 9 é um dispositivo extremamente compacto e ergonómico para as dimensões de ecrã que oferece e para a potência da bateria que o equipa.

 

Ecrã

Como dissemos, o ecrã de resolução FHD com 5.9 polegadas não é particularmente excitante do ponto de vista da resolução. No entanto, é verdade que – tal como no Huawei P9 Plus – o que não possui em resolução, compensa em capacidades noutros sectores.

O ecrã do Mate 9 autoriza excelentes ângulos de visão, mesmo com elevada luz ambiente.

E precisamente porque falávamos do Huawei P9 Plus, é talvez estranho que a Huawei não tenha equipado o Mate 9 com um AMOLED, mas o IPS LCD que temos a bordo mostra excelentes características de brilho e contraste. A utilização no exterior é soberba, e dizemos isto com dois meses de utilização em praticamente todas as circunstâncias de luz ambiente.

Em termos de ecrã, o Huawei Mate 9 tem uma ampla gama de definições possíveis, a começar pelo modo de leitura, ou filtro de luz azul. Uma opção regular em smartphones actualmente, o modo de leitura reduz a luminosidade do ecrã e corta a luz azul de forma a não fatigar os olhos, nem perturbar os ritmos circadianos do cérebro. O Huawei Mate 9 permite-nos, no entanto, reduzir a temperatura do ecrã em modo de leitura, de forma a atenuar a tonalidade amarela algo doentia.

No modo normal de visualização também podemos ajustar de modo bastante refinado a temperatura da cor, em jeito de calibração do ecrã para vermos cores mais correctas.

Portanto, a performance geral do ecrã é excelente, e a responsividade ao toque sem mácula. Graças a ângulos de visão amplos, este é também um ecrã que nos permite ir ajustando a posição sem grande receio de degradação da imagem.

  • A reter: teríamos adorado um ecrã 2K OLED da qualidade do P9 Plus, mas o ecrã FHD do Mate 9 vai plenamente de encontro à sua vocação de elevada disponibilidade.

Software

Um dos melhores aspectos do Huawei Mate 9 é a ampla remodelação que levou a EMUI, chegando-se aqui à versão 5.0 baseada no Android Nougat. Para uma análise mais aprofundada às novas funcionalidades da EMUI 5.0.

Será importante apontar que se assiste aqui a um grande redesenhar de toda a interface, com animações elegantes e discretas e a predominância de tonalidades azul suaves, que acrescentam riqueza à interacção com o terminal e conferem um ar menos pesado a todo o grafismo, por comparação aos tons mais escuros de interfaces anteriores.

  • A funcionalidade e acessibilidade da EMUI 5.0

É interessante que a Huawei não tenha simplesmente mudado radicalmente a interface face à EMUI 4.1, baseada no Android Marshmallow, mas nos permita manter algumas das funcionalidades da versão anterior do sistema operativo. Assim – e por exemplo – quando optamos por não activar a gaveta de aplicações, deslizar o dedo para baixo no ecrã principal abre uma janela de busca onde podemos procurar apps e contactos.

A opção da gaveta de aplicações está finalmente disponível na EMUI 5.0.

Como anteriormente, a Huawei inclui um gestor do telefone que concentra diversas tarefas francamente fundamentais. Este gestor permite em teoria optimizar o terminal, mas inclui igualmente um quantificador de dados móveis, uma lista de intercepção que permite bloquear chamadas de números específicos ou mensagens com palavras-chave predeterminadas, um antivírus, gestor de bateria, de permissões, zona de descargas, bloqueio de aplicações ou ainda a opção que permite determinar quais apps se fecham quando o ecrã bloqueia, poupando assim bateria apreciavelmente.

Nem todas estas opções são totalmente fáceis de perceber à primeira vista. Por exemplo, sabem aquela esfera flutuante com as mensagens do Facebook Messenger? Se na zona de descargas o Messenger não estiver autorizado, o pop-up não aparece. Portanto, quando existam apps que subitamente não pareçam ter as suas notificações flutuantes activas, aqui é onde devem verificar se está tudo ok.

Algo enterrado nas definições, o separador Assistência inteligente esconde algumas opções muito úteis para um terminal que tem um ecrã generoso, por exemplo activação de “IU de uma mão”, que permite deslocar o ecrã para uma lateral, ou reduzir a porção activa do ecrã com um deslize nas teclas virtuais, absolutamente o mais fácil possível.

A activação vocal volta a estar disponível, autorizando a realização de chamadas por comandos vocais, ou a activação do dispositivo quando não sabemos onde o colocamos, algo que é francamente comum quando temos um ecrã preto que se mascara como um camaleão na mobília.

Ainda de grande destaque é a polivalência do leitor de impressões digitais. Em nossa opinião, a Huawei sempre foi pioneira nos leitores de impressões digitais multifunções e o presente no Huawei Mate 9 permite-nos não só desbloquear o terminal, como navegar na galeria, ou controlar as notificações: deslizar um qualquer dedo na vertical abre as notificações, enquanto um duplo toque no leitor as apaga.

Portanto, o Huawei Mate 9 possui amplas opções para quem quer um ecrã de grandes dimensões, sem perder a possibilidade de o utilizar apenas com uma mão, tanto mais que as teclas de navegação podem ser configuradas para incluir uma quarta tecla que servirá para mostrar as notificações.

O Mate 9 tem amplas possibilidades de utilização de uma só mão.

Complementarmente a Huawei continua a dar grande importância aos gestos com os nós dos dedos, mas aqui nem tudo é positivo e a utilização do nó do dedo para dividir o ecrã não é prática, nem exacta.

Do lado das redes sociais, para quem está a utilizar o smartphone em modo dual SIM, é possível duplicar apps como o Facebook e o WhatsApp, de modo a termos contas em paralelo a correr sem incómodo.

O software da EMUI 5.0 é francamente completo e estável. Não é um terminal alheio a bloqueios e tivemos alguns reboots involuntários, mas não consideraríamos este um smartphone propenso a bugs, e a elevada quantidade de personalizações que nos são oferecidas devem ser destacadas.

No entanto continuam a existir algumas omissões que nos parecem estranhas num software tão bem pensado. Falamos particularmente na facilidade com que a Huawei poderia ter desligado a luz de notificações que se mantém acesa durante o carregamento noturno, uma característica dos Huawei que tende a não mudar. Mas falamos igualmente na ausência da possibilidade de duplo toque para acordar o ecrã; é-nos dada a opção do ecrã acordar quando exista uma notificação, mas a nível profissional parece talvez mais útil ir mais além.

As notificações foram em qualquer caso um ponto em que o Mate 9 melhorou desde o seu lançamento, substituindo a mera quantificação pela exibição de ícones específicos às apps que possuem notificações.

Outro ponto que não pode deixar de ser realçado é que a continuidade das actualizações é um ponto fundamental que todos os utilizadores deveriam levar em consideração quando compram um smartphone. São estas actualizações que integram novas ideias, corrigem bugs (ou introduzem outros…) e mantêm o telemóvel protegido contra vulnerabilidades.

Neste campo podemos dizer que a Huawei tem sido célere nas actualizações mensais e não tem hesitado em melhorar o sistema. Pontos extras para a Huawei neste campo.

  • Modo Privado

Fiel ao seu foco empresarial, o Huawei Mate 9 introduz um espaço privado “secreto” e separado do espaço principal de utilização, que pode ser configurado a partir das Definições e Utilizadores.

Este espaço privado será acessível apenas com uma impressão digital específica a partir do ecrã de bloqueio, e poderemos colocar aí os aspectos mais importantes da nossa vida pessoal ou empresarial, sem receio de contágio ou acesso a partir do espaço principal. Se no espaço privado podemos aceder a notificações do utilizador principal, o inverso não é verdade, garantindo privacidade acrescida.

  • A reter: a EMUI 5.0 é a melhor de sempre num Huawei, oferecendo ampla capacidade de personalização e fluidez, apesar de algumas lacunas menores.

 

Performance

A performance do Huawei Mate 9 é irrepreensível a todos os níveis. Com 4GB de RAM LPDDR4 com elevada taxa de transferência de dados, um poderoso Kirin 960 e memórias UFS 2.1 capazes de velocidades recorde na escrita e leitura de dados, o Huawei Tem 9 todos os requisitos necessários para prestações elevadas em todos os quadrantes da vida quotidiana de um smartphone.

Os jogos correm com os gráficos no máximo sem qualquer sinal de abrandamento ou sobreaquecimento.

O sistema responde quase imediatamente e o comportamento das apps é praticamente instantâneo, dando-nos talvez a melhor aproximação ao smartphone ideal que retorque em tempo real a todas as solicitações. Efectivamente, o Huawei Mate 9 só raramente fica lento após períodos prolongados de utilização intensa. Um reiniciar da app em causa, e tudo volta ao normal.

Graças a esta combinação de conectividade avançada e memórias rápidas, um ponto onde o Huawei Mate 9 domina é mesmo nos downloads: as actualizações e apps são descarregadas a uma velocidade apreciavelmente maior do que encontraremos em dispositivos menos ambiciosos. E graças à excelente capacidade das memórias e do processador, o Mate 9 permite-nos estar a actualizar ou instalar apps enquanto continuamos a fazer a nossa vida normal, sem o sistema desacelerar pelo menos visivelmente.

O processamento gráfico é o melhor de qualquer Huawei, graças à nova gráfica ARM Mali-G71. A gráfica inaugura a arquitectura Bifrost e promete no papel uma ampla melhoria em termos de potência e eficiência energética face à T880. Na prática, o Huawei Mate 9 oferece-nos performance em jogos inatingível para qualquer outro dispositivo da marca e acima do que a maioria dos terminais é capaz de obter. Os benchmarks continuam a indicar que as Adreno nos Snapdragon 820 e 821 levam alguma vantagem, mas na utilização quotidiana, esta diferença pareceu-nos impossível de notar.

Não só os jogos carregam de modo mais rápido, como os gráficos são absolutamente incríveis. Se algo podíamos ter apontado ao Mate 8 era mesmo uma gráfica abaixo do topo que não autorizada gamers entusiastas, e quando chegamos ao Huawei P9 Plus, um dispositivo que fascinou sem reservas o autor, ainda havia pontos por resolver. Afinal, tomar a atitude arrojada de colocar World Of Tanks com os gráficos no máximo significava uma framerate diminuída e animações soluçantes quando toda a gente aparecia no ecrã aos tiros. Não é que os jogos se tornassem impossíveis de jogar, mas careciam sem dúvida da elegância de gráficos verdadeiramente fluídos.

Para o Huawei Mate 9 parece ser sumamente indiferente o nível a que colocamos os gráficos, mesmo nestes jogos em que tanto acontece dentro e fora do ecrã e inúmeras pequenas animações vão solicitando a gráfica. Com tudo no máximo, a fluidez mantém-se, os comandos reagem sem lag, e é preciso estar-se bastante tempo agarrado a um jogo para se notar qualquer tipo de aquecimento substancial.

  • A reter: O Mate 9 é um smartphone supersónico. Não parece haver nada que não faça rapidamente, e tudo o que faz rapidamente faz a dobrar se tiver que ser.

Câmara

A câmara do Huawei apresenta diversos modos de disparo, uns mais úteis que outros.

A fotografia é um dos pontos de maior destaque do Huawei Mate 9. As câmaras principais são duas unidades geminadas de 12MP e 20MP, esta última do tipo monocromático. São unidades muito completas, com abertura f/2.2, estabilização óptica de imagem, vídeo 4K, formato RAW, modo manual completo e zoom híbrido lossless. Em suma, têm tudo o que alguma vez pedimos numa câmara móvel.

Não existe nada que tenha mudado a postura do autor quanto à excelência desta câmara que lançou a parceria da Huawei com a Leica, mas o Mate 9 conseguiu superar de longe o P9.

No mercado actual, as câmaras dos smartphones medem-se em resolução e abertura, mas um ponto que não é geralmente destacado é o ângulo de visão. Uma característica fundamental da esmagadora maioria das câmaras de telemóvel é o expressivo ângulo de visão, equivalente a uma grande angular de 24mm, um pouco mais ou menos.

A par com este ângulo de visão, existe actualmente nos dispositivos móveis uma corrida às grandes aberturas, tal como houve em tempos uma corrida aos megapixéis. Os fabricantes são os primeiros a destacar uma câmara com grande abertura, e os utilizadores equacionam esse dado como um determinante na hora de obterem fotografias em baixa luminosidade.

A posição central da câmara torna-a menos propensa a ser tapada por dedos.

Neste sentido, a abertura de f/2.2 do Huawei Mate 9 foi amplamente criticada por ser menor que que a abertura de muitos dispositivos concorrentes. Mas no mundo da fotografia grandes aberturas aliadas a grandes ângulos de visão geram invariavelmente efeitos que os sensores pequenos dos telemóveis tendem a exacerbar: suavidade dos detalhes em direcção aos cantos e propensão para o fringing, a divisão do espectro RGB no plano focal, visível como franjas de cor em torno dos objectos.

Regra geral, são necessárias ópticas de elevada qualidade e desenhos ópticos extremamente complexos para esta combinação gerar resultados óptimos. Pensemos numa das melhores objectivas do mercado neste segmento, a Canon EF 24mm f/1.4 II USM: são 13 elementos em dez grupos para controlar as aberrações cromáticas e a degradação na qualidade causada pela incidência da luz em ângulos extremos.

Os fotógrafos compreendem perfeitamente estas limitações das grandes angulares “rápidas”, portanto os utilizadores de telemóveis farão bem o compreender igualmente. É que esta limitação explica fundamentalmente a opção da Leica por câmaras com menor abertura, em teoria mantendo maior preservação da qualidade de imagem do centro às margens.

E pode dar-se a esse luxo, visto que uma das câmaras é monocromática e, como já explicamos no caso do Huawei P9 Plus, sem o filtro RGB sobre os pixéis, a captação de luz é superior. Existe simplesmente mais luz a atingir o sensor sem necessitarmos arriscar a degradação de imagem devida a uma abertura mais expressiva, e com ambos os sensores a trocar informação, a exposição do sensor RGB pode ser ajustada e o ruído melhor eliminado.

Na opinião do autor, então, a abertura mais estreita do que é hoje moda, mais do que se justifica com os ganhos em termos de prevenção de vinhetagem e degradação dos pormenores fora do centro.

 

  • Interface

Tal como no caso do Huawei P9, a interface fotográfica do Huawei Mate 9 é-lhe específica e diferente dos restantes Huawei. Haverá com certeza aqui um dedo.

A interface manual ou “modo Pro” do Mate 9 não é nada menos do que fantástica.

Acima de tudo, é uma interface intuitiva e completa, que nos permite uma alteração rápida de parâmetros de disparo e que melhora em muito o que encontramos no Huawei P9 Plus. Isto porque quando abrimos app temos o fundamental, na forma do obturador numa extremidade, e na outra os filtros, flash, padrão de imagem e alternância com câmara frontal.

Ao deslizarmos o dedo a partir do lado direito ou esquerdo do ecrã, surgem-nos respectivamente as definições profundas da câmara, ou os modos de disparo extra. No caso do Huawei P9 Plus esta opção era algo incómoda porque não acompanhava a mudança de orientação do ecrã, o que aqui já acontece, portanto tudo está sempre na vertical, legível e a surgir dos mesmos quadrantes.

No lado dos modos de disparo temos 15 modos disponíveis, com a possibilidade de fazermos download de mais, embora a loja actualmente esteja limitada. Há que destacar aqui o modo monocromático, o modo HDR, câmara lenta, timelapse, panorama ou o “documentos”, que faz as vezes de um digitalizador. A opção tenta automaticamente endireitar a perspectiva, excelente para fotografar slides durante uma apresentação.

O brilhantismo vai todo para o modo monocromático, no entanto. Ao recorrer à câmara monocromática, o Mate 9 ganha estilo e resolução a um nível que nenhum outro smartphones consegue obter.

Do lado direito encontramos então as definições profundas que mostram bem quanto pensamento foi colocado nesta câmara, além dos usuais como a etiqueta GPS ou resolução, podemos activar aqui o modo RAW, a luz auxiliar para ajudar o foco em momentos de baixa luminosidade, grelhas e nível, activar o seguimento de objecto ou colocar um controlo de áudio no ecrã para as gravações vídeo. De destacar que o modo RAW apenas está activo quando fotografamos em modo Pro, o que faz sentido, mas ainda assim teria sido interessante se mesmo o modo automático contasse com a opção.

Como anteriormente, aceder ao modo Pro é tão simples quando um deslizar desde a zona do obturador, dando-nos acesso a um controlo tão completo quanto uma câmara regular, que permite alterar a fotometria (que área é avaliada para determinar a exposição), a sensibilidade ISO, exposição, compensação de exposição, tipo de foco (AF-S, AF-C ou manual) e equilíbrio dos brancos.

O modo Pro responde muito rapidamente e altera a previsão da imagem final em conformidade. Outros smartphones conseguem fazê-lo, mas poucos tão depressa.

 

  • Qualidade de imagem

O Huawei Mate 9 gera fotografias com tons expressivos e imenso detalhe. A gama dinâmica é soberba.

As câmaras do Huawei Mate 9 mostraram uma extraordinária captação de detalhe nas circunstâncias mais difíceis. Sem eliminar por completo os vícios de uma câmara grande angular sobre um sensor ínfimo, o Huawei Mate 9 mostra poucos pecados mortais quando começamos a olhar fora do centro, em direcção aos quatro cantos da imagem.

Em particular, a câmara monocromática gera imagens que não seriam possíveis num dispositivo móvel há menos de um ano, com detalhado irrepreensível. Se bem se lembram, o principal problema que apontamos ao Huawei P9 Plus era o tratamento demasiado agressivo dos jpeg face aos RAW. Este é um ponto onde o Mate 9 parece ter aprendido e optado por um processamento mais capaz de preservar a nitidez do monocromático.

Quando a luz falta, seria de esperar que a abertura de f/2.2 mostrasse fraquezas óbvias, apesar de toda a nossa dialética nas linhas anteriores. Não poderíamos estar mais longe da verdade e o Mate 9 seria neste momento o único smartphone com o qual fotografaríamos a ISO3200 sem qualquer reserva. Se em RAW o ruído é avassalador, há que dizer que a sua eliminação é a melhor que alguma vez vimos num smartphone: não só as cores permanecem vivas, como as texturas são em grande parte preservadas com mestria. Aqui, apenas o foco começa a ter alguns problemas e o melhor será usar a luz auxiliar, onde possível.

Numa comparação lado a lado, o Huawei Mate 9 dá-nos tendencialmente imagens mais escuras que alguma da sua concorrência com câmaras de maior abertura, mas é aqui que entra o modo profissional, que nos permite obter resultados equivalentes e deixar os algoritmos tratar do resto.

A possibilidade de sacarmos os ficheiros RAW para tratamento em Snapseed ou Lightroom é uma mais-valia incontornável para os entusiastas da fotografia.

O zoom é excepcional na preservação de detalhe e a câmara monocromática praticamente não mostra artefactos significativos.

Nestas circunstâncias, ao longo dos dois últimos meses aprendemos que com o Mate 9 vale a pena pensar a fotografia e tirá-la com brio e paixão. Mesmo nas circunstâncias mais difíceis, sabemos simplesmente que com algum esforço vamos conseguir “aquela” fotografia e o Mate 9 consegue fotografar praticamente tudo na maioria das circunstâncias. O cabelo, esse, parece ser a única fraqueza do terminal; a diferenciação de cada filamento parece-nos ainda aquém do que obtemos em dispositivos como o Samsung Galaxy S7 ou o LG G5.

A contribuir em muito para a polivalência das câmaras principais está o zoom “híbrido”, essencialmente uma extrapolação dos dados do sensor de 12MP no sensor de 24MP. De modo simples, ao projectar os 12MP do sensor mais pequeno no sensor de 24MP obtém-se o equivalente a um zoom 2X, que só está disponível a cores na resolução de 12MP. O zoom vai na verdade até 10X via interpolação digital e a Huawei consegue resultados excepcionais, praticamente sem degradação de detalhe em qualquer nível de zoom. Na verdade, com este nível de zoom é a firmeza da mão do utilizador que mais facilmente estraga o resultado.

Tal como o Huawei P9 Plus, o Huawei Mate 9 é um smartphone que pensa a sério nos fotógrafos entusiastas e permite-lhes fazer fotografias com um nível de ponderação e resultados que não estão ao alcance da maioria dos smartphones no mercado.

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  • A reter: em praticamente qualquer situação, as câmaras do Huawei Mate 9 não oferecem apenas bons resultados, mas têm o potencial para resultados excepcionais. A câmara monocromática é especialmente genial, com detalhe apreciável e um mínimo de artefactos criados em condições complexas.

 

 

Áudio

Outro ponto alto do Huawei P9 está no áudio e até fica difícil percebermos porque é que a Huawei não se gaba mais deste aspecto nos seus terminais de topo.

Tal como no caso do Huawei P9 Plus, o Mate 9 implementa um sistema muito inteligente de áudio estéreo em alta voz quando o colocamos em modo paisagem, activando um altifalante para os graves e outro para os agudos, gerando das melhores experiências áudio que alguma vez ouvimos num smartphones.

O volume é denso e francamente potente. Quando alguém nos telefona, um supermercado inteiro vira a cabeça, e traduzindo isto para jogos ou uma jornada no Netflix, o som é excelente e imersivo, sem necessidade real de auscultadores para uma audição que pode bem ser a melhor que alguma vez ouvimos num smartphone. O volume é certamente colossal, mas a texturização autorizada pela separação dos canais áudio supera mesmo a potência pura do Marshall London.

Via auscultador, o som mantém-se muito razoável e, em conjunto com um bom par de auscultadores ou auriculares, o Huawei Mate 9 é uma opção muito boa para os amantes de música, com tecnologia da DTS. Falta-lhe talvez o APTX via Bluetooth, ou outras tecnologias de melhoria da qualidade de som. Pessoalmente, o autor sente falta de um equalizador emparelhado com o chip do terminal, para maior maleabilidade sonora.

A telefonia é excelente e realçamos aqui o cancelamento de ruído que permite fazer chamadas com som irrepreensível em condições extremamente ruidosas. Ao longo destes meses utilizamos pelo menos seis auscultadores e auriculares diferentes, e nenhum supera o próprio Mate 9 neste aspecto.

  • A reter: o áudio do Mate 9 é de topo em alguns aspectos, mas o terminal peca por não oferecer valor acrescentado para os verdadeiros fãs de áudio. Os altifalantes estéreo são, no entanto, fascinantes.

 

Bateria

Colossal. Não imagino como poderia haver qualquer tipo de crítica neste ponto, visto ser excepcionalmente raro encontrarmos esta combinação de bateria generosa, hardware potente e dimensões compactas. Que a Huawei tenha conseguido espremer esta bateria dentro de um dispositivo de 7,9mm não é nada menos que uma proeza.

Em termos de duração, os 4000mAh foram uma bênção desde o início. Face a outros flagships que experimentamos ao longo de 2016, o Huawei Mate 9 simplesmente aguenta mais tempo em utilização intensa. Mais do que difícil, é quase impossível para a maioria dos dispositivos de gama alta actualmente no mercado aguentarem o tipo de utilização intensa e agressiva para a bateria que o autor dá ao seu Mate 9 durante todo o dia.

Ao final do dia chegamos a casa com bateria ainda de sobra e só em dias absolutamente extraordinários e anormais nos vimos forçados a ligar o terminal à corrente a meio do dia, e mais por precaução que por necessidade.

Ao fim de semana, quando recorremos menos à pesada rede de dados, a duração de dois dias prometida pela Huawei é mais do que plausível.

Ora porquanto a bateria de 4000mAh dure admiravelmente face a um hardware extremamente potente, ainda mais interessante é o carregamento rápido e a capacidade para nos devolver uma carga completa em uma hora (ou pouco mais se o dispositivo continua em funcionamento). Em momento algum o Huawei Mate 9 aquece significativamente enquanto carrega estes 4000mAh a uma velocidade inaudita.

O que isto significa na prática é que num momento de aflição conseguimos uma recarga substancial com tão pouco quanto 15 minutos.

Em caso de dificuldades podemos igualmente contar com o gestor de bateria da Huawei que, além de activar o modo de ultrapoupança, permite controlo fino sobre apps em segundo plano e outras funções, incluindo a possibilidade de reduzir a resolução para poupar ainda mais a bateria.

Inversamente, a Huawei continua algo conservadora nos avisos de consumo de bateria e tende a emitir avisos sobre aplicações a gastar demasiada bateria que, na maior parte dos casos poderão bem ser ignorados.

  • A reter: a bateria do Huawei Mate 9 é um colosso, ajudada por excelente gestão energética, criando um dispositivo que não compromete em potência para se manter em acção o dia todo e estar lá quando é mais importante.

 

 

Conclusão

Costuma-se dizer que o todo é mais do que a soma de todas as suas partes e em nenhum caso isso é mais verdade que no caso do Huawei Mate 9.

Este não é um terminal sem omissões ou plenamente sem pecados, mas o seu equilíbrio e polivalência é nivelado por cima. Neste momento, é o melhor que o dinheiro pode comprar.

Em muitos aspectos, o Huawei Mate 9 é uma obra de arte electrónica.

Para os utilizadores intensivos, esta combinação insuperável de potência, taxa de disponibilidade e ecrã de dimensões generosas significa níveis de produtividade verdadeiramente inatingíveis pela maioria dos smartphones actualmente no mercado. Esta apreciação é baseada em milhares de horas de utilização do Mate 9, dezenas de artigos lidos por dia, e mais de 150 artigos escritos para a Leak.

Sim! Por extraordinário que pareça, o autor ultrapassou a barreira dos 150 artigos compostos para a Leak com o Huawei Mate 9 algures no final de Dezembro. É um número recorde de textos por hora de utilização de um terminal móvel que não pode ser dissociado da capacidade do Huawei Mate 9 para nos fornecer as ferramentas de que necessitamos, quando necessitamos delas. A tarefa árdua de investigar, compor, publicar, tornou-se muito mais fácil durante momentos de ócio, de espera no trânsito ou no intervalo para o café matinal, e tornou-se igualmente mais rápida e mais cómoda.

A capacidade de processamento do Huawei Mate 9 garante que todas as envolventes de um trabalho complexo são de mais rápida concretização, sem delongas ou soluços e não temos nunca aquela sensação de que estamos a escrever fundamentalmente mais depressa que o teclado.

São características que tornam o Huawei Mate 9 um smartphone imprescindível para quem utiliza o seu smartphone para literalmente tudo. Não apenas para jogos, para trabalho ou para socializar, mas para tudo. Poder fazer qualquer tarefa, em qualquer momento, com uma ligação rápida, uma bateria que não nos desaparece sob os pés, com uma interface que parece voar é o tipo possibilidade que transforma um telemóvel numa peça fundamental da nossa vida e produtividade.

Nas deslocações e passeios, ter o Mate 9 no bolso significa que podemos sempre tirar uns minutos para aquela imagem que nos capta o olho fotográfico, sem termos de andar com uma câmara excepto quando o trabalho é mesmo fotográfico. Aliás, os passeios fotográficos com o Huawei Mate 9 são algo que fazemos e queremos fazer, porque sabemos que os resultados vão estar lá.

O Huawei Mate 9 junta as características de instrumento de trabalho do Mate 8 com o foco na performance do Huawei P9, e com isso cria um dispositivo que não tem simplesmente concorrência. Como tal, o Mate 9 acaba por marcar a sua presença em praticamente todas as envolventes da nossa vida, da família ao trabalho. O resultado líquido é só este: o Huawei Mate 9 poder ser o smartphone mais importante da sua vida.

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