A febre dos carros elétricos continua a dar que falar, mas a verdade nua e crua é que muitas marcas andam a inventar a roda a cada três anos e a lançar modelos completamente novos só para parecer que estão na vanguarda. Por sua vez, a Renault decidiu seguir um caminho bem mais inteligente, e mais simples, com a nova renovação do Megane.
Naquilo que é uma estratégia interessante, e importante, porque o primeiro Megane falhou em convencer o público. Até porque, à primeira vista, o carro mudou pouco. Visualmente vai ser muito complicado distinguir o novo modelo daquele que já conhecemos. Mas, quando começamos a escavar o que está por baixo do capô e do chão da plataforma, percebe-se rapidamente que algumas coisas mudaram, e muito bem.
Renault “refrescou” o Megane elétrico. Mas… O que mudou?

O adeus ao cobalto e as novas baterias feitas na Europa!
A grande novidade da Renault foi mandar as antigas baterias NMC (Níquel, Manganês e Cobalto) para a reforma e estrear um novo pack de baterias LFP (Fosfato de Ferro-Lítio) de 67 kWh, fornecido pela LG e fabricado mesmo aqui ao lado, na Polónia.
Esta mudança para a tecnologia LFP é muito importante, e pode até ser crucial! Afinal, são baterias muito mais baratas de produzir, não dependem de materiais caros e poluentes como o Cobalto e, melhor de tudo, são infinitamente mais resistentes à degradação ao longo dos anos.
Sim, é verdade que esta bateria atirou mais 100 kg para cima da balança, o que beliscou ligeiramente a eficiência energética do carro, mas a Renault compensou isso com o carregamento. Afinal de contas, o Megane aceita agora picos de 165 kW de potência nas estações ultrarrápidas, o que significa que consegues despachar uma carga dos 15% aos 80% em apenas 24 minutos.
Além disto, e para ajudar à festa da autonomia, a bomba de calor passa finalmente a ser equipamento de série e o carro ganha a condução a um pedal com quatro níveis de regeneração ajustáveis nas patilhas do volante.
Motores sem terras raras. E claro, o ecossistema da Google

Dito tudo isto, no motor a Renault (a par da BMW) continua a dar uma lição à indústria ao manter os seus motores elétricos síncronos de excitação externa (EESM), que não utilizam terras raras na sua construção. A tração continua a ser dianteira, entregando 218 cv que despacham o arranque dos 0 aos 100 km/h em 7,6 segundos. Sim, perdeu um décimo de segundo face ao modelo antigo. Isto, por causa do peso extra da bateria, mas, a realidade é que na estrada ninguém vai notar a diferença.
Por fim, lá dentro, a marca francesa não inventou e manteve o excelente sistema de infoentretenimento baseado em Google Automotive. Oferecendo ainda 2 GB de dados gratuitos por mês durante os primeiros três anos. Mas, como o objetivo é subir a fasquia, o Megane só vai ser vendido nas versões mais artilhadas (Techno e Esprit Alpine). Trazendo mimos como condução autónoma de Nível 2 e bancos com massagens.
Conclusão
No fim do dia, a Renault prova que não era preciso deitar o Megane original para o lixo e começar do zero. Bastou afinar as especificações certas, trocar a química da bateria para algo mais durável e corrigir as falhas do passado.
Agora resta saber se isto chega para convencer… Ou não.






