Se acompanhas o mundo automóvel, sabes perfeitamente que a grande conversa dos últimos anos gira quase sempre à volta dos elétricos e dos híbridos. Na realidade, parece que a indústria se esqueceu de que existem outras alternativas para tentar poupar. Mas, a Renault decidiu remar contra a maré e reforçar fortemente uma aposta que muitos julgavam ultrapassada: o GPL (Gás de Petróleo Liquefeito).
Afinal, a marca francesa acaba de meter novos motores a GPL no conhecido Clio e no recente Symbioz, prometendo uma autonomia combinada absurda que pode chegar aos 1500 km. Algo muito interessante, porque a infraestrutura em Portugal está num nível que poucos imaginam. Por isso, acaba por ser uma alternativa que pode mudar o jogo para muito boa gente.
Dito tudo isto, o grande argumento da Renault é muito simples: colocar carros económicos no mercado por valores abaixo da barreira dos 30 mil euros. Mas, o complicado aqui é deitar por terra todos os mitos que ainda pairam por cima do GPL.
A tecnologia avançou, melhorou muito, mas a história é ainda muito recente.
Esquece os mitos dos parques subterrâneos. Isso já não existe.

Se formos mesmo muito honestos, quando se fala em GPL em Portugal, a maioria das pessoas, e nem são apenas as mais velhas, pensa logo naqueles dísticos azuis horrorosos colados na traseira do carro e na proibição de estacionar em parques subterrâneos. A verdade é que a lei mudou há anos. Hoje em dia, os sistemas são ultra-seguros, trazem válvulas de segurança avançadas e qualquer carro a GPL moderno estaciona em qualquer lado, exatamente como um modelo a gasolina.
De facto, as motorizações híbridas atuais em nada estão relacionadas com as antigas. Até porque são instaladas de origem, para motores feitos já a pensar naquilo. Antigamente eram adaptações feitas em oficinas que nem sempre era super profissionais no que faziam.
Dito tudo isto, com os novos grupos propulsores instalados no Clio e no Symbioz, a Renault consegue criar uma espécie de “híbrido”. Tens um depósito de gasolina e outro de gás. Quando o gás acaba, o motor passa para a gasolina de forma totalmente impercetível para quem vai a conduzir. Além disso, ao juntares a capacidade dos dois depósitos, consegues fazer viagens longas sem teres de parar de 300 em 300 quilómetros para abastecer ou para esperar que uma bateria carregue.
Além da poupança, ficas com 1500 quilómetros de autonomia, o que é… Qualquer coisa.
Uma alternativa realista por menos de 30 mil euros. Nós já conduzimos ambos!

Numa altura em que qualquer elétrico minimamente decente continua a tocar em valores proibitivos para a classe média, a jogada da Renault com o Clio e o Symbioz faz todo o sentido.
Manter o preço de tabela abaixo dos 30 mil euros coloca estes modelos numa posição muito confortável para as famílias que precisam de trocar de carro. Mas, claro, não têm orçamento para instalar uma box na garagem do prédio ou não querem viver dependentes da rede pública de carregamentos Postos de Carregamento de Veículos Elétricos (PCVE).
Dito tudo isto, tivemos a oportunidade de testar tanto o Clio como o Symbioz, e são o mesmo exato carro que já conhecíamos, agora a GPL. Ou seja, produtos muito refinados, com um design arrojado, conectividade de topo com Google à mistura, e claro, todas as ajuas que a Renault tem vindo a trazer para cima da mesa.

O único problema pode estar na bagageira, que fica limitada pelo facto de existirem dois depósitos de combustível (Gasolina e GPL), com o Clio a ficar pelos 390L, enquanto o Symbioz vai até uns muito interessantes 610L.
De facto, o Clio até aparece numa versão mais equipada, com caixa automática EDC, algo extremamente raro até aqui quando se fala deste tipo de combustível.
Preços?
A estrutura de preços para o mercado português começa com o Symbioz ECO-G 120 na versão Evolution com um preço de 28.140€. Isto enquanto a versão Techno situa-se nos 30.140€. Por sua vez, o novo Clio ECO-G 120 EDC começa nos 23.490€ para a versão Evolution. Sobe para os 25.190€ na versão Techno. E claro, chega aos 26.890€ na mais equipada versão Esprit Alpine.
Agora, falta ver se o público português vai olhar para estes novos blocos com olhos de ver ou se vai continuar a preferir os tradicionais motores a gasóleo usados ou os novos micro-híbridos. A Renault fez a sua jogada de mestre para quem quer poupar no imediato, sem precisar de mudar de hábitos de condução.
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