Depois do famoso Renaulution, o Grupo Renault revelou um novo plano estratégico para os próximos anos e promete uma verdadeira ofensiva de produto. Afinal de contas, o objetivo passa por lançar 36 novos modelos até 2030, reforçando a presença global da marca e respondendo à pressão crescente da concorrência, sobretudo vinda da China.
O plano chama-se futuREady e surge como evolução do programa Renaulution apresentado em 2021. A nova estratégia foi apresentada em Paris e pretende reposicionar o grupo francês como uma referência global na indústria automóvel.
Nova liderança, nova estratégia
Desde julho do ano passado que o Grupo Renault tem um novo líder. François Provost assumiu o cargo de diretor-executivo depois da saída de Luca de Meo, e desde então já começou a mudar algumas decisões estratégicas da administração anterior.
Entre essas mudanças está a reintegração da divisão Ampere, dedicada aos veículos elétricos, novamente dentro da estrutura principal do grupo. Também alguns projetos ligados à mobilidade, como certas iniciativas da Mobilize, foram descontinuados para reduzir custos e simplificar operações.
O objetivo passa por tornar o grupo mais eficiente e mais competitivo num mercado cada vez mais agressivo.
36 novos modelos até 2030
O novo plano estratégico assenta em quatro pilares principais: crescimento, tecnologia, excelência e confiança.
No capítulo do crescimento, a aposta passa por acelerar o lançamento de novos veículos.
Ao todo, o Grupo Renault pretende lançar 36 novos modelos até 2030:
- 22 novos modelos na Europa
- 16 desses modelos serão totalmente elétricos
- 14 novos modelos para mercados internacionais
A marca Renault continua focada na Europa, com 12 novos modelos previstos. Mas também quer crescer fora do continente. A meta passa por chegar às duas milhões de unidades vendidas por ano.
Ao mesmo tempo, a marca quer garantir que até 2030 100% das vendas na Europa serão eletrificadas, ou seja, veículos elétricos ou híbridos.
Dacia continua focada no preço
Enquanto a Renault reforça a eletrificação e a presença global, a Dacia continuará focada naquilo que sempre fez melhor: oferecer carros mais acessíveis.
Mas isso não significa ficar parada no tempo.
A marca romena pretende que dois terços das suas vendas sejam eletrificadas até 2030 e anunciou o lançamento de quatro novos modelos elétricos. Ao mesmo tempo, continuará a apostar em soluções como o GPL e pretende reforçar presença no segmento C, com modelos como o Bigster e futuros lançamentos.
Alpine continua a crescer no mundo elétrico
Já a Alpine vai continuar a expandir a sua gama com novos modelos elétricos desportivos.
Entre os projetos está a próxima geração do A110 elétrico, pensada para manter o ADN desportivo da marca ao mesmo tempo que atrai novos clientes.
Mesmo assim, a Renault não quer abandonar completamente os motores de combustão, sobretudo em mercados fora da Europa.
Como afirmou François Provost durante a apresentação:
“Juntos, através do futuREady, iremos mostrar que estamos aqui para ficar e que nos tornaremos uma referência para a indústria automóvel europeia no cenário global.”
Nova plataforma elétrica com até 750 km de autonomia
Do ponto de vista tecnológico, a grande novidade será a nova plataforma elétrica RGEV Medium 2.0. Esta arquitetura foi pensada para vários segmentos, do B+ ao D, e permitirá criar diferentes tipos de veículos como berlinas, SUV ou MPV.
Entre as características mais importantes estão:
- arquitetura elétrica de 800 V para carregamentos ultrarrápidos
- autonomia até 750 km no ciclo WLTP
- possibilidade de chegar a 1400 km com extensores de autonomia
A nova plataforma será desenvolvida principalmente em França e deverá permitir reduzir os custos de produção dos elétricos em cerca de 40% face à geração atual.
Carros definidos por software e inteligência artificial
Os novos modelos também chegam como veículos definidos por software. A Renault afirma que até 90% das funções do carro podem ser atualizadas remotamente, numa abordagem cada vez mais semelhante à que podemos ver num smartphone ou computador. Uma arquitetura desenvolvida em parceria com a Google, que deve evoluir no futuro para sistemas definidos por inteligência artificial.
Além disso, o grupo também está a desenvolver uma nova geração de motor elétrico sem utilização de terras raras. Este motor terá:
- 275 cv de potência
- eficiência de 93% em autoestrada
- custos 20% mais baixos
A tecnologia híbrida E-Tech também continuará a evoluir e deverá manter-se no catálogo mesmo depois de 2030.
Produção mais rápida e mais barata!
Outro dos objetivos do plano futuREady é reduzir o tempo de desenvolvimento de novos carros.
A meta é passar de ciclos de 3 a 4 anos para apenas 2 anos. A Renault diz que já conseguiu algo próximo disso com o novo Twingo, graças à colaboração com centros de desenvolvimento na China.
Parcerias são para continuar
Por fim, o Grupo Renault quer reforçar as suas alianças estratégicas. A parceria com Nissan e Mitsubishi continua a ser um dos pilares da estratégia. Mas existem também novas colaborações com empresas como a Geely, especialmente na Coreia do Sul.
Ao mesmo tempo, o grupo pretende produzir veículos para outras marcas. Segundo a Renault, estamos a falar de mais de 300 mil veículos para parceiros como Nissan, Mitsubishi, Volvo Group e Ford,











