Se por acaso acompanhas a Leak, já deves ter percebido que tive o prazer de conduzir o Renault Clio de 6ª geração cinco ou seis vezes, isto porque fui ao lançamento mundial, ao nacional, e entretanto já conduzi todas as versões disponíveis no nosso mercado. Aliás, até já conduzi a versão GPL que ainda não chegou cá de forma oficial.
Sendo exatamente por isso que não vou escrever um ensaio normal. Já escrevi muito texto acerca deste carro, e acho que a ideia está mais do que passada. Conclusão? É um automóvel muito interessante, que mostra muito daquilo que a Renault andou a fazer ao longo destes últimos anos.
Renault Clio VI: É o Clio menos Clio de sempre! (Opinião)
Um Clio completamente diferente e até anti-natura? É a imagem da Nova Renault, e na minha opinião, ainda bem que assim é.
Sim, é verdade que muito boa gente vai apontar para o Renault 5 como a imagem da fabricante francesa nos tempos que correm. Mas, se quisermos ir um bocadinho mais longe, o Clio não é menos bandeira que o icónico elétrico compacto que tem vindo a fazer as delícias dos fãs dos eletrões.
Afinal de contas, o Clio era o carro que mais vendia na Europa, mas, mesmo assim, a Renault decidiu mudar… Bem… Quase tudo. Na minha opinião, e como já disse várias vezes, inclusive até ao diretor de design do automóvel (que não gostou muito da minha opinião ali tão a seco), este é o Clio menos Clio de sempre.
Acredito que muito boa gente vai ver o novo Clio a circular, e pura e simplesmente não o vai reconhecer. Mas isso não tem de ser uma coisa má.
Sim, é algo que pode parecer negativo, sendo exatamente por isso que tive medo de ser “corrido” do evento. Mas, que no fim do dia, não é bom, nem é mau. É o que é. Visualmente, gosto do carro. Mas também conheço muito boa gente que não morre de amores pelas novas linhas. O que acaba por ser completamente natural. Este é um carro muito diferente visualmente, que parece querer ser mais do que aquilo que sempre foi ao longo de todos estes anos.
Fica a ideia que há um “adeus” ao passado.
O Clio de “antigamente” sempre foi um compacto de confiança, com um grande foco na relação qualidade-preço. Sendo exatamente por isso que sempre foi um sucesso inegável. Mas agora é um compacto que quer ser um bocadinho disso, mas também quer ser bonito, estiloso e cheio de tecnologia.
Porquê?
Os tempos mudaram, e apesar de todo o sucesso, a Renault “sentiu” que tinha de se antecipar.
Por isso, o novo Clio aparece com um design bastante mais moderno e “estiloso”, mais tecnologia, e também mais eletrificação. Aliás, acredito que o grande foco da equipa responsável pelo projeto era que o Clio Full Hybrid fosse “o derradeiro Clio”.
Essa versão resulta num carro ágil, estável, com bom desempenho, e acima de tudo muito apontadinho para quem se quer divertir. É, na minha opinião, o melhor Clio VI que o mercado tem para oferecer. Mas, como disse no pequeno vídeo de introdução, este Clio é também aquele que pouco ou nada vai vender por cá. (Falei mais sobre isso no artigo em baixo).
Para resumir a coisa, estamos a falar de um automóvel que usa uma motorização Full Hybrid baseada num motor 1.8L a gasolina. Por isso, e como os impostos por cá podem ser muita coisa, mas quase nunca têm de fazer sentido, apesar de os números provarem que este motor é muito menos poluente e mais eficiente do que muitas motorizações mais pequenas, o ISV eleva o preço para muito perto dos 29 mil euros.

As versões que vão realmente encher as estradas portuguesas
A verdade é que em Portugal o mercado vive de racionalidade. E é aí que entram as motorizações mais acessíveis a gasolina e, claro, a incontornável versão Bi-Fuel (GPL), que continua a ser uma autêntica galinha dos ovos de ouro para a marca em solo nacional.
E o carro? Bem, a posição de condução melhorou, o isolamento acústico deu um salto qualitativo evidente e o sistema de infoentretenimento baseado no ecossistema Google é, sem margem para dúvidas, o melhor do segmento.
No fim do dia, já não estás a comprar apenas um utilitário para ir de A a B. Estás a comprar um carro com presença, tecnologia de topo e um comportamento dinâmico que o aproxima do segmento acima.
Vale a pena a mudança radical?
A Renault arriscou forte e feio ao alterar a fórmula de um dos modelos mais vendidos da história do automobilismo europeu. Tinha tudo para dar errado se tivessem facilitado nos detalhes, mas a verdade é que o resultado final é um produto maduro, confiante e extremamente bem construído.
O novo Clio pode ser o “menos Clio de sempre” no aspeto e na filosofia visual, mas é, sem sombra de dúvida, o melhor produto que a Renault já colocou nesta gama.
O que achas desta nova linguagem de design e da aposta da Renault para o novo Clio? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







