O Renault 4 é um carro icónico que ganhou uma nova vida na era elétrica, mas, caso não saibas, o mítico teto de lona francês está de volta. Basicamente, o Renault 4 dá as boas-vindas a uma nova versão Plein Sud, que junta nostalgia e eletrões no mesmo exato pacote.
Eu vou ser muito honesto. Não sou o maior fã do Renault 4. O que é muito curioso, porque adoro o Renault 5. Curioso porquê? Simples, a base é exatamente a mesma. Mas, claro, o Renault 4 acaba por ser mais pesado, devido às dimensões um pouco superiores. Além disso, é também um carro mais focado no conforto, e não tanto na diversão atrás do volante.
Mas posso dizer que gostei muito de testar a versão Plein Sud. Acho que está superior à versão lançada há alguns meses. Provavelmente porque ganhou ainda mais alma dentro do lado da nostalgia.
Renault 4 Plein Sud. Já andámos com o novo descapotável, e contra as minhas expetativas… Gostei!
Apesar de não ser fácil replicar o sucesso do R5, a Renault continua empenhada em explorar o filão da nostalgia para conquistar o mercado dos elétricos.
Assim, depois de ter revelado o muito aguardado Renault 4 E-Tech, a marca francesa decidiu ir um passo mais longe e apresentou a versão especial Plein Sud. O nome, que se traduz livremente como “sob o sol pleno”, não foi escolhido ao acaso. Afinal, esta variante vai buscar um dos elementos mais carismáticos e descontraídos dos automóveis franceses de outrora. Estamos a falar do enorme teto retrátil em lona.
Ou seja, isto não é um descapotável normal. É uma alternativa focada no estilo de vida e na emoção. É um semi-descapotável que tenta trazer mais alguma diversão para cima da mesa.
O grande protagonista do Renault 4 Plein Sud é, sem qualquer dúvida, o teto de tecido preto com acionamento totalmente elétrico.
Ao contrário de um teto de abrir panorâmico convencional em vidro, este sistema cria uma abertura massiva com cerca de 92 centímetros de comprimento por 80 centímetros de largura. Quando recolhido, grande parte do habitáculo fica exposta ao exterior, recriando a sensação de liberdade dos pequenos carros de verão das décadas de 1960 e 1970.
O que muda no carro para arranjar espaço para o extra?
Para integrar este mecanismo sem estragar as linhas do carro, a Renault foi obrigada a eliminar as barras de tejadilho longitudinais que encontramos no modelo convencional e a deslocar a antena para a secção traseira. Curiosamente, o resultado é uma silhueta muito mais limpa e fluida. Com a cor certa, é um carro que ganha uma outra beleza, e ainda bem que assim é, porque sempre fiquei com a ideia de que esta “parte” ficou para trás.
Ainda assim, de resto, a estética neo-retro mantém-se fiel ao projeto original: os faróis circulares em LED, a grelha frontal iluminada e as formas retangulares que piscam o olho à icónica “4L” de 1961.
Entretanto, no interior, a modernidade dita as regras com o conhecido sistema OpenR Link desenvolvido em parceria com a Google, que junta o painel de instrumentos digital e o ecrã multimédia numa única superfície.
Como estamos de performance?
No plano mecânico, a Renault associou a versão Plein Sud exclusivamente à motorização mais ambiciosa da gama.
Isto significa que debaixo do capô encontramos o motor elétrico de 150 cv, alimentado por uma bateria de 52 kWh.
Esta combinação garante uma autonomia homologada que ronda os 400 quilómetros em ciclo WLTP, contando ainda com suporte para carregamento rápido em corrente contínua (DC) capaz de repor a maior parte da energia em cerca de 30 minutos.
O que significa isto na condução? Bem, é um carrinho que continua mole, porque é mais focado na família. Mas que, ainda assim, é capaz de passar uma boa dose de emoção se de facto quiseres ser exigente.
Fizemos vários percursos interessantes, e até off-road. O R4 cumpriu SEMPRE. Posso dizer que saí de lá com um sorriso no rosto.
Preço?
Na Europa, esta variante chega ao mercado com um agravamento de aproximadamente 2.000 euros face à versão equivalente com tejadilho rígido. No fim do dia, é o custo a pagar por um automóvel que, mais do que transportar pessoas de um ponto A a um ponto B, tenta devolver alguma alma e diversão à condução na era da eletrificação.
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