Chega uma mensagem de uma entidade qualquer: tens uma dívida pequena, um prazo apertado e uma referência Multibanco para pagar já. Como o valor é baixo e o aviso parece oficial, muita gente paga sem pensar. A PSP alertou no fim de agosto para o aumento deste tipo de esquema, e vale a pena saber como o reconhecer.
Como funciona a burla da referência Multibanco
Segundo a PSP, os criminosos fazem-se passar por entidades legítimas e seguem uma sequência quase sempre igual: enviam uma mensagem em nome de uma determinada entidade, apresentam um montante reduzido, definem um prazo curto (do género “tem 5 dias”) e disponibilizam uma referência Multibanco para o pagamento.

O método pode chegar por SMS ou por e-mail, mas também por chamada telefónica. O valor pequeno é de propósito: ninguém quer perder tempo a contestar uma dívida de poucos euros, e é por isso que muitas vítimas pagam primeiro e só depois percebem que não devem nada a ninguém.
A referência Multibanco, por si só, não prova nada. Uma referência é apenas um conjunto de números que identifica um pagamento, e qualquer pessoa pode criar uma, por isso o facto de a mensagem trazer uma referência não a torna oficial. Quem recebe o dinheiro é quem a gerou, e é esse o ponto que convém verificar.
Os sinais que deviam fazer-te desconfiar
O primeiro sinal é a pressa. Ameaças de multas, cortes de fornecimento ou bloqueio de contas, com um prazo curto para agires, são o truque clássico para te impedir de pensar. O segundo é o pedido de dados confidenciais: nenhuma entidade bancária ou pública pede PINs, palavras-passe ou códigos de validação por SMS fora dos sites e aplicações oficiais.
Repara também no tom. Saudações genéricas, como “Estimado cliente” em vez do teu nome, e links ou números de telefone que não reconheces são mais pistas. E se não estavas à espera de nenhuma cobrança, ou se não consegues dizer a que dívida se refere a mensagem, a dúvida só pode ser uma: confirma antes de pagares.
O que fazer antes de pagar
A PSP aconselha a não fazer transferências, pagamentos por referência Multibanco ou operações por MB WAY sem que a cobrança tenha sido confirmada. A confirmação deve ser feita diretamente junto da entidade indicada na mensagem, usando apenas os contactos disponíveis nos canais oficiais, e não os números, endereços ou links que vêm na própria comunicação suspeita.

Na prática, isto significa procurar o contacto da entidade no site oficial ou na fatura que já tens, ligar ou escrever por lá e perguntar se a dívida existe. Se for verdade, pagas depois de confirmar; se for burla, ficas a saber logo. Guarda também as mensagens, os números e os links, porque podem ser úteis numa queixa. E evita clicar em ligações que venham na mensagem: se precisares de consultar uma conta ou uma dívida, escreve tu o endereço do site oficial no navegador ou usa a aplicação que já tens instalada.
E se já pagaste?
Se já fizeste o pagamento, contacta o banco o mais depressa possível e explica o que aconteceu. Nem sempre é possível recuperar o dinheiro, mas quanto mais cedo agires, maiores são as hipóteses de travar o movimento. Depois, apresenta queixa na PSP, na GNR ou na Polícia Judiciária, levando os comprovativos e as mensagens.
Denunciar é importante mesmo quando o valor foi baixo, porque a mesma referência pode ter sido enviada a muitas pessoas, e cada queixa ajuda as autoridades a perceberem a dimensão do esquema. Se tens familiares mais velhos, vale a pena avisá-los desta burla, porque são frequentemente alvo de mensagens com ar oficial e prazos curtos.
E tu, já recebeste alguma mensagem com uma cobrança que não reconhecias?








