Eu sou fã assumido da Xiaomi. Acho que a fabricante soube crescer muito bem ao longo dos anos, e até mesmo na altura em que decidiu apostar com mais força nas gamas Premium, nunca descurou os fãs originais que sempre valorizaram a qualidade-preço. Mas, aqui não esteve bem. Eu sei que a culpa nem é da Xiaomi, e de facto, a gigante chinesa até foi uma das únicas marcas a tentar arranjar uma solução para o problema.
Mas, quando um aparelho de nova geração é inferior aos aparelhos da geração anterior, alguma coisa não está bem.
Vamos por partes?
Redmi Note 17 Pro Max: Bateria brutal, mas a que custo?

| Característica | Especificações Técnicas |
|---|---|
| Dimensões e Peso | 163.4 x 78.3 x 8.6 mm; 229.5 g |
| Construção e Proteção | Frente em vidro Gorilla Glass Victus 2, traseira e moldura em plástico; Resistência a quedas até 3 metros; Certificação IP68 (UE) e IP68/IP69K (resto do mundo, jatos de alta pressão e submersão até 1.5m durante 30 min); Resistência de fabricante até 2m durante 72 horas |
| Cartão SIM | Nano-SIM + Nano-SIM + eSIM + eSIM (máximo 2 em simultâneo) |
| Ecrã | AMOLED de 6.83” (1280 x 2772 píxeis, 19.5:9, ~447 ppi); 68 mil milhões de cores, 120Hz, PWM a 3840Hz, HDR10+, Dolby Vision; Brilho típico de 1060 nits, HBM de 2000 nits e pico de 3500 nits; Proteção Gorilla Glass Victus 2 |
| Plataforma e Sistema | Android 16 com interface HyperOS 3; Processador Qualcomm Snapdragon 6 Gen 5 (4 nm, octa-core com 4x 2.6 GHz Cortex-A78 e 4x 2.0 GHz Cortex-A55); GPU Adreno 812 |
| Memória e Armazenamento | Sem ranhura para cartões microSD; Versões: 128GB e 256GB |
| Câmara Traseira (Dupla) | Principal de 50 MP (f/1.5, 26mm, sensor 1/1.95″, PDAF, OIS) + Ultra grande angular de 8 MP (f/2.2, 15mm, campo de visão de 120˚); Flash LED, HDR, panorama; Vídeo em 4K a 30fps e 1080p a 30/60fps (gyro-EIS, OIS) |
| Câmara Frontal | 32 MP (f/2.2, sensor 1/3.6″); Suporte para HDR, panorama; Vídeo em 4K a 30fps e 1080p a 30/60fps (gyro-EIS) |
| Áudio | Altifalantes estéreo com suporte Dolby Atmos; Áudio de alta resolução (24-bit/192kHz Hi-Res e Hi-Res wireless); Sem entrada de áudio de 3.5mm |
| Comunicações | Wi-Fi 6 de banda dupla (802.11 a/b/g/n/ac/6), Wi-Fi Direct; Bluetooth 6.0 (A2DP, LE); GPS, GALILEO, GLONASS, QZSS, BDS; NFC (conforme a região); Sensor de infravermelhos; Porta USB Type-C 2.0 com OTG; Sem rádio FM |
| Sensores | Leitor de impressões digitais ótico no ecrã, acelerómetro, giroscópio, bússola, sensor de proximidade |
Bateria e Carregamento |
Bateria Si/C Li-Ion com 9210 mAh. Carregamento rápido com fios a 100W (PD3.0, PPS); Carregamento inverso com fios a 27W |
| Preço Oficial | € 599 |
| Desempenho e Testes Reais | AnTuTu v10: 841.707 pontos; GeekBench v6: 3.070 pontos; 3DMark Wild Life Extreme: 1.190 pontos |
O que se passa com este Redmi?

No fundo, é o que se passa com todo o mundo mobile, ou melhor, todo o mundo tecnológico.
Existe uma enorme crise de memória devido ao aumento absurdo no lado da procura. E como as grandes empresas focadas em IA não têm problemas em dar mais dinheiro pelos componentes, as fabricantes de smartphones, ou de outros aparelhos, ficam a ver navios. Ou então, são obrigadas a dar valores muito similares para conseguirem lançar produtos finais.
A Xiaomi até é uma das marcas que mais vende a uma escala global, mas a crise é tão profunda que nem a gigante chinesa se consegue safar. Resultado de tudo isto? O Redmi Note 17 Pro Max, de facto toda a gama Redmi Note 17, aparece mais cara e ligeiramente mais fraca face ao ano passado.
Se calhar agora até percebes melhor o problema, porque no fim do dia, é a mesma exata razão pela qual os novos iPhone 18 também são mais caros e apresentam diferenças muito ligeiras face ao ano passado. Infelizmente, é um problema que afeta tudo e todos.
A Xiaomi tentou fugir à crise?
Isso é inegável.

Toda a gama Redmi Note 17 apresenta uma qualidade de construção superior, ecrãs impecáveis e uma bateria que mete qualquer entusiasta em sentido. De facto, o Redmi Note 17 Pro Max promete 3 dias de uso sem qualquer problema, e cumpre. Nós testámos isso. Aliás, este Redmi até carregou vários telemóveis ao longo do teste.
Este smartphone é uma autêntica power bank em formato de smartphone, e muito provavelmente vai ser algo que vai meter um sorriso no rosto de quem sofre no lado da bateria. O problema aqui é… Consegues comprar uma powerbank a 20€ nos dias que correm.
Além disso, no lado da qualidade de construção, este é um daqueles smartphone que cai, e muito provavelmente quem sofre é o chão. Mesmo sem capa.
Mas, há coisas mais importantes que a bateria e a resiliência, e de facto, é no resto que encontramos problemas.
Há cortes!
O SoC não é digno de um Redmi de topo: vais notar lentidão em multitasking, em apps mais pesadas e por vezes até a abrir a app da câmara. Neste último campo, os sensores são decentes, mas não são incríveis, e por isso sofrem quando as condições não são perfeitas.
Estamos a falar de um smartphone de 599€ em Portugal, que noutros tempos fazia tremer muitos topos de gama. Mas é o novo normal.
As câmaras valem a pena?


Temos uma expriência de gama média, porque acredito faltar um bocadinho de músculo no lado do processamento de imagem. Isto significa que vais conseguir tirar boas fotos em condições ótimas de luz. Se essas condições não existirem, bem, a qualidade vai cair a pique.
O zoom também está limitado porque não existe telefoto neste Pro Max.

Há outro problema: não deveria ser necessário lançar coisas novas todos os anos.
A questão aqui é: os Redmi Note 15 chegaram a Portugal em janeiro de 2026. Ou seja, estamos a falar de uma diferença de 6 meses. Aliás, os Redmi Note 15 ainda podem ser encontrados nas mais variadas prateleiras das lojas portuguesas a preços bastante aliciantes.
Além disso, o Xiaomi 17T chegou ao nosso mercado em maio, ou seja, há qualquer coisa como 4 a 5 meses. É um aparelho que vais conseguir encontrar abaixo dos 599€ deste Redmi Note 17 Pro Max.
O que levanta a questão: para quê lançar algo “novo”, se o que está nas prateleiras tem menos de 1 ano e continua a ser um produto extremamente aliciante para este mercado?
Nem tudo é mau!

A Xiaomi não anda a dormir. Por isso, vai fazer uma campanha de lançamento com descontos bastante agressivos em toda a gama.
Conclusão
O Redmi Note 17 Pro Max não é um mau telemóvel. Quem o comprar não fica mal servido. O problema aqui é que antes ficaria muito mais bem servido, e até ficava com um gostinho de topo-de-gama na boca. Hoje em dia? Isso já não é possível.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Vale a pena pagar 599€ por um smartphone com uma bateria monstruosa de quase 10.000 mAh sabendo que sofreu cortes, ou mais vale aproveitar as promoções da geração anterior?








