Trabalhas, cumpres o teu horário, e mesmo assim o dinheiro não chega ao fim do mês? Há um apoio da Segurança Social que muita gente julga estar reservado a quem está desempregado, mas não está. O Rendimento Social de Inserção (RSI) também pode ser teu mesmo com um contrato de trabalho ativo. Explicamos, com os valores atualizados de 2026, quem tem direito e quanto podes receber da segurança social.
Ter emprego não te exclui
O primeiro mito a desmontar é este: ter um trabalho não te tira automaticamente o direito ao RSI. O que conta não é se tens ou não emprego, mas sim o rendimento total do teu agregado familiar, ou seja, o dinheiro que entra em casa, dividido pelas pessoas que lá vivem. Se, mesmo a trabalhar, esse rendimento fica abaixo de certos limites, podes ter direito a um complemento.

O RSI destina-se, precisamente, a pessoas e famílias em situação de carência económica, para garantir um rendimento mínimo que cubra despesas básicas como alimentação, renda e contas.
Quanto vale o RSI em 2026
O valor de referência do RSI para 2026 é de 247,56 euros por mês para o titular (o adulto principal), definido pela portaria publicada em Diário da República. Mas esse valor aumenta consoante o agregado familiar, através de uma escala:
- Titular (1.º adulto): 247,56€ (100%).
- Cada adulto adicional: mais 173,29€ (70%).
- Cada menor ou dependente: mais 123,78€ (50%).
Ou seja, um casal com dois filhos menores tem um valor de referência de 247,56 + 173,29 + 123,78 + 123,78 = 668,41 euros por mês. Este é o valor máximo que essa família receberia se não tivesse qualquer rendimento.
Como se calcula (com um exemplo real)
Aqui está a parte que interessa a quem trabalha. O RSI não é um valor fixo: é a diferença entre o valor de referência do agregado e os rendimentos que a família já tem. E há um pormenor pensado para não penalizar quem trabalha, apenas 80% do rendimento do trabalho entra no cálculo.
Vejamos o exemplo daquele casal com dois filhos, em que um adulto trabalha a tempo inteiro com um salário bruto de 750€:
- Ao salário bruto retira-se o desconto de 11% para a Segurança Social → sobram 667,50€ líquidos.
- Desses, considera-se apenas 80% → 534€.
- Subtrai-se ao valor de referência: 668,41 − 534 = 134,41€ de RSI por mês.
Ou seja, esta família receberia um complemento de cerca de 134€ mensais, por cima do salário que já tem.

As condições que tens de cumprir
Para além do critério do rendimento, há outras regras: tens de residir legalmente em Portugal há pelo menos um ano, autorizar a Segurança Social a consultar a tua situação socioeconómica, e o teu património mobiliário (poupanças, aplicações) não pode ultrapassar 60 vezes o valor do IAS, o que, em 2026, dá 32.227,80 euros. É também necessário assinar um contrato de inserção com a Segurança Social.
Como pedir (e confirmar)
O pedido pode ser feito online, através da Segurança Social Direta, ou presencialmente num balcão da Segurança Social, reunindo a documentação e declarando corretamente o agregado e os rendimentos.
Uma nota importante: os valores acima são estimativas para te dares conta se te enquadras. O montante exato depende da tua situação concreta, por isso o melhor é sempre confirmar em seg-social.pt ou usar um dos simuladores disponíveis. Mas a mensagem principal fica: se o teu salário deixou de chegar, não assumas que não tens direito a nada, pode haver aqui um apoio que ainda não conhecias.








