A China criou um reator nuclear montado num camião com muita IA à mistura. Se achavas que a corrida energética para sustentar o avanço da Inteligência Artificial (IA) já tinha batido no teto, estás muito enganado.
Ou seja, com os centros de dados a crescerem como cogumelos e a consumirem eletricidade a um ritmo que ameaça rebentar com qualquer rede pública, a caça por fontes de energia estáveis e ininterruptas tornou-se uma autêntica obsessão.
Por isso, para resolver o problema, uma equipa de engenheiros chineses decidiu levar o conceito de “power bank” a um nível completamente absurdo! Construíram um reator nuclear móvel de 10 megawatts montado na traseira de um camião, capaz de funcionar durante décadas sem precisar de reabastecer.
Mas… Isto é viável?
Um “Power Bank” nuclear?
Portanto, este protótipo inovador foi desenvolvido nos Institutos de Ciências Físicas de Hefei, na China, sob a liderança do cientista Wu Yican.
Ao contrário dos reatores tradicionais que exigem instalações gigantescas e fixas, este sistema foi desenhado especificamente para se mover ao sabor das necessidades de carga. Assim, com uma potência de 10 megawatts, o reator situa-se num meio-termo perfeito! Está muito acima das microbaterias nucleares experimentais, mas é perfeitamente capaz de aguentar o funcionamento contínuo de um centro de dados de IA de tamanho médio ou até de um complexo industrial isolado.
Segundo Wu Yican, o grande objetivo desta tecnologia é libertar a sociedade da “ansiedade da bateria”. Oferecendo uma fonte de energia baseload (de base) que, ao contrário das renováveis como a solar ou a eólica, não falha quando o vento para ou a noite cai.
O sistema foi projetado para ser ultra-compacto e ter um desempenho de ultra-longa duração, podendo operar durante mais de 20 anos seguidos sem que seja necessário trocar o combustível. A portabilidade é o grande argumento de venda, permitindo levar eletricidade a locais de difícil acesso, ilhas remotas ou regiões onde construir uma linha de alta tensão seria uma dor de cabeça impraticável.
A fusão entre o desenvolvimento nuclear e a IA?
Mas as ambições desta equipa não se ficam pelo fornecimento de energia a terra firme. Os engenheiros já estão a estudar formas de adaptar esta tecnologia para uso marítimo em navios de grande porte e até para aplicações aeroespaciais. O criador do projeto garante que o reator aposta na “segurança na origem”. O que significa que o hardware traz proteções estruturais nativas para evitar desastres em caso de acidente rodoviário. Assim, em vez de depender apenas de barreiras e salvaguardas externas de contenção.
Este avanço surge numa altura em que a Inteligência Artificial e a energia nuclear estão a cruzar caminhos de forma inédita ao longo de 2026.
Se, por um lado, a IA precisa do canudo nuclear para processar tráfego sem quebras, por outro, os próprios cientistas chineses já utilizam algoritmos avançados de IA para desenhar, simular e avaliar os novos sistemas de segurança dos reatores de nova geração.
Caso não saibas, atualmente, a China já é a segunda maior potência nuclear do mundo! Gerando 467,7 mil milhões de quilowatt-hora através de 59 reatores comerciais fixos. Contudo, ao trazer a geração de energia diretamente para o ponto de consumo em cima de quatro rodas, o país arrisca-se a mudar por completo as regras do jogo do mercado tecnológico e energético.
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