Quando já tens um produto que é incrível no seu objetivo máximo, o que vais fazer? É uma questão complicada, com uma resposta que pode nem existir.
Ou seja, a Razer já tinha acertado bastante com os BlackShark V2 Pro, especialmente junto de quem joga a sério e quer um headset focado no essencial (conforto, som limpo e um microfone acima da média). Ainda assim, havia coisas a melhorar. Faltavam botões, faltava ANC, faltava aquele extra que tem de existir para justificar um salto geracional.
O BlackShark V3 Pro existe precisamente para corrigir isso. A Razer ouviu as críticas e resolveu praticamente tudo.
Design familiar, mas mais bem pensado

Antes de mais nada, e logo à primeira vista, o BlackShark V3 Pro não inventa. Continua com aquele design inspirado em headsets de piloto, discreto, robusto e com ar profissional. São auscultadores gaming, mas na cor preta, capazes de passar mais ou menos despercebidos. Além disso, há mudanças importantes.
A estrutura ganhou articulação extra nas conchas, o que faz toda a diferença no conforto. Mesmo sendo ligeiramente mais pesado que o V2 Pro, assentam melhor na cabeça e distribuem o peso de forma mais equilibrada. Em sessões longas de jogatana, nota-se.
Além de tudo isto, e apesar dos materiais serem os mesmos (plástico, metal e tecido) é fácil perceber que a qualidade de construção melhorou um bom bocado.
Mais botões = Mais controlo e menos irritações
Aqui está uma das maiores evoluções.

Num mundo em que o “touch” tenta mandar, a realidade é que os botões continuam a reinar.
O V3 Pro finalmente traz mais controlos físicos no próprio headset. Além do volume, power, mute e porta USB-C, temos agora botão dedicado para ANC, botão de perfis e um roller extra configurável.
Aliás, este último pode ser usado para balancear chat e jogo, controlar sidetone do microfone ou ajustar outros parâmetros. Tudo sem tirar as mãos do rato ou do comando.
É o tipo de detalhe que não parece importante até começares a usá-lo todos os dias.
ANC que finalmente faz sentido num headset gaming!
Sim, a Razer meteu cancelamento ativo de ruído num BlackShark. E, ao contrário de muitas outras fabricantes, fê-lo bem.

O ANC é híbrido e funciona surpreendentemente bem para um headset gaming. Não é nível headphones de avião, mas também não tem de ser. Elimina ruído constante com facilidade, como ventoinhas, ar condicionado ou barulho de fundo (como um cão a ladrar).
Há também modo ambiente, útil para quem quer ouvir o que se passa à volta sem tirar o headset da cabeça.
Para quem joga em casa com ruído à volta, isto é um upgrade enorme.
Qualidade de som feita a pensar em quem joga competitivo
O BlackShark V3 Pro usa novos drivers TriForce Bio-Cellulose de 50 mm, e nota-se imediatamente que o foco está no qualidade de som enquanto o jogador está imerso no que se passa no ecrã.
Em jogos competitivos, o headset é excelente a separar passos, tiros, recargas e movimento à distância. Em títulos como shooters táticos ou battle royale, dá mesmo aquela sensação de “sei exatamente onde está toda a gente”.
O suporte para áudio espacial também está bem integrado, com THX 7.1 no PC, Windows Sonic na Xbox e Tempest 3D Audio na PS5. A melhoria na leitura de som vertical é especialmente notória.
Para música e filmes, o som é bom, mas não é aqui que o headset tenta brilhar. Médios e agudos muito limpos, graves competentes.
Não é um headset para audiófilos. É um headset para jogar.
Microfone continua a ser referência
O microfone destacável HyperClear de 12 mm mantém o nível elevado.
Não substitui um microfone dedicado de streaming, mas dentro do mundo dos headsets gaming está claramente acima da média. Voz limpa, sem ruído parasita irritante e perfeitamente aceitável para chamadas, Discord ou jogos online.
Aqui a Razer fez bem em não mexer demasiado.
Autonomia top! Com ligações para todos os cenários
A bateria é outro ponto fortíssimo. A Razer aponta para cerca de 70 horas no PC e cerca de 48 horas em consolas, e esses números não parecem exagerados.
Mesmo quando a bateria acaba, podes usar o headset por cabo jack 3.5 mm, algo que muita gente continua a valorizar.
Em termos de conectividade, há Hyperspeed Wireless com latência muito baixa, Bluetooth 5.3 e até modo simultâneo. Ou seja, podes estar a jogar no PC e ao mesmo tempo receber áudio do telemóvel.
É incrível, até para quem está em trabalho remoto, mas… Acaba por fazer um joguinho de vez em quando.
Software, perfis e extras que fazem a diferença
O Synapse não é de todo o meu software gaming preferido. Mas, continua a ser uma peça importante da experiência. Não é o software mais complexo do mercado, mas permite ajustar EQ, criar perfis por jogo, afinar microfone, latência e consumo energético.
A Razer também adicionou perfis afinados por jogadores profissionais para vários jogos competitivos, o que pode ser útil para quem não quer perder tempo a mexer em sliders.
Conclusão
O Razer BlackShark V3 Pro é exatamente aquilo que um headset de nova geração devia ser. Não reinventou a roda, mas corrigiu tudo o que faltava no modelo anterior e adicionou funcionalidades que fazem sentido no uso diário.
É confortável, soa muito bem em jogos competitivos, tem ANC eficaz, bateria de sobra e uma versatilidade que poucos rivais conseguem igualar.
Não é barato, mas há muito que a Razer deixou de ser uma marca barata. É um headset premium, bem pensado e finalmente completo.


