Caso não te lembres, há cerca de oito anos, Jensen Huang subiu ao palco num daqueles casacos de cabedal icónicos para nos vender uma fantasia revolucionária. A promessa da Nvidia era simples e avassaladora! Com o Ray Tracing, os produtores de videojogos iam deixar de passar meses a “inventar” sombras e reflexos artificiais, isto porque a luz ia simplesmente comportar-se de acordo com as leis da física.
De facto, a gigante das placas gráficas até “matou” a gama GTX, para transformar a coisa em RTX. Era algo em grande. Mas… Depois de tanto tempo em banho maria. Se calhar não foi bem assim!
O Ray Tracing precisava e continua a precisar de muito hardware, por isso, a grande maioria dos jogadores prefere desligar a funcionalidade para conseguir ter FPS decentes. Além de tudo isto, a verdade é que o mundo das placas gráficas nunca mais recuperou do fenómeno do mining e sucessivas crises de chips.
Ter uma placa gráfica boa é caro. Ter uma placa gráfica boa capaz de Ray Tracing a sério, é um sonho ao alcance de poucos.
A ilusão do RTX: O hardware que não aguentava a própria promessa?


A realidade crua é que nada do que nos prometeram em 2018 se concretizou daquela forma. Os compradores da primeira geração RTX receberam uma autêntica miragem. O hardware da altura era incrivelmente fraco para lidar com o peso do Ray Tracing em tempo real. Resultando em efeitos visuais medíocres e quebras de fluidez assustadoras.
Um ano após o lançamento, só conseguíamos apontar dois jogos onde o RT realmente acrescentava algo de valor: o Metro Exodus e o Control. De resto, eram implementações fracas e cheias de ruído visual, como os reflexos perfeitamente inúteis do Battlefield V.
A resposta da Nvidia às críticas da comunidade foi hilariante e, acima de tudo, de uma enorme falta de noção. Disseram que os jogadores podiam simplesmente baixar a resolução para 1080p, justificando com as estatísticas da Steam de que a maioria ainda jogava nessa resolução. Mas desculpem lá. Quem dá 400 ou 500 euros por uma RTX 2060 Super ou uma RTX 2080 queria jogar a 1440p com fluidez, e não andar a arrastar-se abaixo dos 60 frames por segundo só para ver o reflexo de uma poça de água.
Passado algum tempo, disseram para ligarmos o DLSS. Só que na altura, o DLSS 1.0 era uma autêntica borrada visual que destruia a qualidade visual. Posteriormente, a versão 2.0 só chegou ano e meio mais tarde e, mesmo assim, o “upscaling” nunca resolveu o problema de fundo. Pareceu sempre uma solução “a meio gás”.
Mesmo agora, as sondagens continuam a mostrar que perto de 80% dos jogadores ou desligam o Ray Tracing ou só o ligam muito raramente.
Andamos há quase uma década a ouvir o disco riscado de que “o Ray Tracing é o futuro”, mas esse futuro parece estar sempre a mais oito anos de distância. Para o utilizador comum com uma placa de gama média, a insistência nesta tecnologia só serviu para tornar os jogos muito mais pesados e difíceis de correr, sem qualquer benefício prático na jogabilidade.
Entretanto, os custos de desenvolvimento dos jogos dispararam completamente e o hardware atingiu preços pornográficos. De facto, a própria Nvidia deixou de ser uma empresa focada em jogos para passar a ser um monstro de biliões focado em inteligência artificial e centros de dados. É uma pena, porque deixou os jogadores que construíram o seu império para segundo plano.
Os grandes falhanços da saga do Ray Tracing no gaming:
- Promessas Falhadas: Uma tecnologia vendida como obrigatória em 2018 que continua a ser tratada como um extra perfeitamente dispensável em 2026.
- Sacrifício de Fluidez: Ligar o RT exigia cortar na resolução ou baixar os gráficos para médio, destruindo o propósito de ter uma gráfica premium.
- Inútil no Competitivo: Em jogos como Fortnite ou Call of Duty, o RT prejudica a visibilidade e deita abaixo os frames necessários para vencer.
- Rejeição do Público: Sondagens massivas revelam que a esmagadora maioria dos gamers prefere manter a função desligada em prol do desempenho.
A minha visão?
Parecia incrível, mas, pelo menos até ao dia de hoje, o Ray Tracing foi a maior manobra de diversão e o maior golpe de marketing que a indústria das placas gráficas já viu.
Quem comprou uma gráfica a pensar exclusivamente no Ray Tracing tem de se sentir mal com a escolha que fez. As primeiras placas chegaram e morreram sem conseguir correr os jogos com dignidade, e hoje em dia as RTX de gama média continuam a ganir para aguentar o peso desses efeitos.
Isto também é visível nas consolas, que têm suporte a Ray Tracing, mas não lhe dão grande importância para não sufocar a performance.




