Como já deves ter percebido, e tiveste agora um enorme exemplo com os novos iPhone, a crise de memória RAM é grave, e tem tudo para piorar ainda mais o mercado. Ou seja, a memória RAM, que durante anos foi um dos componentes mais baratos e previsíveis de qualquer máquina, transformou-se num artigo de luxo com preços absurdos.
Dito isto, se pensavas que esta escalada estava prestes a acalmar, porque já se anda a falar disto há mais de 12 meses, podes esquecer. Podes até mesmo tirar o cavalinho da chuva. Ninguém sabe quando é que a normalidade regresso, e como tal, até lá, os preços vão continuar a aumentar.
O terramoto começou no final de 2025: Sem stock e sem ofertas. E está para durar!

A narrativa oficial tenta muitas vezes vender a ideia de que a crise é recente, mas não é. Ou melhor, para o mercado de consumo é recente, porque as grandes fabricantes compraram grandes quantidades de chips porque já sabiam o que ia acontecer. Mas, esses stocks estão a terominar, e como tal, os preços estão a aumentar nos produtos finais.
De facto, Eisenstein revelou que os primeiros aumentos agressivos começaram a rebentar logo no quarto trimestre de 2025. O pânico instalou-se no canal, as encomendas dispararam por receio de ruturas e os armazéns esvaziaram-se num ápice.
O impacto nas empresas médias tem sido devastador:
- Margens esmagadas: O preço a que os fabricantes compram os chips DRAM disparou tanto que montar PCs completos ou vender kits avulso deixou de ser rentável, levando vários integradores a abandonar o segmento.
- Cancelamento de feiras: A situação chegou ao ridículo de a Exceleram cancelar a sua presença na Computex porque pura e simplesmente não fazia sentido procurar novos distribuidores quando não havia produto para entregar.
- Semanas inteiras no deserto: O executivo admite que há períodos de várias semanas em que a empresa nem sequer recebe propostas ou cotações dos fornecedores para os chips de memória necessários.
Esquece 2027… É o ano da tempestade perfeita
O mais preocupante de todo este relato é que a escassez já não é apenas uma questão de preços inflacionados de forma artificial. Trata-se de falta física de componentes. Isso está a começar a travar o desenvolvimento e o lançamento de hardware de consumo de próxima geração, com o ecossistema PC a ficar em segundo plano face aos biliões que as grandes tecnológicas despejam nos centros de dados para treinar modelos de inteligência artificial.
Construir novas linhas de produção e fábricas de semicondutores demora anos e exige dezenas de milhares de milhões de euros. Por isso, quem estava a fazer contas para esperar por 2027 na esperança de ver as memórias DDR5 voltarem a preços humanos vai apanhar uma desilusão tremenda. O mercado aceitou os preços altos por cansaço, mas a realidade nua e crua é que o aperto na cadeia de distribuição vai continuar a apertar o pescoço ao consumidor.
Se tens um computador equilibrado, estima-o como se fosse ouro. Montar ou expandir uma máquina de jogos nos tempos que correm é um desporto para carteiras muito fundas. O mesmo pode ser dito do teu smartphone, tablet, relógio, etc… Aguenta!








