Estamos fartos de dizer que a tecnologia vai ficar mais cara. A crise toca a todos. Mas, já nem estamos apenas e só a falar de memória RAM. A Qualcomm enlouqueceu e quer que o próximo processador custe mais de 300 dólares.
Se achas que os smartphones topo de gama estão caros, prepara o estômago para o que aí vem. A Qualcomm parece completamente desfasada da realidade e prepara-se para cometer um autêntico suicídio comercial com o futuro Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro. A razão? O processador pode custar mais de 300 dólares a cada fabricante. Leste bem! Trezentos dólares antes de somares o ecrã, as câmaras, a bateria e a margem de lucro.
No fim do dia, isto é empurrar os telemóveis de topo diretamente para o segmento “ultra-premium”, onde só uma elite com carteiras recheadas vai conseguir chegar. Assim, numa altura em que os preços das memórias RAM e do armazenamento já estão no absurdo que conhecemos, cobrar este balúrdio por um chip de 2nm é colocar a faca no pescoço de todas as marcas fora do “big 3” (Samsung, Apple e Xiaomi).
A MediaTek está à espreita e pronta para fazer estragos. E ainda bem!

A ganância de uns é a oportunidade de outros.
Dito isto, quem está a sorrir de orelha a orelha com esta trapalhada da Qualcomm é a MediaTek. Os rumores apontam para que o próximo topo de gama da marca, o Dimensity 9600 Pro (também produzido no mesmo processo topo de gama de 2nm da TSMC), chegue ao mercado a custar cerca de 216 dólares. Estamos a falar de uma diferença brutal de quase 28% a favor da MediaTek.
Assim, para qualquer fabricante de smartphones que queira manter margens de lucro decentes sem ter de vender um telemóvel por 1500 ou 1800 euros, a escolha torna-se óbvia. A Qualcomm pode tentar vender o peixe da nova arquitetura de núcleos Oryon ou de grandes melhorias de desempenho em jogos, mas a matemática do mercado é implacável.
Além disso, temos de ser honestos. A performance já é tão boa nos dias que correm, que ninguém vai notar a diferença.
Prepara-te para ver mais MediaTek nos topo de gama?
A Qualcomm já admitiu que os seus produtos vão sofrer aumentos de dois dígitos a partir de setembro, e este fosso de preços vai ter consequências sérias. Não se admirem se, no próximo ano, grande parte dos “flagships” que todos queremos comprar venham equipados com chips da MediaTek em vez do caríssimo Snapdragon.
A empresa americana habituou-se a ter o monopólio do segmento alto e a ditar as regras do jogo. O problema é que esticou tanto a corda que arrisca-se a ver as marcas a fugir em massa para a concorrência. E sinceramente? Bem feito.







