Muito se fala da crise de memória RAM e armazenamento interno. Mas, quando fui montar um PC para um amigo, o preço que mais me deixou em choque foi o da placa gráfica. Especialmente agora em Setembro, porque houve um aumento de preço muito agressivo durante o verão de 2026.
Dito tudo isto, a pergunta a qualquer pessoa que queira montar ou atualizar um computador para jogar qual é a marca de placa gráfica que lhe vem à cabeça. A resposta é quase unânime… NVIDIA. A empresa liderada por Jensen Huang transformou-se num colosso de biliões de dólares nos mercados financeiros e controla, de forma esmagadora, quase 90% a 95% do mercado de gráficas dedicadas.
Sim, a AMD continua a dar luta com a sua gama Radeon e a dominar os chips gráficos integrados das consolas de sala, portáteis e consolas portáteis de gaming, mas no mercado das placas de secretária para entusiastas é uma sombra distante do que já foi.
O resultado disto está à vista de qualquer consumidor, especialmente dos portugueses. Preços cada vez mais absurdos com gráficas de gama média a custar quase mil euros e uma arrogância de mercado onde quem manda cobra o que quer porque simplesmente não há alternativa viável!
Mas será que neste planeta só existem mesmo duas fabricantes capazes de desenhar chips gráficos dedicados para PC?
A Intel quis salvar a pátria, mas a montanha pariu um rato…

Quando a Intel anunciou que ia entrar com tudo no mercado das placas gráficas dedicadas com a sua divisão Arc, muitos jogadores suspiraram de alívio. Finalmente um gigante com cofres cheios para fazer frente à ganância da NVIDIA e ao comodismo da AMD!
A Intel tem recursos quase infinitos, por isso, fazia todo o sentido. Mas… Não correu bem.
Fazer uma placa gráfica não é apenas desenhar silício. É também alimentar uma máquina brutal de software:
- O pesadelo das drivers: A primeira geração (Alchemist) chegou atrasada e com drivers tão verdes que em muitos jogos antigos em DirectX 9 ou 11 o desempenho era uma autêntica anedota de mau gosto. Foram precisos meses e meses de atualizações cirúrgicas para as placas começarem a render o que o hardware prometia no papel.
- A geração Battlemage e o valor real: Modelos como a Arc B580 e B570 mostraram que a Intel sabe meter especificações generosas a preços competitivos na gama de entrada e média baixa. No entanto, estes preços nunca se viram em mercados como o nosso. E, de facto, a divisão vive em constante instabilidade interna e paira sempre no ar a dúvida sobre até quando a gestão da Intel vai continuar a investir dinheiro numa divisão que dá prejuízos avultados.
A China tenta correr por fora!

Se olharmos para o outro lado do mundo, a China tem tentado a todo o custo libertar-se da dependência tecnológica norte-americana. É aí que entra a Moore Threads, uma startup fundada em 2020 por antigos quadros da própria NVIDIA com a promessa de criar placas gráficas nacionais.
Chegaram a lançar modelos comerciais para o mercado doméstico chinês, como a MTT S80. No papel parecia uma máquina bastante interessante! Barramento PCIe 5.0, memórias rápidas e um visual imponente. Só que na prática a realidade bateu com força: a placa demorou uma eternidade até conseguir correr DirectX 11, o suporte para DirectX 12 chegou apenas em versões beta experimentais anos mais tarde e a lista de jogos ocidentais que correm sem engasgos graves continua a contar-se pelos dedos. Tentar competir com décadas de bibliotecas gráficas otimizadas com uma equipa que começou ontem é quase uma missão impossível.
Entretanto, marcas como a Apple, a Qualcomm ou a MediaTek desenham chips gráficos brutais para telemóveis, tablets e computadores portáteis com arquitetura Arm. Mas nenhuma delas tem o menor interesse em construir uma placa PCIe de 30 centímetros para enfiar dentro de uma caixa ATX a gastar 300 watts da tomada.
O negócio delas é a eficiência em dispositivos fechados. Outros caminhos acabam por ser bastante mais caros.
Sem um terceiro concorrente forte (e real), quem paga a conta somos nós
Ficar refém de um mercado onde apenas uma marca dita os prazos, define os preços de tabela e decide quanta memória VRAM merecemos ter numa placa de 700 euros é o pior cenário possível para o ecossistema PC.
As marcas que constroem as placas físicas que compramos nas lojas (como a ASUS, a Gigabyte, a MSI ou a ASRock) não passam de montadoras de componentes. Se a dona do chip decide cobrar caro pelo silício, elas são obrigadas a subir o preço na prateleira. A AMD tem feito um excelente trabalho a empurrar os limites nos processadores contra a Intel, mas no departamento gráfico tem faltado aquela agressividade de preços que obrigue a NVIDIA a meter os pés no chão.
Depois, enquanto a Intel não provar que a divisão Arc veio para ficar com modelos de gama alta competitivos, e enquanto mais ninguém conseguir quebrar a barreira da otimização de software, montar um computador de jogos vai continuar a ser um luxo para carteiras muito recheadas.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que a Intel ainda vai conseguir ser uma alternativa séria à NVIDIA e AMD no mercado das placas gráficas? Ou o domínio do mercado está de tal forma consolidado que já ninguém consegue quebrar esta barreira de preços abusivos?








