Lembras-te do filme que a Microsoft e a Qualcomm montaram há dois anos? Foi curioso! Ou seja, se acompanhaste as apresentações deles em 2024, parecia que o computador tradicional tinha morrido e que o futuro da humanidade dependia exclusivamente de ter uma tecla Copilot no teclado, e claro, do tão necessário NPU.
Chamaram-lhe a revolução do “AI PC” e inventaram o selo pomposo de Copilot+ PC, prometendo que quem não comprasse uma máquina destas ia ficar para trás na história da informática.
Pois bem, passaram dois anos, a poeira assentou e a realidade do mercado conta outra história. Sim, a IA cresceu, e está cada vez mais emaranhada nas nossas vidas. Mas… Não foi desta forma.
Que surpresa! Ninguém quis saber do IA PC para nada!

Portanto, durante o Snapdragon Summit, porta-vozes da Microsoft e da Qualcomm confirmaram oficialmente que desistiram da designação Copilot+ PC nos novos computadores Surface e nos portáteis que chegam agora às lojas!
A verdade é tão simples quanto embaraçosa para os departamentos de marketing… Ou seja, o consumidor comum está-se completamente a borrifar para o paleio da Inteligência Artificial nos computadores!
De facto, as pessoas só queriam portáteis rápidos, com boa bateria e preços que não exigissem vender um rim.
A grande mentira dos números de vendas?
Durante meses ouvimos os analistas de mercado a bater palmas porque “as vendas de computadores com IA estavam a disparar”. Claro que estavam! Se vais a uma grande superfície comprar um portátil de gama média ou alta para trabalhar, as únicas máquinas nas prateleiras já traziam processadores recentes com essas unidades neurais embutidas.
Tu não compraste o computador por causa da NPU. Compraste porque o teu portátil velhinho avariou e a máquina nova calhava trazer esse chip lá dentro.
Os sinais de que o plano estava a falhar acumularam-se a uma velocidade gritante:
Por exemplo, no caso do Windows, para ter o selo original Copilot+, o computador tinha de ter obrigatoriamente pelo menos 16GB de memória RAM e 40 TOPS de poder neural. Agora, nas novas versões da linha Surface, a Microsoft já voltou a lançar modelos com míseros 8GB de RAM, deitando por terra o padrão mínimo que ela própria tinha imposto!
Agora já não vale a pena? Sabes porquê?
Para tornar a situação ainda mais cómica, a própria bolha da inteligência artificial empresarial acabou por dar um tiro no pé dos computadores domésticos. Com os centros de dados a açambarcar chips de memória aos milhões, os custos da RAM e do armazenamento dispararam nos mercados globais, tornando proibitivo vender portáteis acessíveis com grandes capacidades de memória.
Resultado? Em vez de continuarem a insistir nas tais NPUs de baixo consumo que prometiam mundos e fundos mas pouco faziam no dia a dia além de filtros de câmara de vídeo e geração de imagens manhosas no Paint, a Microsoft já prepara novos portáteis Surface topo de gama desenhados em parceria direta com a Nvidia.
O consumidor não é parvo!
A tecnologia generativa tem a sua utilidade pontual, ninguém nega isso. Mas tentar enfiar uma etiqueta de IA em cada rato, teclado, monitor e computador à venda para inflacionar a margem de lucro foi de uma ganância desmedida.
Assim, o recuo da Microsoft e da Qualcomm na marca Copilot+ é a vitória da sanidade e do bom senso do consumidor. O mercado falou bem alto! Quer máquinas com ecrãs decentes, teclados confortáveis, ventoinhas silenciosas, baterias duradouras e sistemas operativos que não nos tratem como cobaias de laboratório. O resto é conversa.






