Durante anos, a pergunta, fosse um ano de grande inovação ou não, era normal pensar “o que esperar do próximo iPhone?”. Novo design, nova funcionalidade, aquela sensação de que algo ia mesmo mudar.
Em 2026, a pergunta continua a existir, mas a resposta já não entusiasma da mesma forma. Infelizmente, isso diz mais sobre o estado do mercado do que propriamente sobre a Apple.
O que esperar da Apple e do iPhone em 2026?

Não, a Apple não vai saltar um ano sem lançar iPhones. Isso nunca esteve verdadeiramente em cima da mesa. Até porque a gigante Norte-Americana continua a vender que nem pãezinhos quentes.
De facto, o iPhone continua a ser o motor financeiro da empresa e não há coragem, nem necessidade, para travar essa máquina. O que pode acontecer, e faz todo o sentido, é uma reorganização do calendário.
Os modelos Pro continuam a ser lançados em Setembro, como sempre, enquanto os modelos base e as versões mais “baratas” escorregam para o ano seguinte. Claro que para o consumidor comum, isto cria a sensação de vazio. Parece que não há iPhone novo, quando na verdade há. Só não é o que interessa à maioria.
O problema maior nem sequer é esse.
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O problema é que o smartphone, enquanto produto, chegou a um ponto de maturidade brutal.
Um iPhone com três ou quatro anos continua rápido, continua fluido, continua competente. Aliás, isto não era verdade, mas o mesmo acontece no lado Android.
As melhorias anuais existem, claro, mas são pequenas, incrementais, quase invisíveis no uso real. Mais brilho, mais IA, mais um modo de câmara que raramente se usa. Nada disto justifica trocar de equipamento todos os anos. E infelizmente para as marcas, o consumidor já percebeu isso.
É aqui que entra a conversa do iPhone dobrável.

Vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. Aparentemente mais cedo do que mais tarde, porque tudo indica que o iPhone Fold vai mesmo ser lançado este ano. Isto a não ser que a crise de memória arruine os planos da Apple. Algo que pode de facto acontecer.
Isto não é uma necessidade clara, mas porque permite à Apple criar uma nova categoria premium, com preços ainda mais elevados. Vai ser interessante? Sem dúvida. Vai ser caro? Muito. Vai ser um produto para massas? Nem por isso.
Os dobráveis continuam a viver mais do impacto visual e da novidade do que de uma vantagem prática incontornável. A Apple não entra neste jogo para revolucionar o mercado. Entra porque há margem para esticar o preço.
E preços?
Falando em preços, esse é talvez o ponto mais previsível de 2026. Nada vai ficar mais barato. A memória RAM está mais cara, os chips continuam caros, a produção não ficou subitamente mais simples. Se não sobem preços, cortam-se custos noutro lado. Normalmente faz-se um pouco dos dois.
A Apple não é exceção, é apenas a marca mais visível neste movimento.
No fundo, aquilo que podemos esperar da Apple e do iPhone em 2026 é continuidade. Pequenas melhorias, algum ajuste de estratégia, talvez um produto novo para mostrar músculo tecnológico, e preços que continuam a subir. Não é empolgante, mas é realista. A grande diferença é que hoje já não há urgência em acompanhar este ciclo. Um bom smartphone dura cinco anos sem esforço.
E isso, curiosamente, é uma das melhores coisas que aconteceu ao consumidor.

