Na semana passada, escrevi um artigo sobre como o facto de a rede da NOS ter falhado durante uma manhã me ter posto num estado de quase pânico, porque, do nada… Não podia fazer quase nada no meu dia. Não podia ver os e-mails, partilhar internet com o portátil, carregar o carro, ou até ouvir música.
Os tempos mudaram mesmo muito, não é verdade? Mas não mudaram apenas na forma como tudo funciona, mudaram também no preço que tens de pagar para ter acesso a estas gigantescas redes móveis.
Quanto custa ter um telemóvel face ao passado?

Como já dissemos várias vezes na Leak.pt, hoje em dia temos a mania de nos queixar das faturas das operadoras, do aumento das fidelizações ou da velocidade dos dados móveis. Mas a verdade é que as novas gerações não fazem a mais pequena ideia do autêntico pesadelo financeiro que era ter um telemóvel no final dos anos 90.
Ou seja, aquilo que hoje temos como garantido, como os gigabytes de dados ilimitados, chamadas à descrição e roaming integrado, era pura ficção científica numa altura em que ligar a alguém podia arruinar o orçamento familiar do mês.
Aliás, no meu tempo de adolescente, como tudo se pagava, era completamente normal mandar “toques”. Ou seja, tocar 1 ou 2x, e desligar a chamada. Só para manter algum tipo de contacto, sem ser necessário vender um rim no mercado negro.
Pagar para ouvir o correio de voz e contar segundos no relógio!

De facto, nos anos 90, o conceito de “dados” nem sequer existia nas contas da maioria dos utilizadores. Pagava-se estritamente por minutos de voz e cada segundo contava como ouro. Isto sem falar de taxas escondidas, que eram mais do que muitas.
Mais concretamente, ter um telemóvel ativo na década de 90 significava lidar com um modelo de negócio brutal:
- Planos ridículos ao preço da chuva: Em finais dos anos 90, uma mensalidade base de 20 euros dava direito à fantástica quantia de… 15 minutos de chamadas por mês.
- Horas de ponta e tarifas assassinas: Se ultrapassasses o limite ou ligasses em horário de expediente, o custo por minuto disparava a pique. Fazer chamadas para fora da tua área de residência ou em roaming era garantia certa de uma fatura de três dígitos.
- Taxas para tudo e mais alguma coisa: Pagava-se manutenção de conta, pagava-se para ouvir as mensagens no correio de voz e, quando o SMS apareceu em 1999, cada mensagem de texto enviada era cobrada à parte.
- Aparelhos subsidiados com truque: As lojas davam descontos gigantescos nos velhinhos tijolos da Motorola ou da Nokia para te agarrar a contratos, onde o maior destaque do aparelho era a capacidade de guardar 100 números na memória interna.
Os preços continuam um exagero?
Lá porque antigamente era um “assalto”, não quer dizer que as coisas agora sejam um paraíso. De facto, em Portugal, o mundo das telecomunicações ficou mais barato nos últimos 2 anos, porque a DIGI entrou. Caso contrário, a grande maioria das pessoas estaria presa a contratos caríssimos, e de facto, muito acima da média europeia.
Mas, hoje em dia temos chamadas gratuitas, SMS gratuitas, e até dados ilimitados por pouco mais de 5€. Depende sempre do pacote que escolhes, mas até isso melhorou. Hoje em dia há concorrência, e por isso escolha.







