Quem anda à espera das primeiras chuvas a sério para refrescar do calor, ou pelos campos e pelo risco de incêndio, vai ter de ter mais paciência. As previsões mais recentes são claras: um bloqueio atmosférico vai manter Portugal continental sem chuva pelo menos até 24 de setembro. Ou seja, nem uma gota no horizonte para os próximos dias. Explicamos o que se passa e quando o cenário pode mudar. Afinal quando volta a chuva?
Nem uma gota até 24 de setembro
Os mapas meteorológicos mais recentes apontam para acumulados de chuva nulos em Portugal continental pelo menos até quinta-feira, 24 de setembro. Nem no fim de semana, nem na maior parte da próxima semana está prevista precipitação em todo o território continental.

A causa tem nome: um bloqueio atmosférico. É uma situação em que um sistema de altas pressões (anticiclone) se instala e fica mais ou menos “encravado” sobre a região, funcionando como uma tampa que afasta as depressões e as frentes de chuva. Enquanto esse bloqueio se mantiver, o tempo continua seco, soalheiro e com temperaturas acima do normal para a época.
E depois de 24 de setembro?
Aqui é preciso ser honesto: a incerteza aumenta. Depois dessa data, os modelos ainda não mostram um sinal robusto para o regresso da chuva. Pode haver uma mudança mas, com a informação disponível neste momento, não há garantia de uma entrada generalizada e persistente de precipitação até ao final de setembro.
Ou seja, a chuva “a sério” (aquela que dura vários dias e molha o país todo) continua sem data marcada. O mais provável, para já, é que só chegue mesmo já em outubro, à medida que o outono se impõe e as depressões atlânticas começam a ganhar força, o que é o padrão normal desta altura do ano.
Uma exceção: as ilhas
Enquanto o continente fica seco, os arquipélagos têm um cenário diferente. Os Açores e a Madeira têm tido (e devem continuar a ter) mais nebulosidade e alguns períodos de chuva, uma diferença habitual, dada a posição das ilhas no Atlântico, mais expostas às frentes.

O que isto significa (para além do tempo seco)
Este prolongamento do tempo seco e quente tem consequências que vão além do desconforto:
- Risco de incêndio elevado: o solo e a vegetação continuam secos, o que mantém o perigo de incêndios rurais enquanto não chegarem chuvas consistentes. Convém manter os cuidados de sempre.
- Agricultura e água: os agricultores e as barragens contam com as chuvas de outono para recuperar do verão; um outono que tarda atrasa essa recuperação.
- Mais dias de sol: para quem gosta, é a oportunidade de aproveitar o “verão prolongado” praia, esplanadas e passeios ainda em modo estival.
Convém, como sempre, guardar a devida cautela: as previsões a mais de uma semana são uma tendência, não uma certeza, e podem ajustar-se nas próximas atualizações. Já tínhamos falado desta tendência de tempo seco neste artigo, e o cenário mantém-se.
Mas a resposta à pergunta que todos fazem “quando volta a chuva?” é, para já, esta: não antes de 24 de setembro, e possivelmente só em outubro. Quem tem saudades do cheiro a terra molhada vai ter de esperar mais um pouco.








