Qual foi o gadget que morreu mais depressa do que estavas à espera? Há toda uma lista de “enganos” dentro do mundo da tecnologia!
Ou seja, quem acompanha o mundo da tecnologia há anos suficientes já viu este filme vezes sem conta. As marcas sobem aos palcos de feiras internacionais, gastam rios de dinheiro em publicidade, convencem a imprensa de que descobriram a oitava maravilha do planeta e tentam convencer-nos a abrir a carteira para comprar o futuro.
Só que o mercado de consumo não tem piedade de promessas! Se o aparelho for desconfortável, resolver um problema que ninguém tem ou obrigar a malabarismos chatos no dia a dia, morre e vai para a gaveta do esquecimento de forma extremamente rápida.
Dito isto, quais foram os aparelhos e tendências que prometeram mudar o mundo e foram atirados para o lixo da história numa velocidade pornográfica?

Curiosamente, a lista é um autêntico cemitério de coisinhas interessantes da indústria onde figuram as televisões 3D, os velhinhos Netbooks que não aguentavam abrir duas páginas na internet, e ainda os sistemas operativos como o Windows Phone que acabaram esmagados pela falta de visão das grandes empresas!
Recordar estes falhanços estrondosos é o melhor antídoto para a euforia cega que as fabricantes tentam impingir-nos hoje com outros modismos passageiros.
Ainda te lembras d fiasco das televisões 3D? Óculos ridículos e dores de cabeça!

No início da década de 2010, na ressaca do sucesso estrondoso do primeiro filme Avatar nos cinemas, a indústria audiovisual jurou a pés juntos que nunca mais íamos querer ver futebol ou séries numa televisão plana tradicional.
Todas as grandes marcas (Samsung, LG, Sony e Panasonic) começaram a enfiar filtros 3D em tudo o que era ecrã nas lojas.
O problema é que ninguém pensou na experiência do utilizador real dentro de casa:
- Os óculos a pilhas e o desconforto: Para teres efeito tridimensional ativo, tinhas de usar óculos pesados, desconfortáveis, que precisavam de carregar a bateria ou levar pilhas. Se tivesses quatro pessoas em casa, tinhas de comprar mais pares a 100 ou 150 euros cada um.
- Conteúdo que era uma aberração: Tirando três ou quatro filmes pensados de raiz para cinema tridimensional. A maioria das transmissões de desporto e conversões automáticas resultava numa imagem escura, baça e capaz de dar enxaquecas ao fim de vinte minutos no sofá.
- Morte sem aviso prévio: Bastaram poucos anos para os próprios fabricantes apagarem a funcionalidade dos menus, trocando o 3D pela resolução 4K e pelo HDR, que realmente trazem ganhos visuais no dia a dia sem exigências.
A era dos Netbooks: A ilusão da informática barata?

Houve uma altura entre 2008 e 2011 em que parecia impossível entrar num café ou numa sala de aula de uma universidade portuguesa sem ver alguém a teclar num minúsculo portátil de 10 polegadas com processador Intel Atom.
Dito isto, a promessa dos Netbooks era aliciante no papel, e de facto parece ainda existir algum espaço para este tipo de produto. Isto porque eram pequenos, incrivelmente leves e custavam metade ou um terço de um computador portátil convencional. Só que na prática a engenharia era um pesadelo. Os teclados esmagavam os dedos, os discos mecânicos eram lentíssimos e abrir três separadores pesados com o Windows XP ou 7 era o suficiente para o processador sufocar por completo.
A categoria foi varrida do mapa em questão de meses logo que os tablets modernos (como o iPad) amadureceram para consumo de multimédia e a própria Apple e os parceiros do Windows aprenderam a fazer ultrabooks finos e rápidos com SSDs a preços minimamente razoáveis.
Kinect e o drama de saltar no meio da sala

A Microsoft investiu centenas de milhões de dólares para nos convencer de que os comandos tradicionais de plástico com botões eram uma relíquia do passado. O sensor Kinect na Xbox 360 foi um dos dispositivos eletrónicos que mais depressa vendeu na história da marca, vendendo a ideia mágica de que nós éramos o próprio comando.
O aparelho era uma peça de engenharia formidável (tanto que anos mais tarde foi parar a laboratórios de robótica e a scanners médicos), mas para jogar videojogos a sério era um desastre. Ninguém quer chegar a casa cansado à noite e ter de arrumar a mobília da sala, empurrar o tapete e ficar aos saltos no meio do chão para dar um pontapé na bola ou conduzir um carro virtual.
A teimosia da Microsoft em enfiar o sensor à força no lançamento original da Xbox One em 2013, inflando o preço da consola e roubando recursos de processamento ao sistema, acabou por enterrar o acessório para sempre de forma humilhante.
Windows Phone: O melhor sistema que o mercado deixou morrer

Se há um falhanço tecnológico que ainda hoje deixa saudades e revolta nos entusiastas, chama-se Windows Phone. A interface das Live Tiles era linda, rápida e fluida mesmo em telemóveis baratos com hardware modesto como o velhinho Lumia 520. Isto enquanto os topos de gama com lentes PureView humilhavam a concorrência na fotografia noturna.
Só que a Microsoft chegou tarde demais à festa dos telemóveis inteligentes. Além disso hesitou demasiado na transição interna do Windows Mobile e nunca conseguiu resolver o problema número um… A ausência total de aplicações populares na loja.
Sem YouTube nativo apoiado pela Google, sem as redes sociais mais utilizadas pelos jovens e sem o suporte de bancos ou serviços locais, os utilizadores acabaram por fugir em massa para o Android e para o iPhone.
Isto vai dar que falar, porque estamos a caminhar a passos largos para o “fim” do PC como o conhecemos. A Microsoft não tem grande controlo dentro do mundo mobile, e isso vai complicar as contas. Não hoje, não amanhã. Mas num futuro cada vez mais próximo.
A lição que a indústria teima em esquecer?
Estes aparelhos e modas mostram que a conveniência vence sempre o marketing corporativo. As marcas podem criar campanhas astronómicas e tentar inventar necessidades fictícias. Mas, o consumidor comum só adota em massa aquilo que realmente poupa tempo, traz conforto e funciona bem.
É uma lição preciosa para olharmos com olhos críticos para tudo aquilo que nos tentam vender hoje como revolucionário. Seja nos capacetes de realidade mista a custar milhares de euros, seja na invasão desenfreada de botões de inteligência artificial… Isto sempre em coisas tão simples como uma máquina de lavar roupa ou uma torradeira.








