O petróleo caiu a pique (outra vez), mas na bomba o preço teima em não mexer. Vai ficar tudo igual?
Quem anda atento aos gráficos dos mercados internacionais e depois passa por uma bomba de gasolina em Portugal (ou de facto no resto da Europa), só pode sentir uma coisa: um desejo incontrolável de rir para não chorar.
A cotação do crude no mercado global até pode cair a fundo numa semana, mas quando chega a altura de atualizar os painéis digitais nas estações de serviço, a descida milagrosa de dez ou vinte cêntimos por litro pura e simplesmente nunca acontece.
Vamos voltar a ver o mesmo “fenómeno”?
“A culpa é das refinarias”: A nova narrativa é irritante para o consumidor!

Durante anos, a conversa oficial para justificar os aumentos do gasóleo e da gasolina assentava toda na volatilidade do barril com a matéria prima. Mas como o mercado de matérias-primas tem tido quedas acentuadas, a indústria precisou de encontrar rapidamente uma nova narrativa para proteger os lucros. Agora, o palavrão do momento na boca dos analistas é a refinação.
Ou seja, a explicação oficial que anda a ser empurrada é a de que as refinarias pelo mundo fora estão a sofrer com a falta de capacidade, com os ataques a infraestruturas energéticas e com a subida dos custos de transformação do crude em combustível pronto a usar.
Ou seja, argumentam que o petróleo bruto até pode estar a preço de chuva, mas que transformar esse petróleo no gasóleo que metes no carro ficou terrivelmente caro.
Curiosamente, quando foi preciso subir os preços com base na cotação do crude, ninguém se lembrou de mencionar a capacidade das refinarias.
Sobe como um foguetão! Mas… desce como uma pena.
A somar a isto temos o já famoso argumento do “stock antigo”.
Segundo as distribuidoras, a gasolina que está hoje a ser vendida nos depósitos foi comprada há semanas a preços mais altos, pelo que é impossível baixar o valor de imediato. A ironia é que esse desfasamento temporal desaparece magicamente sempre que a cotação internacional dispara. Nesses dias, o combustível que já estava armazenado no subsolo da bomba há duas semanas passa a valer ouro de um segundo para o outro.
Como vai ser a nossa vida?
Entre o peso brutal dos impostos que representam sensivelmente metade do preço final e a ginástica contabilística das grandes petrolíferas para manterem os seus dividendos em recordes históricos, o consumidor português continua preso na mesma armadilha.
Em economia há um termo para isto… Chama-se ao fenómeno “rockets and feathers”, a teoria de que os preços sobem como foguetões e descem com a lentidão de uma pena a cair. Por cá, o problema é que a pena parece ter ficado presa numa árvore e nunca mais chega ao chão.
2€ por litro em postos low-cost, e 2.2€ por litro em postos premium, são valores desesperantes para o mais comum do português.







