Quem passa os dias a mexer em computadores, a montar máquinas ou a testar tecnologia tem uma tendência natural para assumir que o resto do mundo sabe o básico. O que nem sempre é verdade. Pensamos que toda a gente percebe como funciona um rato, o que é um atalho de teclado ou para onde vai um ficheiro quando o apagamos.
Mas a verdade é que o utilizador comum vive numa dimensão paralela. De facto, basta passar cinco minutos a falar com técnicos de suporte de TI para perceber que aquilo que nós consideramos “informática básica” é, para uma fatia assustadora da população, ciência aeroespacial.
Aliás, basta o meu pai começar a pedir ajuda para ter um acesso premium a essa mesma realidade.
O caixote do lixo como armazém e a lenda do rato com disco externo?

A história mais repetida nos departamentos de informática, e que devia dar direito a estudo psicológico, é a quantidade surreal de pessoas que usa a Reciclagem do Windows para guardar ficheiros importantes.
Ou seja, o computador fica lento por falta de espaço em disco. Como tal, o técnico limpa a reciclagem para libertar gigabytes. Mas, o utilizador entra em histeria pura porque tinha lá ficheiros importantes.
Na cabeça dessa malta, como se chama “Reciclagem”, serve para… reciclar coisas mais tarde. E a loucura não fica por aí. Há quem clique em “Copiar”, desligue o rato por USB de um computador, o ligue noutro portátil e carregue em “Colar”, à espera que os ficheiros tenham viajado fisicamente dentro do plástico do periférico.
A guerra do Wi-Fi sem internet?

A incapacidade de distinguir “estar ligado ao Wi-Fi” de “ter acesso à internet” continua a entupir as linhas de suporte das operadoras com chamadas de clientes. A reclamar que o router está avariado quando simplesmente desligaram o cabo da tomada lá fora.
Além disso, para muitos, a barra de pesquisa do Google serve para escrever “google.com”, clicar no primeiro resultado… E só depois escrever o endereço do site que queriam visitar em primeiro lugar.
Depois, coisas tão banais como usar o Ctrl+C e Ctrl+V, abrir dois separadores ao mesmo tempo no browser para comparar documentos. Ou perceber que não é preciso dar duplo clique em links da internet continuam a parecer feitiçaria pura para quem usa o PC apenas por obrigação laboral.
Aliás, ainda há muito boa gente que não sabe usar os gestos do touchpad do seu portátil.
É incrível, mas, em 2026, ainda há muito pouco conhecimento. É um mundo, de facto, muito estranho.
Diz-me tu: qual foi a coisa mais bizarra ou o disparate mais inacreditável que já viste alguém fazer à tua frente num computador?








