Há uma ideia muito enraizada de que um computador fica lento porque tem “coisas a mais” instaladas. Ou por está a ficar velho. De facto, isso até fazia algum sentido no tempo dos discos rígidos mecânicos, mas hoje, com o SSD a ser a solução mais comum de qualquer computador minimamente recente, a conversa é outra.
O problema raramente está no espaço ocupado. Está sim nos programas que ficam a correr, muitas vezes em segundo plano, a consumir memória, processador e até ligação à Internet sem grande justificação.
O mais traiçoeiro é que nem sempre estes programas dão sinais óbvios. Ou seja, não aparecem na barra de tarefas, arrancam sozinhos quando ligas o PC e continuam ali, discretos, a gastar recursos. Claro que nem todos são maus por natureza. Alguns até são úteis. O problema é que um programa que até dá jeito, estar sempre ligado, também não é a melhor ideia se queres uma máquina rápida e ágil.
Vamos perceber quais?
Antivírus: mais peso do que proteção!

Um dos maiores culpados continua a ser o antivírus, especialmente o de terceiros. Visto que aquele que vem com o Windows (Microsoft Defender) é hoje em dia um exemplo de performance e eficiência.
Dito tudo isto, estes programas vivem permanentemente em segundo plano, a analisar tudo o que mexe no sistema. Como seria de esperar, impacto no desempenho é real, especialmente em máquinas mais modestas. O pior é que muitos vêm carregados de extras inúteis, notificações constantes e até publicidade.
Hoje, no Windows moderno, o antivírus integrado faz praticamente tudo o que um antivírus pago faz, sem subscrições e com impacto muito menor no desempenho. Manter dois sistemas de proteção ao mesmo tempo é meio caminho andado para um PC lento sem qualquer ganho real em segurança.
Overlays que parecem inofensivos
Ferramentas que colocam informação por cima dos jogos ou aplicações, como estatísticas de desempenho ou atalhos rápidos, parecem úteis. O problema é que continuam a consumir recursos mesmo quando não estão visíveis. Basta estarem ativas para interferirem com o desempenho, sobretudo em jogos ou aplicações gráficas.
Não é preciso desinstalar tudo. Basta garantir que só correm quando são mesmo necessárias e que não ficam esquecidas em segundo plano.
Gravação de ecrã e streaming
Gravar o ecrã ou fazer streaming é uma das tarefas mais pesadas que um computador pode fazer. Mesmo quando não estás a usar ativamente essas aplicações, se ficarem abertas, continuam a consumir recursos de forma agressiva. O sistema tem de processar imagem, áudio e codificação em tempo real.
Sem hardware preparado para isso, o impacto é inevitável. A melhor solução é simples: fechar completamente estas aplicações quando não estão a ser usadas.
O navegador é mais pesado do que parece

O browser é provavelmente o programa mais usado e também um dos mais pesados. Até tem vindo a melhorar ao longo dos anos. Mas… Com dezenas de separadores abertos, vídeos em segundo plano, extensões que fazem tudo e mais alguma coisa… Não há milagres.
Não é um problema enquanto só estás a navegar. Torna-se um problema quando abres outras aplicações mais exigentes. Fechar o browser quando não é necessário faz mais diferença do que muita gente imagina.
Launchers de jogos sempre ligados
Hoje em dia qualquer jogo tem um launcher. Que claro está, são programas que adoram ser lançados quando ligas o teu PC. Depois ficam na bandeja a fazer… coisas. Tudo isto consome recursos, largura de banda e atenção.
Desativar o arranque automático e garantir que fecham mesmo quando clicas no X é meio caminho andado para um sistema mais leve.
Software do fabricante: o clássico bloatware
Muitos computadores vêm carregados de programas do fabricante que prometem monitorizar o sistema, gerir drivers ou melhorar a experiência. Na prática, fazem pouco ou nada que o próprio Windows já não faça.
Remove tudo.
RGB bonito, desempenho feio
Controlar luzes RGB exige software dedicado e esse software nem sempre é leve. Alguns destes programas consomem mais recursos do que deviam, especialmente quando usam efeitos dinâmicos ligados ao sistema ou aos jogos.
Se o desempenho é prioridade, manter a iluminação no modo básico ou desligar o software depois de configurar pode fazer uma diferença surpreendente.
Backups na cloud sempre a trabalhar
Serviços de sincronização são ótimos para segurança, mas funcionam à base de monitorização constante. Quanto mais pastas e ficheiros estiverem sincronizados, maior o impacto. Especialmente se trabalhas com ficheiros grandes ou em constante alteração.
Limitar o que é sincronizado e evitar backups em tempo real para tudo é uma boa forma de aliviar o sistema.
Apps sociais também contam
Aplicações de comunicação, trabalho e comunidades não são leves. Mensagens constantes, chamadas de voz, partilha de ecrã e notificações fazem com que estejam sempre ativas. Muitas nem fecham totalmente quando pensas que fechaste.
Assim, garantir que só estão abertas quando são mesmo necessárias ajuda a manter o computador mais responsivo.
Conclusão
Em suma, no final do dia, um computador lento nem sempre precisa de formatação, upgrades ou dramas. Muitas vezes só precisa de menos coisas a correr ao mesmo tempo. Basta ter alguma atenção e perceber o que de facto precisas no teu dia-a-dia.

