Já falei muito sobre o mercado paralelo que existe no mundo mobile dentro do ecossistema Apple. Normalmente, este é um tema muito focado no iPhone. Mas a verdade é que isto também se aplica aos portáteis MacBook Air e MacBook Pro. Aliás, estes produtos recondicionados são tão bons que estão a arruinar as vendas de computadores novos da Apple.
Como deves saber, com a desculpa da crise global de memórias RAM, a Apple decidiu carregar fortemente nas notas e aumentar os preços de toda a sua gama de portáteis novos. O resultado? Os consumidores disseram “basta” e viraram-se em massa para os recondicionados.
A Apple acabou por fazer, sem querer, a maior campanha publicitária de sempre às plataformas de produtos usados, e agora tem um problema gigante para resolver.
A subida de preços proibitiva e a corrida aos chips M1 e M2

Depois de ter sido a marca mais interessante no lado da qualidade-preço com o MacBook Neo e Air, a Apple viu-se obrigada a aumentar o preço de todos os seus portáteis, em alguns casos acima dos 300€. Números… Dolorosos.
Pois bem, é aqui que os recondicionados entram em cena para dar um amargo de boca à Apple. Plataformas como o Back Market viram as vendas de MacBooks usados disparar uns impressionantes 65% logo após o anúncio dos aumentos. Além disso, vendedores independentes no eBay relatam que portáteis que costumavam ficar semanas parados em stock agora são vendidos em poucas horas.
Porquê? Porque um “velhinho” MacBook Pro com o chip M1 ou M2 continua a ser uma autêntica máquina de guerra em 2026. Seja para navegar com dezenas de abas abertas no Chrome, programar ou editar vídeo de forma moderada, estes computadores não tremem, não aquecem e deixam qualquer portátil Windows equivalente a comer poeira.
Máquinas feitas para durar dez anos são o pior pesadelo da Apple!

Um MacBook sempre durou muito tempo. Mas isto é ainda mais verdade com os processadores M ao barulho.
O grande trunfo dos processadores Apple Silicon é a sua impressionante longevidade. Quem compra hoje um MacBook Pro M1 ou M2 recondicionado com 16 GB de RAM e 512 GB de SSD, por uma fração do preço de um novo, está a levar para casa um computador que está sensivelmente a meio da sua vida útil. Estes portáteis foram desenhados para durar uma década e têm suporte de atualizações garantido, como o próximo macOS 27 Golden Gate, e suporte de software assegurado até perto de 2030.
Isto cria um problema bicudo para a Apple. Eles criaram um produto tão robusto, eficiente e durável que o mercado de recondicionados consegue canibalizar as vendas dos modelos novos sem qualquer esforço. Assim, se o consumidor consegue o mesmo desempenho no dia-a-dia a gastar metade do dinheiro, podes perfeitamente tirar o cavalinho da chuva se achas que a malta vai correr para as lojas oficiais gastar uma pipa de massa.
Basta ter o cuidado elementar de comprar em plataformas reputadas que ofereçam garantias de bateria acima dos 85% e suporte pós-venda, para deixar de fazer qualquer sentido alimentar as margens de lucro inflacionadas de Cupertino.
Isto também vai acontecer com o iPhone?

De certa forma já acontece. Mas, com os aumentos esperados de 200€ a 300€ nos novos modelos, é de esperar que a coisa mude um bocadinho de figura já a partir de setembro. É assim muito provável que o efeito no mercado de smartphones venha a ser exatamente o mesmo.
Tu por aí, o que pensas disto? Costumas dar uma oportunidade aos recondicionados ou preferes abrir os cordões à bolsa e comprar sempre novo, mesmo com estes aumentos absurdos? Partilha connosco a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







