Primeiras impressões Alcatel Shine Lite: o telemóvel impossível


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O que chamaríamos a um telemóvel com construção integral em vidro, processador quad-core, 2GB de RAM, e sensor de impressões digitais por menos de 200€? Seis meses atrás, talvez lhe chamássemos “uma miragem”, mas hoje podemos chamar-lhe Alcatel Shine Lite, um dos mais fortes terminais propostos pela Alcatel nos últimos tempos.

Não estamos perante um topo de gama, evidentemente, mas seria muito difícil percebê-lo olhando apenas para o Alcatel Shine Lite: este telemóvel é enganador e coloca bem alto a fasquia para a qualidade de construção que podemos esperar num dispositivo nesta gama de preço. É igualmente um dos smartphones mais bonitos de 2016 e se víssemos alguém com um na mão pensaríamos tratar-se de um smartphone de €400 ou mais. Daí a força desta proposta junto de um público jovem que não quer abdicar do estilo.

De facto, ao olharmos e sentirmos o Alcatel Shine Lite, este telemóvel parece-nos impossível de existir e, para muitas marcas, seria realmente inconcebível. Mas não o foi para a Alcatel. E leram-no primeiro na Leak.

 

Design e construção

Esta é, inquestionavelmente a peça central da aposta do Alcatel Shine Lite no público jovem com gosto requintado. Temos visto já vários dispositivos que possuem design e acabamentos que parecem colocá-los muito acima do seu segmento, mas poucos (ou nenhum) o terão feito como o Alcatel Shine Lite.

Os seus contornos são exclusivamente em metal com remates em chanfra que acrescentam algum conforto, e apenas interrompidos pelos pequenos recortes para as antenas. Já tanto o ecrã quanto o painel traseiro são em vidro 2.5D, nada mais, nada menos que Asashi Dragontrail. Portanto, não vão querer deixar este dispositivo cair ao chão, mas o vidro deverá ser mais do que suficiente para aguentar sem ser arranhado com uso moderado (ou podemos sempre utilizar a capa de gel transparente que vem na caixa).

Elegante e bem acabado, o Alcatel Shine Lite não nos deixa acreditar que custa €200.
Elegante e bem acabado, o Alcatel Shine Lite não nos deixa acreditar que custa €200.

Margens e limites são razoáveis para esta gama: cerca de 2mm nas laterais. Muito aceitável, num segmento onde já vimos bem pior.

Na traseira encontramos o pequeno módulo da câmara e logo abaixo o sensor de impressões digitais, agora uma característica que começa a generalizar-se abaixo dos 200€. A porta micro USB na base e perfurações para um altifalante mono de ambos os seus lados podem ser encontrados na base, enquanto o jack áudio está na parte superior.

De um modo geral, os acabamentos estão excelentes e não há como não dizer que este smartphone parece bem custar pelo menos mais 100€. O metal, claro, não está tão bem integrado no desenho, como nos flagships, notando-se alguma aspereza nos rebordos. Portanto é apenas nos mais ínfimos pormenores e nos onerosos processos industriais de acabamento que o Alcatel Shine Lite consegue não ser idêntico aos grandes bólides, mas teríamos mesmo de fincar pé neste ponto: pode bem ser o smartphone melhor construído disponível no mercado a este preço.

Não há truques nem ilusões de óptica, os materiais são o que são e a solidez do dispositivo parece-nos ainda mais certa mesmo do que em dispositivos como o Alcatel Idol 4S. De resto, com dimensões de 141.5×71.2×7,5mm, o Alcatel Shine Lite é tão compacto quanto é possível por este preço.

 

Principais características

Processamento e memória

Um smartphone muito completo, o Alcatel Shine Lite não esquece o leitor de impressões digitais.
Um smartphone muito completo, o Alcatel Shine Lite não esquece o leitor de impressões digitais.

Por 200€ não podemos esperar um dispositivo que seja excepcional em tudo, e o Alcatel Shine Lite escolheu tentar ser o melhor em estilo e construção. Mas as suas características de hardware são bastante consistentes com este segmento de mercado e não fazem grandes compromissos que nos deixassem de pé atrás.

O processamento fica a cargo de um quad core MediaTek MT6737 com quatro núcleos Cortex A53 a 1,3GHz, com uma Mali-T720MP2. Trata-se de um processador popular, presente em dispositivos como o Asus ZenFone Pegasus 3, Umi Diamond X ou LAIQ Glow, e é um processador do qual a MediaTek diz que chega para democratizar a tecnologia 4G, neste caso Categoria 6.

A memória são 16GB de armazenamento interno expansíveis até 256GB com cartão microSD, e 2GB de RAM. Da nossa experiência, são especificações que chegarão bem para correr o Android Marshmallow que vem a bordo, mas irão revelar-se curtas para os utilizadores avançados e multitaskers (vai daí, não é um telemóvel que se destine a estes públicos).

 

Ecrã

Aqui temos uma unidade de 5 polegadas que ocupa cerca de 70% da área do telemóvel. A tecnologia é IPS LCD, o que deverá garantir uma performance razoável. Para já, a capacidade do dispositivo para exibir negros parece exceder a capacidade do Alcatel Pop 4S que analisamos recentemente e porta-se muito bem, face a dispositivos mais caros. Já a luminosidade não é tão intensa quanto gostaríamos e no exterior poderemos ter contrastes bem mais apagados do que seria desejável.

Como já dissemos, as margens do ecrã são razoáveis para o segmento e permitem-lhe alguma pretensão a dimensões compactas. De destaque é que a Alcatel continua a apostar nas teclas capacitativas abaixo do ecrã, algo que adoraríamos que outras marcas fizessem. Afinal, permite-nos afirmar com toda a certeza que temos 5 polegadas diagonal, desimpedidas, e utilizáveis por qualquer conteúdo.

A resolução 720 não deverá ser particularmente impeditiva na utilização quotidiana e tem sempre a vantagem de poupar na bateria e autorizar mais folga de performance para a gráfica.

 

Câmara

Do lado das câmaras, 13MP com 5MP são interessantes para o público alvo.
Do lado das câmaras, 13MP com 5MP são interessantes para o público alvo.

São dois pontos modestos no Alcatel Shine Lite. A câmara principal chega com 13MP, com LED de dois tons e capacidade para vídeo 720p, enquanto a câmara frontal possui apenas 5MP. Não encontrarmos na folha de especificações nada de transcendente nas câmaras, mas da curta experiência que temos com ela, capta pelo menos cores razoavelmente exactas, onde outros dispositivos mostraram alguma tendência para a saturação.

Do lado da app, é ainda mais básica que a do Alcatel Pop 4S e oferece pouco controlo sobre o que podemos fazer com as imagens. Seria fantástico ter algo mais aqui, porque a Alcatel já nos provou que consegue desenvolver excelente software fotográfico.

 

Bateria

A bateria chega-nos com uma capacidade algo limitada: apenas 2460mAh, mas olhando-se para o hardware que terá de alimentar, não esperamos que vá ser particularmente curta.

 

Software

Grande ponto a favor do Alcatel Shine Lite é chegar com o Android Marshmallow, numa altura em que muita da sua concorrência continua agarrada ao Lollipop. De resto, a interface é praticamente de fábrica, com as grandes alterações a darem-se no grafismo que é definitivamente Alcatel.

Recebemos algum bloatware, mas nada de ofensivo, e ao contrário do que por vezes acontece com marcas que apostam neste segmento, a UI está bem afinada e funciona sem atrasos, nem revela gralhas.

O nível de personalização, no entanto, parece-nos baixo. Podemos configurar o leitor de impressões digitais para entrar em apps específicas, mas não encontramos muito mais que permita adaptar razoavelmente o dispositivo ao gosto de cada um. Por isso, sugerimos desde já que todos os utilizadores activem o sintonizador da IU do sistema.

Esta opção activa-se fazendo aparecer o slider das definições rápidas e mantendo o toque na roda dentada das definições até esta começar a girar. As opções que aparecem posteriormente continuam algo limitadas, mas permitem-nos – por exemplo – alterar os ícones que aparecem nas definições rápidas, e a sua ordem.

 

Expectativas

Se chega para enfrentar o apocalipse zombie, chega para nós!
Se chega para enfrentar o apocalipse zombie, chega para nós!

É talvez interessante recuar um ou dois anos, para encontrarmos dispositivos com construção em vidro e metal, e não os encontraremos de todo nesta gama de preço abaixo dos €200. Do lado do hardware e da computação, o Alcatel Shine Lite não parece sacrificar grandes pormenores face à sua concorrência directa. Se algo lhe podemos apontar é uma UI algo simplificada, com menos capacidade de personalização do que o que já vimos anteriormente noutros dispositivos do mesmo segmento, e aqui é óbvio que quando há um orçamento que não se pode ultrapassar, uma aposta maior num ponto, equivale a uma aposta menor noutro local qualquer.

E a grande aposta aqui é numa qualidade de construção e materiais que são praticamente inéditos em dispositivos por este preço, abrindo aos consumidores casuais as portas para um dispositivo refinado e elegante. É certamente dos telemóveis mais vistosos de 2016, num segmento de preço onde a maioria dos designs tem dificuldades em se manter atraente ao vivo, fruto de materiais menos nobres e acabamentos mais económicos.

Quando o Alcatel Shine Lite foi anunciado, não hesitamos em o colocar entre as nossas recomendações para telemóveis budget. Por isso, não foi sem nervosismo que abrimos a caixa do Shine Lite agora que já se encontra disponível em Portugal. O que encontramos manteve toda a nossa confiança na elevada qualidade do terminal e, apesar das nossas reservas quanto à UI simplificada, não há nada fundamental que falte no dispositivo.

Veremos em breve como isto se traduz para a utilização quotidiana.

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