Quem anda atento ao mercado de informática nos últimos tempos já percebeu o filme, e de facto não é só no lado dos computadores, como já deves ter percebido pelos “novos” preços dos smartphones em todas as gamas.
A desculpa de quase toda a indústria é sempre a mesma ladainha de sempre: “A Inteligência Artificial engoliu a produção mundial de memórias, não há chips DRAM para ninguém e por isso tudo o que usa RAM vai continuar pela hora da morte até 2030”.
Mas, o CEO da Acer, Jason Chen, decidiu finalmente partir a loiça toda e dizer em voz alta aquilo que muitos de nós já suspeitávamos nos bastidores. As previsões apocalípticas dos concorrentes não passam de conversa fiada para justificar margens de lucro absurdas!
Ou seja, segundo o patrão da fabricante taiwanesa, a escassez real não é tão dramática como a pintam e os preços dos computadores podem começar a cair no final de 2027.
Assim, enquanto gigantes como a Micron, a SK Hynix e a Adata continuam a tentar convencer toda a gente de que vamos viver numa seca de componentes durante a próxima década, ver um fabricante de sistemas completos meter o dedo na ferida da ganância alheia é um banho de água fria no circo montado pelos fornecedores de chips.
O choradinho das fabricantes de memória vs. a realidade que se vive nas fábricas.

Para perceberes a dimensão da coisa, basta ver que cada líder da indústria tentou puxar a brasa à sua sardinha para convencer os consumidores de que pagar caro é o “novo normal”:
- O coro do drama: O CEO da Micron já veio dizer que a crise vai além de 2027. O líder da SK Hynix jurou a pés juntos que a escassez só atinge o pico em 2027 e continua apertada até 2030. Além disso, o presidente da Adata teve o desplante de atirar que os preços elevados vão persistir durante mais dez anos. Uma coincidência fantástica para empresas que estão a registar recordes históricos de faturação à conta do pânico no mercado.
- O desmascarar: Jason Chen aponta o dedo sem rodeios e afirma que estas estimativas catastrofistas servem apenas para proteger as margens de lucro brutais que a vaga da IA trouxe aos produtores de semicondutores. Segundo a Acer, a oferta da esmagadora maioria dos módulos de RAM e discos SSD comuns já está a apanhar o ritmo da procura real. O estrangulamento existe, sim, mas está quase todo limitado aos módulos DDR5 ultra-rápidos e a chips de topo para servidores de centros de dados.
Ainda vamos levar com aumentos? Óbvio que sim.
Os preços vão continuar a subir, isso é certo.
A previsão da marca aponta para subidas reais entre 5% e 20% no preço dos PCs até ao final deste ano, atingindo o pico mais doloroso na primeira metade de 2027. Mas, ao contrário do discurso derrotista dos concorrentes, a Acer garante que a curva vai começar a inverter-se e a descer a partir da reta final de 2027.
E porquê? Porque a concorrência não perdoa. O mercado chinês começou a produzir chips de memória em massa através de fabricantes como a CXMT. Que entretanto já conseguem rivalizar de perto com o desempenho da Samsung e da SK Hynix a preços mais baixos, e com muito stock.
De facto, a pressão é tão grande que até a Apple, que não costuma facilitar em fornecedores e mede cada cêntimo ao milímetro… Já está a estudar o recurso à CXMT para aliviar a sua própria estrutura de custos, mesmo com Trump a não gostar muito da brincadeira.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que a crise da memória está a ser deliberadamente prolongada pelas marcas para engordar os lucros? Ou acreditas mesmo que a corrida à IA vai manter os computadores caríssimos até 2030?






