A inteligência artificial deixou de ser coisa de “gente da tecnologia” e entrou de vez na rotina dos portugueses. Segundo um novo estudo divulgado esta semana, 68% dos portugueses entre os 15 e os 64 anos já usam aplicações de IA pelo menos uma vez por semana, uma adesão que coloca estas ferramentas ao nível de meios tão enraizados como a televisão por subscrição. Mas há um dado curioso no meio disto: usamos muito, mas confiamos pouco.
A IA já é rotina
Os números vêm do estudo Meaningful Media 2026, da Havas Media Network, e mostram uma adoção rápida. Mais de dois terços da população recorre semanalmente a ferramentas de IA. Isto para pesquisar, tirar dúvidas, escrever textos, resumir informação ou até para tarefas do dia a dia.

Entre as plataformas, o ChatGPT domina de forma clara: é a ferramenta de IA mais usada em Portugal, à frente das restantes. A par disto, os motores de busca e as redes sociais continuam a ocupar a maior fatia do consumo digital semanal dos portugueses.
Usamos muito, mas confiamos mais no “velho” jornalismo
E aqui está o ponto mais interessante do estudo. Apesar de recorrerem cada vez mais à IA e às redes sociais, os portugueses não atribuem a esses meios a maior credibilidade. Quando o que está em causa é a confiança, são a televisão, os jornais e a rádio que continuam à frente.
Ou seja, há uma separação clara na cabeça das pessoas: usam a IA e as redes pela conveniência e rapidez, mas, quando querem informação em que possam confiar, viram-se para os meios tradicionais. É um sinal de maturidade digital, as pessoas percebem que “usar muito” não é o mesmo que “confiar”.
Porque é que isto importa
Este retrato diz muito sobre a forma como vivemos hoje. A IA generativa integrou-se no quotidiano a uma velocidade impressionante, em poucos anos passou de novidade a hábito semanal para a maioria. E isso levanta questões que nos tocam a todos: desde a fiabilidade das respostas destas ferramentas (que nem sempre acertam) até à forma como pesquisamos e tomamos decisões.
O facto de os portugueses manterem a confiança nos meios tradicionais é, aliás, um bom sinal num tempo de desinformação: mostra que há consciência de que uma resposta rápida de um chatbot não substitui o trabalho de verificação de uma redação.
No fundo, o estudo confirma o que muitos já sentem no dia a dia: a inteligência artificial já faz parte das nossas vidas. A questão que fica não é se a usamos é como a usamos, e com que espírito crítico. E, nisso, os portugueses parecem estar a encontrar um equilíbrio saudável: aproveitar a ferramenta, sem lhe entregar cegamente a confiança.








