Os preços dos combustíveis estão a roçar o absurdo, especialmente para nós, portugueses. Meter 50 litros de combustível por semana significa, nos dias que correm, qualquer coisa como 111€ no lado do Gasóleo Simples e 106€ no lado da Gasolina 95 Simples. E atenção! Aqui estamos a falar dos combustíveis simples. Se és daqueles condutores que opta sempre por aditivados, para conseguires combustíveis de maior qualidade, vais queimar ainda mais dinheiro no posto de abastecimento.
Estamos a falar de gastos facilmente superiores aos 400€ por mês para quem precisa de andar de carro todos os santos dias. É uma brutalidade de dinheiro. Podíamos até dizer que é quase o valor de uma renda mensal, não fossem as rendas no nosso país um autêntico disparate nos tempos que correm.
E é aqui que o jogo começa a mudar.
Portugueses querem carros elétricos, e os Chineses estão aí!

Por isso mesmo, e como 400€ custa muito a ganhar para ir direitinho pelo cano de escape, temos cada vez mais portugueses a dar o salto para os carros 100% elétricos.
Afinal de contas, com uma boa proposta no concessionário, podes muito bem pegar no dinheiro que deitavas fora todos os meses em combustível para pagar a prestação de um carro novo. Um carro que depois carregas em casa à noite por tuta-e-meia ou, para quem tem essa sorte, no parque da empresa a custo zero.
Isto é factual. Tenho a oportunidade de marcar presença em muitos eventos do setor automóvel em Portugal e a conversa dos responsáveis de vendas é sempre a mesma: “as vendas de elétricos estão a aumentar, e bem”. Só que há um detalhe que salta à vista.
Se a procura está a crescer de forma generalizada, no lado das marcas chinesas, que chegam com mais equipamento de série, baterias maiores e tabelas de preços muito mais em conta, o cenário é de autêntica loucura.
Especialmente agora.
Portugueses querem elétricos, e os chineses vieram para ficar!

É verdade que já começam a aparecer algumas alternativas interessantes no catálogo das marcas tradicionais europeias, como o Cupra Raval, o ID.Polo, o novo Renault Twingo, o Dacia Spring e as próprias alterações que a Renault fez ao Renault 5 para tentar torná-lo mais apetecível a quem tem a carteira mais curta.
Porém, no mundo dos elétricos, tirar o pão da boca aos construtores chineses é praticamente impossível. Num cenário ideal, todos nós preferíamos comprar um carro de uma marca europeia com décadas de renome, uma rede tradicional estabelecida e aquele suporte que dá outra confiança. Mas se o orçamento familiar não estica para chegar aos valores pornográficos que a Europa pede pelos seus modelos…
O consumidor olha para onde a relação preço/qualidade realmente compensa: para o lado chinês.
Hoje em dia o mercado funciona assim, sem espaço para romantismos. Já tínhamos por cá o Leapmotor B10 (por 27 mil euros) e o B05 (na casa dos 24 mil euros), com o novo B03X a prometer baralhar ainda mais as contas por pouco mais de 22 mil euros. Como se não bastasse, entrou em cena a Geely com o carro elétrico mais vendido da China, o Geely E2, a arrancar nos 21.900 euros.

Claro que existem patamares de equipamento mais recheados, que acabam por ser mais apelativos para quem procura mais conforto e autonomia para viagens longas. Afinal de contas, comprar um automóvel não é o mesmo que comprar um smartphone. É um bem essencial de trabalho para o dia a dia e tem de aguentar anos de desgaste.
Mas o grande segredo é que até as versões de entrada destes modelos já vêm com um pacote tecnológico e de segurança que envergonha muita opção europeia despida.
O domínio das marcas chinesas na Europa não se faz apenas pelo preço de tabela mais baixo. Faz-se pela quantidade absurda de equipamento que já metem de série logo na versão mais barata.
Por isso mesmo, a minha convicção é de que vamos ver uma invasão destes carros a circular nas nossas estradas nos próximos meses e, muito em particular, ao longo de 2027. A instabilidade internacional e a crise dos combustíveis não vão desaparecer por magia e, com os preços na bomba a tornarem-se cada vez mais insustentáveis, quem faz contas à vida vai continuar a votar com a carteira.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Com os combustíveis a estes valores, trocavas o teu carro a combustão por um elétrico chinês abaixo dos 25 mil euros, ou continuas a preferir esperar que as marcas europeias apresentem alternativas com preços minimamente racionais?








