Como dissemos na análise à Odisseia de Nolan, apenas existem 41 salas de cinema IMAX de 70mm, onde é de facto possível ver o filme como o realizador o imaginou. Sim, existem salas IMAX em Portugal, mas é um IMAX diferente, e por isso mais limitado.
A sala IMAX 70mm mais próxima de nós, é muito provavelmente em Londres. O que é uma pena. Sabes porquê? Porque Portugal teve uma sala IMAX a sério, muito perto de Lisboa, em Vila Franca de Xira. O problema é que a coisa nunca foi muito bem aproveitada, e como tal, durou pouco tempo.
Portugal teve uma sala IMAX a sério. Mas durou pouco tempo
Podes ver um vídeo da sala aqui.

Estamos a falar do mítico IMAX de Vila Franca de Xira? Era o cinema do futuro… que acabou abandonado no tempo! De facto, para quem viveu a década de 90 e o início dos anos 2000, falar do Vilafranca Centro é dar uma viagem imediata de regresso à infância e à juventude.
Inaugurado em novembro de 1994, aquele centro comercial trazia na bagagem algo absolutamente revolucionário para a época: a primeira sala de cinema IMAX em Portugal. Num país habituado a ecrãs modestos e a som que mal se ouvia, entrar naquela sala de 300 lugares e dar de caras com um ecrã gigante curvo de 17 metros parecia uma cena saída diretamente de um filme de ficção científica.
Mas, infelizmente, a história não teve um final feliz. O complexo acabou por fechar portas definitivamente em 2013, e aquele que devia ter sido o templo do cinema em Portugal acabou votado ao abandono, transformando-se numa ruína esquecida no meio da cidade.
A tecnologia monstra de 70mm que ninguém conseguia alimentar

O grande trunfo do IMAX de Vila Franca de Xira era também a sua maior maldição.
A sala utilizava o formato autêntico de película analógica IMAX de 70mm, com o fotograma orientado na horizontal. Na prática, isto entregava uma qualidade de imagem, uma resolução e uma profundidade de campo brutal, muito superior ao 70mm convencional ou ao 35mm que dominava as salas normais.
O problema é que os projetores eram autênticos monstros mecânicos de toneladas, que exigiam bobinas de filme do tamanho de rodas de camião e uma manutenção caríssima.
Mas o verdadeiro prego no caixão foi a falta de conteúdos. Na altura, eram pouquíssimos os filmes e documentários gravados nativamente em câmaras IMAX de 70mm. Ter uma sala de topo sem filmes para projetar com regularidade revelou-se um pesadelo financeiro e operacional que sufocou o projeto ao longo dos anos.
Do analógico lendário ao digital que temos hoje
Hoje em dia, o espaço do antigo Vilafranca Centro continua devoluto e às escuras, servindo apenas como uma memória nostálgica de uma aposta pioneira que pecou por ter surgido demasiado cedo. As salas IMAX que hoje funcionam em Portugal utilizam tecnologia de projeção digital moderna. O que facilita a distribuição, mas nada bate a mística daquela película analógica gigantesca a girar nos projetores de Vila Franca.







