Netflix, Disney+, Amazon Prime, HBO Max, DAZN… os serviços de streaming multiplicaram-se e tornaram-se parte da rotina de quem quer ver filmes, séries ou desporto. Mas, ao contrário do que possa parecer, os portugueses estão longe de ser os europeus que mais aderem a estas plataformas pagas. Segundo dados do Eurostat, Portugal é dos países da União Europeia onde menos gente paga por streaming.
Portugal em 19.º de 27 no Streaming
Os números são claros: em 2025, apenas 21,98% dos utilizadores de internet em Portugal tinham uma subscrição paga de streaming de filmes, séries ou desporto. Isto coloca o país no 19.º lugar entre os 27 Estados-membros da UE, quase 11 pontos percentuais abaixo da média europeia, que se fixou nos 32,7%.

No topo da tabela estão a Irlanda (63,9%), a Dinamarca (61,1%) e os Países Baixos (59,2%). Países onde mais de metade dos utilizadores de internet paga por pelo menos um serviço. No extremo oposto está a Bulgária (9,3%), com Portugal a acompanhar o grupo dos que menos aderem, ao lado da Eslovénia, Letónia e Lituânia.
O que estes números dizem sobre nós
Não é que os portugueses não vejam streaming. Veem, e muito. O que os dados sugerem é uma maior resistência (ou dificuldade) em alocar despesas fixas mensais a estas subscrições. Isto num contexto em que o orçamento das famílias está sob pressão. Com o custo de vida a apertar, muita gente pondera bem quantos serviços mantém ativos, partilha contas ou vai alternando subscrições consoante o que há para ver.
Há ainda um fator cultural que pesa: em Portugal, o hábito de pagar por conteúdos digitais demorou mais a instalar-se do que no Norte da Europa, onde as subscrições pagas fazem parte do dia a dia das famílias há mais tempo.

Um mercado em tensão
Estes dados surgem num momento em que a relação entre plataformas e consumidores está mais tensa. Os aumentos sucessivos de preços, os planos com publicidade e os cortes na partilha de contas têm gerado descontentamento e, nalguns países, até processos judiciais. Não é de estranhar que, perante subscrições cada vez mais caras, muitos utilizadores façam contas à vida e cortem no que não usam.
No fundo, os números do Eurostat mostram um retrato fiel do consumidor português: adepto de tecnologia e entretenimento, mas cauteloso com a carteira. E, num tempo em que o streaming parece querer subir de preço a cada estação, essa cautela talvez seja mais sensata do que nunca.








