Há muita coisa para criticar no mundo do futebol, especialmente em Portugal. Mas, esta é uma das mais estranhas Afinal, a Liga está completamente refém e dominada pelas casas de apostas!
Como Lewis Hamilton disse na altura da pandemia na F1, “Cash is King”, e como é óbvio, não é só no lado das corridas. É em todo o lado. O futebol mexe com muito dinheiro, e a realidade é que é sempre fácil dizer que sim a dinheiro fácil, especialmente quando é tanto…
Dito tudo isto, quem já cá anda há uns anos e acompanha o futebol português lembra-se perfeitamente dos tempos em que as camisolas dos nossos clubes eram autênticos ícones de marcas nacionais ou internacionais com história. Tivemos marcas como a Revigrés, a FNAC, Telecel, MEO, e hoje em dia também temos a Fly Emirates.
Mas, agora? 15 dos 18 clubes do principal escalão nacional entraram em campo no último fim de semana com o nome de uma casa de apostas estampado no peito. Falamos de uma percentagem brutal de 83% da liga. Apenas três equipas escapam a esta hegemonia: o Nacional, o Académico de Viseu e o Famalicão (que começou a época com a camisola limpa a aguardar parceiro).
Ou seja, enquanto os direitos de transmissão dão muito que falar pelo dinheiro que pode ou não aparecer. Temos uma outra corrida LOUCA aos euros.
Ter tanta publicidade a casas de apostas é negativo?

Portanto, a penetração destas plataformas de jogo online no mercado português é um quase absurdo.
A Betano, por exemplo, surge com destaque na frente das camisolas de Sporting e FC Porto (e ainda marca presença na manga do Benfica). A Bwin patrocina o Casa Pia, Arouca e Marítimo. Nomes mais recentes como a Le Bull ocupam os equipamentos de Rio Ave, Santa Clara e Estrela da Amadora. Além de tudo isto, a Solverde veste o Braga e o Estoril, a GoldenPark surge no Gil Vicente, e o Placard marca presença no Vitória de Guimarães, Moreirense e Alverca.
E a coisa não se fica pelas camisolas. A influência destas empresas comprou literalmente o próprio nome do desporto em Portugal. A nossa Primeira Liga chama-se Liga Portugal Betclic, a terceira divisão é a Liga 3 Placard e até a emblemática Supertaça Cândido de Oliveira também tem Placard no nome (depois de ter tido o nome da Betano na época passada).
Nem o desporto escapa, nem os podcasts de humor ou os festivais de música de Verão, que agora são inundados com dinheiro vindo das apostas.
A Europa fecha a porta a estes patrocínios. Mas… Portugal abre os braços e estende a mão.

Lá fora, decidiram cortar o mal pela raiz por razões de responsabilidade social e saúde pública:
- Itália: Proibiu radicalmente toda e qualquer publicidade a casas de apostas e jogos de azar já em 2019 através do famoso Decreto Dignità.
- Espanha: Seguiu o mesmo caminho dois anos depois, forçando todos os clubes da primeira e segunda divisão a rasgar contratos com operadoras de jogo.
- Inglaterra: A Premier League baniu esta época a presença de marcas de apostas na frente das camisolas de jogo, limitando-as a painéis secundários ou equipamentos de treino.
Assim, enquanto a Europa percebeu o perigo de ter o desporto transformado num cartaz gigante de incentivo ao jogo, Portugal continua a fechar os olhos. Por cá, desde a legalização do jogo online em 2015, o futebol e as próprias federações tornaram-se completamente financeiramente dependentes destas verbas para sobreviver.
Achas correto as camisolas dos clubes estarem dominadas por casas de apostas ou Portugal devia seguir o exemplo de Espanha e Inglaterra? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







