O preço da portabilidade existe e tem de ser pago (por ti)! – Numa primeira análise, os preços dos computadores portáteis podem parecer um autêntico assalto à carteira dos consumidores, especialmente quando os comparamos diretamente com os computadores de secretária com hardware similar.
Ou seja, para componentes aparentemente semelhantes e com o mesmo nome, o valor pedido pelos melhores portáteis do mercado é quase sempre significativamente mais alto face ao preço cobrado por uma torre com o mesmo poder de processamento, isto mesmo sabendo que as versões de secretária dos mesmos processadores e placas gráficas acabam por ter um desempenho superior.
Isto é muito interessante, porque hoje em dia é muito mais fácil meter performance dentro de um corpo mais pequeno e fino. Ainda assim, tens de pagar mais. O que levanta a questão… As marcas andam a aproveitar-se? Ou é suposto ser assim?
O segredo por detrás da diferença? Engenharia avançada e componentes encolhidos à força!
Um portátil é uma máquina mais complexa de desenhar e produzir, por isso… No fim do dia… Estás a pagar por portabilidade. Ou seja, a engenharia de miniaturização é a principal responsável pelo encarecimento do produto final, isto com alguma ganância à mistura, claro está.
Ora bem, enquanto os computadores de secretária têm a vantagem de contar com caixas espaçosas que garantem um fluxo de ar generoso e permitem a instalação de dissipadores massivos ou sistemas de refrigeração líquida, os componentes dos portáteis precisam de ser espremidos dentro de um chassi com poucos milímetros de espessura. (Agora mais do que nunca, visto que é cada vez mais raro encontrar portáteis extremamente grossos.) Tudo isto sem derreterem quando o utilizador decide puxar pelo sistema com tarefas pesadas.
Ou seja, mudar o tamanho do hardware não significa apenas encolher os chips que são usados nos computadores fixos e soldá-los numa placa mais pequena. As marcas precisam de desenhar arquiteturas completamente novas, capazes de rivalizar com o desempenho dos PCs de secretária mas a gastar uma fração da energia.
Como seria de esperar, desenvolver chips específicos que consigam oferecer alta performance num ambiente com sérias restrições energéticas e de espaço exige anos de testes. O que por sua vez também significa muita pesquisa e um custo de produção que dispara sem controlo.
Tudo incluído no mesmo pacote: A refrigeração ao milímetro e a durabilidade do chassi!
As pessoas esquecem-se frequentemente de que um computador portátil é uma solução do tipo tudo-em-um. Temos teclado, rato, e cada vez mais um ecrã de grande qualidade. Além de tudo isto, temos ainda microfones, webcam, e claro, a bateria.
Tudo componentes que, num PC “normal”… Pagavas à parte.
Para além de toda a tecnologia interna, o chassi de um portátil tem de conseguir ser robusto e leve o suficiente para andar dentro de mochila, de forma a aguentar os maus-tratos do dia a dia, e não dar cabo das costas das pessoas.
É fácil perceber que a coisa é de facto muito complicada, e é por isso que pagas mais por menos performance. Porque sim, não é possível chegar aos mesmos níveis de performance de um PC Tradicional, onde não existe limite de space, calor dissipado, ou energia consumida.
A minha visão?
Há alguns anos, se alguém me viesse falar “quero um portátil para jogar”, eu armava logo a barraca.
Se é para jogar, e jogas quase sempre em casa, por amor da santa compra um PC como deve ser. Vai ser mais poderoso, mais barato e vai com toda a certeza durar mais anos.
Hoje em dia, com a vida que muitos de nós leva, a conversa mudou um pouco. A portabilidade é cada vez mais importante e, de facto, os computadores portáteis estão cada vez melhores. Mas, para ter o melhor dos dois mundos, vais ter de pagar, por vezes muito bem. Isto por máquinas com menos performance, e que vão com toda a certeza durar menos anos nas tuas mãos.






