Sim, o que não falta por aí são apps para teres acesso a todas as estações de rádio e mais algumas. Mas, isso requer uso de dados móveis, coisa que nem todos têm de sobra. A questão aqui é, antigamente, era completamente normal teres acesso a Rádio FM no teu telemóvel, de forma completamente gratuita, porque o aparelho funcionava como um rádio a sério.
Agora? Isso pura e simplesmente não existe.
Porquê o desaparecimento do Rádio no Smartphone?

Hoje em dia, compras um topo de gama por mais de mil euros e a aplicação de rádio pura e simplesmente não existe. As fabricantes fingem que o formato morreu e que toda a gente quer apenas pagar subscrições do Spotify ou abrir streams de áudio pesadas na internet. Mas a verdade por trás deste desaparecimento é bem mais calculista do que parece à primeira vista.
O chip está lá dentro, mas vem desligado

O detalhe mais revoltante no meio disto tudo é que muitos dos processadores e modems da Qualcomm e de outras marcas continuam a suportar a receção analógica de rádio FM a nível de hardware. No entanto, as fabricantes optam por bloquear ou nem sequer ativar o circuito nas versões dos aparelhos vendidas nos mercados ocidentais.
A morte da entrada tradicional de auscultadores de 3.5 mm acelerou tudo isto. Sabes porquê? Como o cabo dos auriculares servia de antena física para apanhar o sinal das torres de emissão, a transição em massa para auriculares sem fios por Bluetooth deu a desculpa perfeita às marcas para varrerem o suporte FM para debaixo do tapete. Mesmo em modelos raros onde a função ainda existe em alguns países asiáticos, o utilizador é obrigado a usar adaptadores USB-C específicos e proprietários para conseguir captar alguma frequência.
O negócio do consumo de dados e o interesse das operadoras?
A justificação técnica oficial assenta sempre na velha conversa de poupar espaço no interior do chassi para acomodar antenas 5G gigantescas e baterias maiores. Mas o lado financeiro fala infinitamente mais alto. Nem as fabricantes de telemóveis nem as grandes operadoras de telecomunicações têm qualquer interesse em promover uma tecnologia gratuita, anónima e que não consome pacotes de dados.
Ao matar o rádio FM analógico, obrigam o utilizador a recorrer a aplicações oficiais de streaming via 4G ou 5G, que gastam bateria a triplicar, queimam o limite de dados mensal. E claro, abrem a porta a mais publicidade direcionada.







