Normalmente, muda o ano, fazemos uma festa enorme com os nossos amigos e familiares, e depois… Bem… Tudo aumenta de preço. Porquê? Bem, a passagem do ano junta vários fatores que tornam as subidas de preço não só fáceis, mas quase inevitáveis.
Porque o Ano Novo é a desculpa perfeita? Funciona quase sempre.

Primeiro, entram em vigor novas leis e regulamentos. Atualizações de impostos, taxas ambientais, contribuições para fundos, salários mínimos mais altos que acabam por influenciar a inflação, etc… Mesmo quando o impacto real é pequeno, serve de argumento para rever preços.
Depois há o efeito psicológico.
Um novo ano cria a sensação de “novo ciclo”. Os consumidores esperam mudanças, estão menos atentos e aceitam melhor ajustes de preço em janeiro do que em outubro ou novembro. Por exemplo, um aumento no dia 1 passa por atualização. Por sua vez, um aumento em março gera revolta.
Há também o fator contratual.
Muitas rendas, seguros, serviços, telecomunicações, ginásios e subscrições têm cláusulas de atualização anual indexadas à inflação ou a índices específicos. Janeiro é quando essas cláusulas são ativadas. Um bom exemplo está nas portagens. Em Portugal, 40 das 93 portagens vão ser atualizadas em alta.

Outro ponto importante é o fecho de contas do ano anterior.
As empresas analisam custos acumulados, margens pressionadas, aumentos de energia, logística, matérias-primas e mão de obra. Janeiro é o momento “limpo” para corrigir preços sem mexer nos números do ano fechado.
Existe ainda a lógica comercial.
Portanto, se Dezembro é mês de promoções, campanhas e descontos. Janeiro funciona como o mês do reset. Assim, recupera-se margem, elimina-se o preço promocional e ajusta-se o valor base.
Por fim, há o efeito dominó.
Em suma, quando setores-chave sobem preços no início do ano, os restantes seguem para não ficarem para trás. Ninguém quer ser o último a subir e o primeiro a perder margem.
Ou seja, Janeiro junta legislação, contratos, psicologia do consumidor, fecho fiscal e estratégia comercial. Quem paga… És tu.

