Aquele ronronar suave do gato no colo é um dos sons mais reconfortantes que há e a maioria das pessoas assume que significa uma coisa: “o gato está feliz”. Mas a verdade é bem mais interessante. Os gatos ronronam por vários motivos e alguns podem até surpreender-te. A ciência ainda não desvendou tudo, mas já sabe bastante. Explicamos.
Como é que o gato faz aquele som?
Primeiro, o “como”. Durante muito tempo foi um mistério, mas hoje a explicação mais aceite é que o ronronar nasce no cérebro: um “oscilador neural” envia sinais rápidos aos músculos da laringe (a caixa da voz), que se contraem e relaxam 20 a 30 vezes por segundo. Quando o gato respira (a inspirar e a expirar), o ar passa por essas cordas vocais em vibração e produz o som contínuo que conhecemos. É por isso que o gato consegue ronronar sem parar, quer esteja a inspirar ou a expirar.

Sim, muitas vezes é felicidade
Comecemos pelo óbvio: grande parte das vezes, o gato ronrona porque está contente e relaxado no teu colo, ao sol, a receber festas. É um sinal de bem-estar e de que se sente seguro. Os gatinhos, aliás, começam a ronronar com poucos dias de vida, e ronronam enquanto mamam uma forma de comunicar com a mãe.
Mas nem sempre e aqui está a surpresa
Aqui está o que muita gente não sabe: os gatos também ronronam quando estão em stress, com dores ou doentes. Pode parecer contraditório, mas faz sentido funciona como um mecanismo de autoconforto, uma forma de se acalmarem em situações difíceis (um pouco como uma pessoa que cantarola baixinho para se tranquilizar quando está nervosa).
Por isso, um gato pode ronronar no veterinário, quando está magoado, ou até em situações de grande medo. O ronronar, por si só, não é garantia de que está tudo bem é preciso olhar para o resto da linguagem corporal (orelhas, cauda, postura).
A teoria mais fascinante: o ronronar que cura
E agora a parte mais surpreendente. Vários estudos notaram que a frequência do ronronar dos gatos (entre 25 e 150 Hz) coincide com as frequências que, em medicina, se usam para estimular a regeneração dos ossos e dos tecidos e aliviar a dor.
Isto levou os cientistas a levantar uma hipótese fascinante: o ronronar pode ter uma função curativa/reparadora ajudar o próprio gato a recuperar de lesões e a manter os ossos saudáveis, sobretudo durante os longos períodos de descanso (os gatos dormem imenso). Seria como uma “fisioterapia” interna e automática. Não está provado em definitivo, mas é uma das teorias mais estudadas e ajuda a explicar porque é que ronronam mesmo quando não estão a “pedir festas”.

E faz-nos bem a nós?
Há ainda um bónus para os donos: vários estudos sugerem que conviver com o ronronar de um gato pode ter efeitos calmantes nas pessoas, reduzir o stress e a tensão arterial. Não é magia, mas aquela sensação de paz de ter um gato a ronronar ao colo tem, afinal, alguma base real.
No fundo, o ronronar é muito mais do que um simples “estou feliz”. É um som complexo, que serve ao gato para comunicar, para se acalmar e, talvez, até para se curar e que, de caminho, nos faz bem a nós também. Da próxima vez que o teu gato ronronar, repara no resto: quase sempre é felicidade, mas vale a pena estar atento se algo mais estiver diferente.






