Durante anos, comprar uma boa televisão significava aceitar alguns compromissos. Ou tinhas brilho, ou tinhas contraste. Também tinhas de escolher se a imagem era aceitável de frente, ou ficava lavada quando vista de lado. Tudo isto vinha do mesmo problema de base: os painéis LCD com retroiluminação LED nunca conseguiram controlar a luz como deviam.
Foi aqui que o OLED mudou tudo!
Porque é que as fabricantes mudaram para OLED?

Ao contrário dos LCD tradicionais, onde existe uma fonte de luz por trás do painel, no OLED cada pixel emite a sua própria luz. Isto significa algo aparentemente muito simples, mas ainda assim revolucionário. Ou seja, quando um pixel tem de estar preto, este desliga-se. Não há fugas de luz, não há halos, não há zonas “quase pretas”.
Existe um preto real, porque aquela parte da imagem está mesmo desigada.
O resultado foi imediato!
Pretos absolutos, contraste praticamente infinito, cores mais consistentes e um painel muito mais fino. Tudo aquilo que o LCD tentava resolver com truques técnicos, o OLED resolveu logo de base.
No início era um luxo absurdo. Mas já não é.

Os primeiros modelos OLED eram proibitivos. Custavam valores que hoje parecem irreais e estavam claramente posicionados como produtos de demonstração tecnológica, não como algo pensado para o consumidor comum.
Mas a história repetiu-se, como acontece sempre na tecnologia. A produção aumentou, os processos melhoraram, surgiram mais fabricantes e, aos poucos, os preços começaram a descer.
Sim, hoje continua a ser mais caro produzir um painel OLED do que um LCD tradicional. Isso reflete-se no preço final. Mas os valores estão bem diferentes, e claro, a experiência de utilização é… Um mundo à parte.
O OLED obrigou o resto do mercado a mexer-se. Ainda hoje é assim.
A ascensão do OLED teve um efeito curioso. Em vez de matar o LCD, forçou-o a evoluir.
Para tentar competir com o contraste e as cores do OLED, surgiram melhorias como o local dimming mais agressivo, o Mini LED e, sobretudo, os painéis com quantum dots. Foi daí que nasceu o conceito de QLED, uma tentativa clara de aproximar os LCD do impacto visual do OLED, especialmente em brilho e volume de cor.
E são TVs que têm de facto o seu espaço, porque em termos de brilho, o OLED ainda tem alguma “sopa para comer”.
Entretanto, mais tarde, a própria tecnologia de quantum dots acabou por ser integrada em painéis OLED, dando origem aos QD-OLED. A ideia aqui era simples. Manter as vantagens do OLED, mas melhorar brilho e cores para conteúdos HDR mais exigentes.
No fundo, o mercado deu uma volta completa. OLED inspirou melhorias no LCD, que por sua vez ajudaram a refinar o próprio OLED.
Hoje já não há volta a dar!
Atualmente, temos televisões muito melhores em todos os segmentos. Mesmo quem compra um LCD mais acessível beneficia de tecnologias que só existem porque o OLED forçou a indústria a evoluir.
Mas quando o objetivo é qualidade de imagem pura, sem compromissos, o OLED continua a ser a referência. Não porque seja perfeito, mas porque resolveu problemas que o LCD nunca conseguiu resolver de forma definitiva.
Se as fabricantes não tivessem apostado na tecnologia quando ainda era cara, arriscada e pouco acessível, o mercado de televisões seria hoje muito mais estagnado.

