Já te aconteceu ver uma peça gira na loja de uma marca num centro comercial, ires à mesma marca noutro centro à procura dela… e simplesmente não existir? Ou reparaste que há lojas da mesma cadeia que parecem ter sempre mais escolha, mais novidades e mais tamanhos do que outras? Não é impressão tua, nem falta de sorte. Há um sistema por trás disto da loja com roupa diferente e faz todo o sentido quando percebes a lógica.
Loja tem roupa diferente: o truque tem nome e chama-se store grading
As marcas de roupa não enchem todas as lojas com a mesma coleção. Seria um desperdício. Em vez disso, usam uma técnica chamada store grading, algo como “classificação de lojas”.

Na prática, a marca pega em todas as suas lojas e agrupa-as por categorias, muitas vezes com letras: A, B, C, e por aí adiante. As lojas do mesmo grupo recebem a mesma gama de produtos e as mesmas quantidades. As de grupos diferentes recebem coleções diferentes. É por isso que a loja da tua marca preferida num centro comercial pode ter o dobro das opções da loja da mesma marca a 15 minutos dali.
Como é que decidem em que “grupo” fica cada loja?
Aqui é onde entra a matemática do retalho. Há dois fatores principais a pesar na balança.
O primeiro é o volume de vendas: quanto mais uma loja vende, mais alto costuma ser o seu “grau” e mais produto (e melhor) recebe. O segundo é o tamanho e o espaço da própria loja: não adianta mandar a coleção inteira para uma loja pequena onde não cabe.
A estes junta-se o perfil de cliente da zona. As marcas olham para a demografia de quem costuma comprar naquele centro comercial, poder de compra, idade, gostos e ajustam o sortido. Uma loja num centro de uma zona mais abastada pode receber peças mais caras e uma seleção mais alargada; outra, num centro mais familiar, recebe um mix diferente. Tudo pensado para vender o máximo com o mínimo de peças encalhadas.
Porque é que umas lojas recebem tudo primeiro (e melhor)
Esta é a parte que confirma aquela sensação que se calhar já tinhas. As lojas de topo, as maiores, as que mais faturam, as flagship, tendem a ficar com os estilos e os tamanhos que se vendem mais depressa, e muitas vezes recebem as novidades da coleção antes das outras.
A lógica do outro lado é igualmente fria: as lojas de menor desempenho não podem tornar-se “depósitos” do stock mais difícil de escoar. Por isso recebem seleções mais reduzidas, focadas no que ali costuma vender. Resultado: se andas atrás da coleção completa e das últimas novidades, nem todas as lojas da mesma marca te dão a mesma hipótese.

A dica prática que podes usar já
Agora que sabes como funciona, podes jogar a teu favor. Se queres a maior variedade, as novidades mais cedo e mais hipóteses de encontrar o teu tamanho, aponta para a loja maior da marca, no centro comercial que mais fatura na tua zona. Costuma ser essa a que está no topo da tabela da marca e, por isso, a mais bem servida.
E se numa loja te disserem que uma peça “não veio para esta loja”, já sabes: provavelmente foi para a loja “A” ali mais adiante. Às vezes vale mesmo a pena o desvio.







